A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a operação conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, violou princípios fundamentais do direito internacional e tornou o cenário global mais instável. A declaração foi feita nesta terça-feira (6) pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que classificou a ação como uma afronta à soberania dos Estados.
Segundo a porta-voz do órgão, Ravina Shamdasani, a intervenção norte-americana fere diretamente o princípio que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de um país. Para a ONU, a operação não representa um avanço na defesa dos direitos humanos e compromete a arquitetura da segurança internacional ao transmitir a mensagem de que nações mais poderosas podem agir sem respeitar normas globais.
“Longe de ser uma vitória para os direitos humanos, essa intervenção prejudica a estrutura da segurança internacional e torna todos os países menos seguros. Isso transmite a mensagem de que os poderosos podem fazer o que bem entenderem”, afirmou Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, ao defender que a comunidade internacional se una para reafirmar o respeito às normas do direito internacional e ao princípio da não intervenção entre Estados soberanos.
O posicionamento é o mais duro adotado pela ONU desde a captura de Maduro, ocorrida no último sábado (3), durante uma operação militar surpresa em Caracas. O presidente venezuelano foi levado aos Estados Unidos, onde responde a acusações como narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e posse ilegal de armas. Em audiência realizada em Nova York, Maduro se declarou inocente e afirmou ainda se considerar presidente legítimo da Venezuela.
A ação dos EUA também foi alvo de críticas de diversos países durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Rússia e China condenaram a operação, enquanto outras nações alertaram para os riscos de escalada militar e agravamento da crise política e humanitária na Venezuela. Para a ONU, o futuro do país deve ser definido exclusivamente pelo povo venezuelano, sem interferência externa.
Enquanto isso, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando do governo venezuelano, com apoio das Forças Armadas. O governo norte-americano afirma que não pretende realizar novos ataques, desde que haja cooperação das autoridades venezuelanas. A situação, no entanto, segue sendo acompanhada com preocupação por organismos internacionais, diante do risco de novos desdobramentos diplomáticos e militares.
Matheus Moreira/ News Cariri










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