Número de assassinatos cresce 23% no primeiro semestre no Ceará

O Ceará teve um aumento de mais de 23% no número de mortes violentas de janeiro a junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2023. Os dados são da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública.

O mês mais violento foi abril, com 320 homicídios; seguido de maio, com 316 registros. No mês de junho também houve um acréscimo nas mortes. (Veja tabela abaixo) No mês houve a chacina com oito mortos de Viçosa do Ceará e o ataque a tiros na Areninha do Barroso em Fortaleza.

Crimes violentos

Mês 2023 2024 Aumento (%)
Janeiro 252 284 12,69%
Fevereiro 251 257 2,39%
Março 227 278 22,46%
Abril 217 320 47,46%
Maio 229 316 37,99%
Junho 211 259 22,74%

Sobre os números preocupantes, o pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Conflitualidade e Violência da UES Raul Té já projeta um quadro bastante violento para o resto do ano.

“Comparando também a processualidade dos anos anteriores, o primeiro semestre é sempre menos violento que o segundo semestre, ou seja, há menos registros de CVLIs no primeiro semestre que no segundo semestre. Então, a gente já projeta um quadro bastante violento para o resto do ano, fechando o ano, com mais ou menos 3.300 mortes, se ficar no mesmo patamar que os últimos anos apresentam e que esse ano vem apresentando. Esse primeiro semestre foi 23% mais violento do que o ano passado, isso três anos de diminuição de violência de 2020, 2021, 2022 e 2023 foram anos de diminuição”.

O especialista aponta a briga entre facções para a consequência do aumento dos homicídios. Para tentar conter as mortes, segundo Raul Té, é necessário novos planos de inteligência por parte do Governo do Ceará.

“As disputas, especialmente pelo interior do Estado, têm ampliado o registro dessas mortes no interior também. E a capital, a Região Metropolitana de Fortaleza, apresenta um quadro elevado de mortes exatamente por conta dessas disputas territoriais”, afirmou.

“O que se pode fazer é uma ampliação, uma mudança, outra perspectiva de segurança, de política de segurança. Focar na investigação feita a essas facções para que a gente possa combater, digamos assim, na raiz, e não no choque. No contato direto que a Polícia Militar, que faz o trabalho dela, mas que a política deve modificar-se mais para a inteligência, para entender de onde vem essa violência, como ela se elabora, do que combatê-la diretamente”, aponta.

Chacina com sete mortes

Sete pessoas são mortas a tiros em praça na cidade de Viçosa do Ceará. — Foto: Fernando Dias/ Arquivo pessoal

Sete pessoas são mortas a tiros em praça na cidade de Viçosa do Ceará. — Foto: Fernando Dias/ Arquivo pessoal

Sete pessoas foram mortas, no dia 20 de junho, em uma chacina na cidade de Viçosa do Ceará, a 350 km de Fortaleza. Duas pessoas também foram baleadas. O ataque ocorreu em uma praça do município.

Todas as vítimas, entre mortos e feridos, foram baleadas durante a madrugada na Praça Clóvis Beviláqua, no Centro da cidade de Viçosa do Ceará. O município fica no norte do estado, na divisa com o Piauí.

As vítimas mortas tinham entre 16 e 26 anos. São elas:

  • Ana Carolina de Sousa Rocha, 24 anos
  • Francisco Luan Brito da Silva, 26 anos
  • Uma adolescente de 16 anos
  • Isamara de Sousa Rodrigues, 25 anos
  • Adrian Mateus Brito dos Santos, 23 anos
  • André Júnior, Geovane e Júlio, de idade e nome completo ainda não confirmados

Crianças e adolescentes baleados em praça

Mulher e criança morrem em ataque a tiros em Fortaleza. — Foto: Reprodução

Mulher e criança morrem em ataque a tiros em Fortaleza. — Foto: Reprodução

Ainda em junho, uma criança e uma mulher foram mortas em um ataque a tiros no Bairro Barroso, em Fortaleza. Nove crianças e adolescentes ficaram feridos.

O ataque foi realizado na Areninha do Jardim Violeta, campo de futebol com grande movimentação de pessoas. Segundo testemunhas, dois veículos chegaram ao local, e os ocupantes atiraram contra as pessoas que estavam na arquibancada.