Várzea Alegre – Audiência Pública debateu na Câmara Municipal o abastecimento de água da cidade

A Prefeitura de Várzea Alegre, a Câmara Municipal de Vereadores e o Comitê Municipal de Contingência e de Convivência com a Seca, promoveram audiência pública, no Plenário José Caetano, da Câmara Municipal, nesta noite de terça-feira, 31, para debater com a comunidade as condições hídricas de abastecimento da cidade a partir do açude Deputado Luiz Otacílio Correia (Olho D’Água).

Estiveram presentes representantes da COGERH – Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos – Alberto Medeiros de Brito (Gerente Regional) e da Cagece – Companhia de Água e Esgoto do Ceará – Expedito Galba Batista (Gerente de Negócios da Bacia do Salgado), Helder Cortes (Diretor de Unidade de Negócios do Interior) Rivelino Teles (Supervisor de Redes) e Renato Sousa (Coordenador).

Os trabalhos da Audiência Pública foram coordenados pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Alan Salviano (PMDB).

A Audiência Pública foi aberta pelo prefeito da cidade Zé Helder (PMDB), que disse que o açude Olho D’Água está na condição verde o que representa ainda boa oferta de água se comparado a outros reservatórios de outros municípios do Ceará, porém, observando o sofrimento do passado, quando o abastecimento de água era feito por carroça e carro-pipa é necessário cautela e tomar medidas de economia.

Medidas tomadas

Zé Helder destacou algumas medidas que já foram tomadas como a redução do consumo em unidades da administração pública que já representam 50% de economia de água nestes locais e também economia de recursos financeiros.

Outra preocupação do prefeito é com a zona rural, onde a água também escasseia. As medidas para atender as demandas dessas localidades têm sido a perfuração de poços profundos, que não tendo repostas dos órgãos governamentais, como a SOHIDRA – Superintendência de Obras Hidráulicas, está investindo recursos próprios do Município na perfuração desses poços.

Ele observou que de dez poços perfurados, apenas de 30% a 40% dão água. “Na Charneca foram perfurados dois poços, nenhum deu água. Em Umari dos Costas o poço perfurado deu boa vazão”, disse.

Garantia de água até julho de 2018

Alberto Brito fez explanação sobre a bacia do Salgado, sua condição de armazenamento de água e informou que as decisões sobre o gerenciamento da água são tomadas em acordo com a comunidade. Pela última vazão estipulada para o açude Olho D’Água, em reunião com a comunidade, no 7 de julho, segundo ele, foi decidido que seria liberada vazão de 80 litros por segundo, e com esta liberação, daria para açude alcançar julho de 2018 atendendo a população, mesmo sem o aporte de chuvas. Várzea Alegre chove em média, segundo a Funceme, 805mm por ano e de 2011 até 2017, as chuvas foram consideradas abaixo dessa média, sendo que o pior ano foi 2012, quando choveu apenas 389mm.

Neste ano de 2017, informou Brito, mesmo com as chuvas, o açude teve aporte negativo de 3% pelo consumo da população e pela evaporação.

Alberto Brito explicou que o monitoramento do açude é feito diariamente, e que, atualmente, o combinado com a população, foi atingir neste período 14,9% de da capacidade e se conseguiu chegar ao período com o volume de 17,46%, um saldo de 490.205m³. “Dessa forma chegaria em fevereiro de 2018 no volume morto e julho o açude seca”, disse.

Foi apresentada a proposta de diminuição da vazão para 50 ou 30 litros por segundo para sustentar o abastecimento de água por mais tempo, até chegar em janeiro de 2019, inclusive com a aplicação de uma taxa de contingência.

Alternativas e propostas

Helder Cortes, afirmou que em 2017, o governo do Estado criou o Comitê da Seca e uma das suas preocupações é com a segurança hídrica do Ceará. Ele afirmou que se açude secar, esse comitê encontrará a solução para atender a demanda da comunidade, podendo ser aplicadas várias alternativas como cavar um grande poço no açude, o que chamou de “Poço de Jacó”.

Rivelino Teles apresentou as propostas que já estão em andamento e outras que poderão ser aplicadas para assegurar o abastecimento da cidade até janeiro de 2019. Essas propostas, segundo ele, passam por campanhas de conscientização, redução de perdas na rede distribuição da Cagece e as implantações da tarifa de contingência e do rodízio do abastecimento em 2018.

Ele explicou que a tarifa de contingência estabelece meta de economia de 20% da média de consumo dos últimos seis meses com cobrança de multa sobre o consumo excedente. O consumo abaixo de 10m³ não entra. Segundo Rivelino Teles, essa experiência funcionou na Região metropolitana de Fortaleza, com o resultado de 20% de redução do consumo de água. Com relação ao rodízio, a cidade seria separada em duas zonas – lado esquerdo e lado direito de BR 230 para receber o abastecimento de água de forma alternada.

Prolongar até 2019

Falando pela Defesa Civil de Várzea Alegre e pelo Comitê da Seca, George Bitu, disse que em uma reunião do comitê, foi analisada a situação de cidades que ficam de 30 a 60 dias sem água, quando pensaram em prolongar de 2018 para 2019 a condição hídrica local para evitar esse problema. “Não tem agricultura, saúde e meio ambiente sem água e não há vida sem água e temos que repensar essa situação e rezar para que o inverno seja bom”, disse.

Questionamentos populares

O vereador do PT, Michael Martins, disse que ao tratar da questão da água, tem que considerar a situação do planeta, o todo e não apenas uma questão localizada. O vereador enfatizou o consumo de água pelos lava-jatos, nas construções e as perdas de água com os vazamentos da Cagece, segundo ele, neste caso, difícil de resolver o problema sem o aumento de pessoal da empresa. Ele sugeriu um plano de economicidade de água de forma permanente.

Pedro do Costa, servidor do Ministério Público, falou que estavam combatendo as consequências e não as causas e demonstrou preocupação com o assoreamento e destruição das matas ciliares do riacho do Machado, ressaltando o prejuízo para o manancial. Ele ainda questionou o destino da taxa de contingência, apontado que poderia ser utilizada para a recomposição da mata ciliar do Machado.

Vereadora Professora Dedê, criticou a Cagece por conta dos inúmeros vazamentos em sua rede de distribuição de água, afirmando que tem vazamento que faz “aniversário”. Também colocou que as medidas indicadas no projeto para serem implantadas só em 2018 é muito tarde e pediu que começasse logo, inclusive o rodízio no abastecimento da cidade.

Jornalista e professor, Bruno Siebra, residente no bairro Patos, questionou quando o governo puniria a Cagece pelos vazamentos em sua rede de distribuição, se não existiria forma dos vereadores impor sanções à empresa que é uma concessionária da água e falou que a água pertence ao município. Também classificou o projeto apresentado pela Cagece como “plano mirabolante”.

Joaquim Anderson, criticou a Cagece por isentar de impostos a termelétricas do Pecém que consomem mais de 800 litros de água por segundo.

A professora Cristina, ressaltou que nas escolas é realizado trabalho de conscientização com os estudantes e disse que o governo tem que fazer sua parte, consertando pequenos vazamentos nas torneiras e banheiros das unidades públicas, como escolas e postos de saúde. “Não tem que se cobrar só da Cagece e dos professores, tem que cobrar de todos”, disse.

O empresário João Alves, falou sobre a promessa da construção de uma estação de tratamento dos resíduos do açude feita há cinco anos pela Cagece e que ainda não tinha saído do papel. Enfatizou que esses resíduos são jogados no açude, contribuindo para sua perda de capacidade de armazenamento e poluindo o meio ambiente. Também orientou a contratação de pessoal pela Cagece para atender a comunidade.

Helder Cortes fez considerações. Ele argumentou que o debate demonstra a preocupação e a maturidade que a sociedade de Várzea Alegre tem com a causa. Com relação às perdas, disse que o índice é pequeno, mas em período de seca tem que ser zero.  Em relação às matas ciliares e o assoreamento, falou que é uma questão que envolve todas as bacias do estado. Sobre a água pertencer ao município, destacou que não é assim. Que água, por lei, é um bem público pertencente ao estado do Ceará. “A Cogerh faz a gestão, a Cagece compra a água bruta. A discussão do uso é democrática”, afirmou.

Já quando o assunto foi tarifa de contingência, afirmou que não foi implantada em nenhuma cidade e que essa proposta foi feita no município, mas que só acontece se houver concordância da ARCE, que é a agência reguladora e do Município.  E quanto à aplicação do dinheiro só pode ser usado na convivência com a seca.

Em defesa do consumo de água do Pecém, defendeu a importância econômica do Pecém para o Ceará, responsável pela geração de 19 mil empregos e por 30% do PIB do Estado.

Quando o questionamento foi a lavagem dos filtros, defendeu o reuso da água e também teve a informação que a estação de tratamento deve sair entre 30 e 60 dias, vencidos os processos burocráticos.

Helder Cortes, havia feito menção à fé do povo para pedir chuva e teve sua colocação observado por Joaquim Anderson, que a causa exige ação.

O vereador José Dener, citou passagem da Bíblia para defender a fé sobre o assunto da escassez de água. O parlamentar que é graduando em engenharia civil, fez considerações sobre o consumo de água e desperdício, alertando que essas perdas devem ser zeradas.

Alberto Medeiros Brito voltou para explicar que o açude está com 3.316.000m³, e que, desse volume, o sol consumirá 1.499.000m³ em um ano, o que representa afirmar que em dois anos o açude estaria seco, sem a população usar a água.

Sobre as questões de matas ciliares, falou que a do açude está preservada e que a do riacho do Machado é responsabilidade da Semace, do Ibama e da população. Com relação a informação de barragens ao longo do leito do riacho, serão fiscalizadas e as irregulares os responsáveis serão multados e pode haver casos de demolição dessas barragens.

Explicando a perda de capacidade do açude, de 21.000.000m³ para 19.000.000m³, ele acredita que essa perda na verdade pode ter sido um erro no projeto e não uma perda real provocada apenas pelo assoreamento do reservatório.

O vereador Pedro Bitu, apontou ainda uma possível transposição do riacho da Fortuna para o riacho do Machado, já que o riacho da Fortuna tem grandes cheias e essa água abasteceria o Olho D’Água.

O prefeito Zé Helder, parabenizou a comunidade que compareceu, informou que a audiência foi para o debate tal qual como aconteceu. Ele reforçou que medidas de economia de água estão sendo tomadas e que já conseguiu onde essas medidas foram implementadas economia de 50% de água e diminuição dos custos financeiros das unidades. Falou que o comitê local está se reunindo e que o cidadão deve apresentar suas ideias.

O presidente da Câmara, Alan Salviano, agradeceu a participação popular e de todos, e afirmou que a Câmara Municipal, quando foi apontada que não fazia nada em relação à causa, vem, desde o início da gestão, tratando desse problema da escassez de água no município.

Assessoria de Comunicação

Prefeitura de Juazeiro do Norte realiza melhorias na Rua Edgar Coelho, ao lado do Atacadão

A Prefeitura de Juazeiro do Norte, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) realiza consertos na pavimentação asfáltica da Rua Edgar Coelho, ao lado do Atacadão. As obras iniciaram na última quarta-feira (01). Esta via é muito importante e serve como retorno, para acesso a Avenida Padre Cícero, de maior movimentação no Cariri.

O principal problema apresentado na rua e que a população solicitava correção, era com relação aos buracos. Os pedidos foram atendidos e uma equipe da secretaria já efetua os reparos necessários para que a população, que utiliza a rota, possa transitar em boas condições a partir de então.

Uma das preocupações do Prefeito Arnon Bezerra e também da Secretária de Infraestrutura, Gizele Menezes, é atender o mais rápido possível essas áreas prejudicadas, nos diversos pontos da cidade, principalmente nas ruas de maior fluxo de veículos, garantindo o bem-estar dos moradores e pessoas que trafegam pelo local. Logo, demandas como estas, advinda dos próprios cidadãos, por meio de redes sociais, imprensa ou pessoalmente, sempre que possível, e na maioria dos casos, são prontamente acatadas.

Fotos: Elizangela Santos

Assessoria de Imprensa

Motorista da Uber morre após seguir assaltantes no Recife, diz Polícia Civil

Um homem de 36 anos morreu e outro de 32 anos ficou ferido durante um assalto no bairro de São José, no Centro do Recife, na manhã da quinta-feira (2). De acordo com informações repassadas pela Polícia Civil nesta sexta-feira (3), as duas vítimas são motoristas da Uber, aplicativo de transporte privado de passageiros.

Ainda segundo a corporação, os dois homens foram roubados e seguiram atrás dos assaltantes. Os autores do crime estavam armados e atiraram nas duas vítimas. Um dos dois motoristas foi atingido e morreu no local.

A polícia, no entanto, não informou se a outra vítima foi encaminhada a uma unidade de saúde. O caso, classificado como latrocínio (roubo seguido de morte) e tentativa de latrocínio, será investigado pela 1ª Delegacia de Homicídios da Capital, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

G1 tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da Uber para confirmar se as duas vítimas estavam cadastradas como motoristas do aplicativo, mas não obteve retorno às ligações.

Candidatos do Enem contarão com 93 linhas de ônibus reforçadas para primeiro domingo de prova, em Salvador

Os candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) contarão com operação especial de transporte público no primeiro domingo de provas (5), em Salvador. Além das linhas de ônibus que vão operar normalmente, 93 linhas serão reforçadas com 560 veículos. [Confira linhas abaixo]

O reforço no transporte será das 8h às 16h. As linhas vão atender ao Subúrbio, Miolo e Orla, que são os principais corredores da capital. Os estudantes devem se atentar para o fechamento dos portões, que será no horário de Brasília.

Por estar fora do horário de verão, os portões nos locais de provas do Enem no estado abrem às 11h, fecham às 12h e as provas começam às 12h30.

Além dos ônibus extras, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) manterá como reforço nove veículos reguladores nas estações Acesso Norte, Pirajá e Mussurunga, que devem ficar à disposição entre 14h e 20h.

Linhas reforçadas

1507 Pirajá / RN – Lapa
1515 Conjunto Pirajá I – Ribeira
1540 Conjunto Pirajá I – Estação Pirajá
1342 Est. Pirajá – Bonfim
1511 Conj. Pirajá I – Eng. V. Federação
0303 Boa V. São Caetano – Nazaré
1526 Vista Alegre – Lapa
1533 Fazenda Coutos – Lapa
1604 Base Naval / S. Thomé / Esc. de Menores – Lapa
1606 Paripe – Barroquinha
1608 Paripe – Ribeira
1634 Alto de Coutos – Pituba
1638 Fazenda Coutos – Ribeira
1651 Base Naval – S. Thomé -Lapa
1662 Base Naval – Ribeira
0216 Ribeira – Lapa
0201 Ribeira /Bonfim – Campo Grande
0316 Faz. Grande do Retiro – Lapa
0337 São Caetano – Lapa
0221 Ribeira-Barbalho/Faz. Garcia
0218 Ribeira – Pituba
0219 Ribeira – Rodoviária
0237 Ribeira – Rio Sena / A. Sta. Terezinha
1607 Paripe – Barra
1614 Mirante de Periperi – Itaigara
1628 Rio Sena – Lapa
1633 Mirante de Periperi – Ondina
1653 Paripe – Aeroporto
0334 São Caetano – Barra
0403 Caixa D’água – Lapa
0301 Alto do Peru – Terminal Acesso Norte
0354 Capelinha – Terminal Acesso Norte
1301 Estação Pirajá – Brotas
1304 Castelo Branco – Lapa
1345 Castelo Branco – Bx. dos Sapateiros
1211 Tancredo Neves – Barra
1327 Est. Pirajá – Bx. dos Sapateiros
1340 Est. Pirajá – Barra 1
1341 Est. Pirajá – Barra 2
1347 Est. Pirajá – Pituba
1349 Canabrava – Est. Pirajá R1
1413 Boca da Mata – Lapa / Barra
1388 Estação Pirajá – Barra 3
1215 Engomadeira – Lapa
1102 Cabula VI – Lapa
1225 Sussuarana – Lapa ( Vasco)
1116 Terminal Acesso Norte – Saboeiro
1141 Cabula VI – Ribeira R1
1142 Cabula VI – Ribeira R2
1137 Pernambués – Barra
1319 Pau da Lima-Lapa/Barra
1310 Estação Pirajá – CAB
1403 Cajazeira 11 – Ribeira
1207 Tancredo Neves – Pituba
1389 N. Brasília/Jd. N. Esperança – Est. Pirajá
1334 Sete de Abril – Lapa
1130 Cabula VI – Ondina
1107 Terminal Acesso Norte – Tancredo Neves
1108 Terminal Acesso Norte – N. Sra Resgate
1146 Terminal Acesso Norte – Arenoso
1233 N. Sussuarana/Sussuarana – Terminal Acesso Norte
1025 Estação Mussurunga – Barro Duro
1328 Est. Pirajá / Est. Mussu -Aeroporto
0805 Pituba – Lapa
0902 Boca do Rio – Lapa
0914 Vale dos Rios / Stiep R3
1052 Est. Mussurunga – Barra 2
0503 Brotas – Lapa
0519 Brotas – Faz. Grande do Retiro
0704 Federação – Nazaré
0708 Nordeste – Lapa
0715 Santa Cruz – Lapa
0728 Nordeste – Ribeira
0915 Vale dos Rios / Stiep R4
0102 Barbalho-Iguatemi
0410 Sieiro – Aeroporto
0807 Pituba-França
1051 Est. Mussurunga – Barra 1
1055 Estação Mussurunga- Ribeira/S.Joaquim
1031 Praia do Flamengo – Estação Mussurunga R1
1034 Parq. São Cristóvão – Barroquinha
1053 Estação Mussurunga – Barra 3
0420 Pau Miúdo – Lapa
1062 Estação Mussurunga – Hosp.Central/Cabula
0342 Rodoviária – Circular A
0344 Rodoviária – Circular B
0417 IAPI – Lapa
0131 Lapa – Patamares R1
0132 Lapa – Patamares R2
0713 Santa Cruz – Calçada / Bonfim
0931 Rio das Pedras – Campo Grande R1
0932 Rio das Pedras – Campo Grande R2
1302 VL. 2 de Julho/Trobogy – Lapa

Fonte: G1

Alta no preço da energia elétrica pode limitar recuperação da economia

Os recentes sinais de melhora do ambiente econômico levaram o governo a reavaliar suas projeções de crescimento do PIB para 2018, elevando o crescimento do País de 2,5% para 3%. Mas o setor elétrico pode ser um entrave. A ocorrência de chuvas abaixo da média histórica e a persistente estiagem que atinge a região Nordeste, situação que exige o acionamento constante das usinas térmicas – mais caras -, têm gerado um efeito cascata em toda a indústria, com potencial impacto sobre o ritmo da recuperação.

A cúpula do setor elétrico garante que, mesmo com o crescimento do PIB em 3%, não há risco de desabastecimento de energia no País, tanto por conta do potencial do parque instalado quanto das novas turbinas que entrarão em operação nos próximos meses. O impacto preocupante, portanto, não é operacional, mas financeiro, já que o preço da energia, que costuma ser um dos principais insumos para muitos setores, ameaça a velocidade da retomada estimada pelo governo.

“Dos 62 mil megawatts de energia que o Brasil consome diariamente, cerca de 15% vão para indústrias de pequeno e médio porte. Diferentemente da grande indústria, que tem contratos de aquisição de energia baseados em acordos de longo prazo, essas empresas estão expostas a essas altas repentinas de preço e deverão sofrer com isso”, diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, gestora independente de energia.

Escalada

Os dados do IBGE confirmam a escalada de preços. Entre janeiro e setembro, enquanto a inflação acumula alta de 1,78%, o aumento da conta de luz já acumula alta de 5,8%. Em 2016, o preço da energia deu uma trégua e chegou a cair 10,66%, ante uma inflação de 6,29%, mas ainda assim não conseguiu equalizar os estragos do ano anterior, quando o preço disparou e a conta subiu 51%, ante uma inflação de 10,67%.

O cenário permanece crítico porque, mesmo que as chuvas de dezembro a março registrem um bom volume, não serão suficientes para restabelecer volumes razoáveis de água nos maiores reservatórios do País, como Sobradinho (Bahia), Serra da Mesa (Goiás), Três Marias e Furnas (Minas Gerais). Todos operam hoje com níveis mínimos históricos para essa época do ano.

“Esse impacto do preço da conta de luz é pesado, porque afeta diretamente pequenas e médias indústrias que não estão protegidas por contratos de longo prazo, e ficam expostas a essa situação. E sabemos que, infelizmente, isso vai continuar algum tempo. O que vemos é pressão tarifária nos próximos dois anos, o que puxa a inflação e compromete a competitividade das empresas”, diz Roberto Wagner, especialista em política industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, afirma que as decisões de investimento são avaliadas sob a perspectiva do longo prazo. Ele reconhece que a energia é relevante no processo produtivo, mas pondera que o aumento desse custo é conjuntural. “Estamos enfrentando a seca mais severa da história. Quando isso se reverter, o custo da energia também vai cair”, afirmou.

A política de transparência e de realismo tarifário adotada pelo governo, segundo Sales, tem trazido mais segurança ao investidor. “Essa postura é bem vista, porque mostra coerência. São as surpresas que ameaçam os investimentos”, disse.

Impacto

A indústria eletrointensiva é uma das mais afetadas pelo aumento do custo da energia. O superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, disse que a falta de chuvas não é o único problema. Ele destaca que os subsídios embutidos na conta de luz e as indenizações devidas a transmissoras de energia são itens que encarecem o insumo. “Antes o problema fosse apenas água.” A situação tem levado alguns setores da indústria a cogitar até a possibilidade de vender sua energia e deixar de produzir.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia, Edvaldo Alves de Santana, a reforma do setor elétrico proposta pelo governo é uma forma de lidar com esses problemas. “A questão é que essa reforma é de difícil implementação e terá efeito no longo prazo, enquanto alguns problemas são urgentes e não podem esperar pelo amanhã.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo.

Noticias ao Minuto

Rússia impõe novas restrições à importação da carne brasileira

A autoridade sanitária da Rússia impôs novas restrições às importações de carne brasileira no final de outubro, afetando seis empresas nacionais. As informações são do site de notícias G1.

Segundo a notícia do G1, por ter encontrado substâncias fora dos padrões sanitários adotados, o Serviço Federal de Vigilância Sanitária e Veterinária russo aumentou os controles sanitários para cinco companhias: JBS, Aurora, Frigo Estrela, Frigol e Frigon – Irmãos Gonçalves.

Também foram temporariamente suspensas as importações de carne do frigorífico Mata Boi. A Rússia fará ainda inspeções adicionais nos produtos já embarcados.

A Rússia correspondeu ao quarto maior mercado para a carne brasileira em 2016, tendo comprado cerca de 7,5% do total importado pelo País. Com informações do Estadão Conteúdo.