Mendonça afirma que Moraes distorceu teor de relatórios da PF e pede arquivamento de investigação no STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu o arquivamento da investigação solicitada por Alexandre de Moraes contra sua atuação nos casos relacionados ao Banco Master e aos descontos do INSS. Em manifestação enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Mendonça contestou as acusações e afirmou que relatórios de inteligência da Polícia Federal usados como base do pedido não têm valor probatório.

Moraes havia encaminhado a Fachin, em 3 de setembro, pedido para que Mendonça fosse investigado por possíveis atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Segundo Moraes, haveria irregularidades na condução das investigações, incluindo interferência na atuação policial, tratativas sobre eventual delação e direcionamento de apurações.

Na defesa, Mendonça argumentou que os documentos da PF utilizados para fundamentar as acusações tinham caráter restrito e não poderiam ser usados como prova ou para embasar uma representação. “A instrumentalização da Polícia Federal—através da utilização de documentação que é manifestamente desprovida de qualquer valor probatório— já seria, só por isso, manobra absurda”, afirmou o ministro.

Mendonça também sustentou que o pedido de investigação teria como efeito descredibilizar o trabalho da equipe policial responsável pela operação “Sem Desconto”. A manifestação ocorre após o ministro ter encaminhado à Presidência do STF registros de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que passaram a integrar a disputa entre os dois ministros.

O caso está sob análise da Presidência do STF, e Fachin recebeu manifestações dos dois ministros antes de decidir sobre os próximos passos. A controvérsia envolve a atuação de Mendonça nas investigações do Banco Master e do INSS e os documentos produzidos pela Polícia Federal que foram citados por Moraes no pedido de apuração.