Acordo Mercosul–União Europeia pode ser assinado neste sábado, mas salvaguardas europeias preocupam o Brasil

O governo brasileiro trabalha com a expectativa de assinar, no próximo sábado (20), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, durante a 67ª Cúpula do Mercosul, que será realizada em Foz do Iguaçu (PR). Apesar do avanço nas negociações, o Itamaraty reconhece preocupações com as salvaguardas que vêm sendo discutidas no âmbito europeu e que podem limitar o acesso de produtos sul-americanos ao mercado do bloco.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, essas salvaguardas são defendidas principalmente por países europeus que temem impactos sobre seus setores agropecuários. A França, maior produtora de carne bovina da União Europeia, tem liderado as críticas ao acordo, alegando que os produtos do Mercosul não atenderiam aos padrões ambientais e sanitários exigidos pelo bloco europeu.

Além da possível assinatura do acordo, a cúpula do Mercosul também deve tratar de temas como a ampliação do bloco, com esforços do Brasil para acelerar a entrada da Bolívia como Estado Parte, e o fortalecimento das relações com países da América Central e do Caribe. Reuniões prévias entre ministros da área econômica estão previstas para o dia 19, antecedendo o encontro dos chefes de Estado.

O acordo entre Mercosul e União Europeia é negociado há mais de duas décadas e, caso seja assinado, ainda precisará passar por um longo processo de ratificação nos parlamentos europeus e sul-americanos. A União Europeia reúne cerca de 720 milhões de consumidores e possui um PIB estimado em US$ 22 trilhões, o que torna o acordo estratégico para os países do Mercosul, apesar dos entraves políticos e comerciais que ainda persistem.

Agência News Cariri