União Europeia suspende importação de carnes do Brasil nesta quinta-feira

A União Europeia suspende nesta quinta-feira (3) a importação de carnes, além de tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. A medida foi oficializada pelo bloco em junho e está relacionada a exigências sanitárias sobre o uso de medicamentos antimicrobianos para tratamento e prevenção de infecções em animais ao longo da cadeia produtiva.

Segundo o material divulgado, o Brasil tentou atender às exigências europeias e adotou novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos. Ainda assim, os produtos permanecem proibidos no mercado europeu até que o país consiga comprovar o cumprimento das regras. A Comissão Europeia informou que o prazo para uma eventual retomada varia conforme o ciclo de produção de cada espécie.

A suspensão preocupa exportadores brasileiros, que apontam a dificuldade de substituir automaticamente o mercado europeu por outros destinos. Para o especialista Guilherme França, da consultoria Intrust Associates, a situação reforça a necessidade de diversificação dos mercados. “Quando um exportador depende de poucos mercados, fica mais vulnerável a decisões regulatórias e políticas que estão fora do seu controle”, afirmou.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que acompanha as negociações conduzidas pelo governo e fornece subsídios técnicos para tentar restabelecer as exportações. A entidade considera o mercado europeu estratégico pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados. A suspensão pode representar um prejuízo anual estimado em US$ 1,8 bilhão ao agronegócio brasileiro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também pediu ao Itamaraty e ao presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, medidas para reverter a decisão. A entidade solicitou ainda uma avaliação sobre o uso do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões do acordo entre Mercosul e União Europeia. Segundo a CNA, a medida europeia gera prejuízos às cadeias produtivas brasileiras e compromete o acesso ao mercado do bloco.