Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, nesta quinta-feira (24), para questionar ações do governo de Donald Trump relacionadas ao Brasil. Os congressistas, todos ligados ao Partido Democrata, pedem que os Estados Unidos respeitem o processo eleitoral brasileiro e reconheçam o resultado das urnas, independentemente do candidato eleito.
Na carta, os parlamentares afirmam estar preocupados com o que classificam como uma possível tentativa coordenada da administração Trump de influenciar as eleições presidenciais brasileiras de outubro. Segundo eles, medidas adotadas pelo governo americano nos últimos meses poderiam exercer pressão diplomática, econômica e política sobre o Brasil.
Entre as medidas citadas estão as tarifas impostas a produtos brasileiros, sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas e a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Os congressistas também questionaram a atuação de autoridades americanas em assuntos relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
Os parlamentares também mencionaram a relação do governo Trump com setores ligados à família Bolsonaro e afirmaram que algumas das medidas adotadas por Washington poderiam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Essa interpretação consta na carta enviada a Rubio e representa a posição dos signatários do documento.
O grupo citou ainda episódios envolvendo eleições recentes em outros países da América Latina, como Colômbia e Honduras, para sustentar a preocupação com uma possível ampliação da atuação dos Estados Unidos em processos eleitorais da região. Os congressistas pediram ao secretário de Estado explicações sobre as medidas e solicitaram um compromisso formal de respeito ao resultado das eleições brasileiras.
A carta foi assinada por 30 deputados e pelo senador Bernie Sanders, que é independente, e pede uma resposta do governo americano até 1º de outubro. Até o momento da publicação, o Departamento de Estado dos Estados Unidos não havia apresentado resposta pública ao documento.







