Um terço dos candidatos nas eleições de 2026 declara não ter bens ao TSE

Mais de 6,9 mil candidatos registrados para as eleições de 2026 informaram à Justiça Eleitoral que não possuem bens a declarar. O número representa 33,64% das 20.608 candidaturas disponíveis na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 18 de agosto.

A declaração de patrimônio é obrigatória para o registro de candidatura e pode ser consultada pelos eleitores no sistema DivulgaCand, do TSE. Entre os bens que devem ser informados estão imóveis, veículos, aplicações financeiras, ações e participações em empresas.

A proporção varia conforme o cargo. Entre os candidatos a deputado federal, 32,74% declararam não possuir bens. Na disputa pelas assembleias legislativas, o percentual chega a 35,57%. Já entre os candidatos ao Senado, são 16,19%, enquanto entre os concorrentes aos governos estaduais, 18,88% afirmaram não ter patrimônio a declarar.

Na corrida presidencial, dois dos 13 candidatos que solicitaram registro ao TSE declararam não possuir bens: Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa (PCO). A candidata a vice-presidente pela UP, Raquel Brito, também fez declaração semelhante.

A declaração é uma autodeclaração, ou seja, cabe ao próprio candidato informar seu patrimônio. Os valores registrados não precisam corresponder ao preço atual de mercado dos bens, já que um imóvel, por exemplo, pode ser declarado pelo valor de aquisição.

As informações podem ser retificadas enquanto o registro estiver em análise. Segundo especialistas citados na reportagem, porém, a omissão intencional de patrimônio pode gerar questionamentos na Justiça Eleitoral e até consequências jurídicas.

Os registros das candidaturas de 2026 ainda passam por análise da Justiça Eleitoral, que deverá verificar a documentação e os requisitos legais de cada candidato.