Superintendentes da PF defendem direção-geral em meio a atrito com André Mendonça

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, nesta quinta-feira (6), uma nota conjunta em defesa da atuação da corporação e do diretor-geral Andrei Rodrigues, em meio ao atrito institucional com o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, os dirigentes reafirmam o compromisso da PF com a Constituição, a legalidade, a imparcialidade e o Estado Democrático de Direito.

A manifestação ocorre após divergências envolvendo a condução das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que também citam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro André Mendonça determinou medidas que restringem o acesso do diretor-geral da PF às informações do inquérito e exigiu comunicação prévia sobre alterações na equipe responsável pelas investigações.

Na nota, os superintendentes destacam que a credibilidade da Polícia Federal foi construída ao longo de seus 82 anos de atuação por meio de investigações técnicas e independentes, conduzidas exclusivamente com base em provas e nos mecanismos previstos em lei. O texto reforça ainda que a atividade investigativa da instituição “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”.

A Polícia Federal também defende que a autonomia administrativa e a independência técnica das investigações são essenciais para garantir o cumprimento de sua missão constitucional. Segundo os dirigentes, críticas são naturais em um ambiente democrático, mas alertam que ataques voltados a enfraquecer a credibilidade da corporação comprometem a confiança da sociedade nas instituições públicas.

A crise entre a PF e o gabinete de André Mendonça ganhou força após a corporação recorrer à Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar decisões do ministro relacionadas à condução do inquérito. Para reduzir a tensão institucional, o advogado-geral da União, Jorge Messias, articula uma reunião entre o ministro da Justiça, Wellington César, e o magistrado do STF.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o caso envolvendo o filho e afirmou que qualquer pessoa eventualmente envolvida em irregularidades deverá responder por seus atos. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o governo sustenta que não há indícios de favorecimento de Lulinha dentro da administração federal.