O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, procure o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para tentar reduzir a tensão entre a corporação e o gabinete do magistrado. A reunião deve ocorrer nos próximos dias e terá a mediação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Mendonça é relator de investigações de grande repercussão política, entre elas os casos Master/Dark Horse e INSS/Lulinha. O ambiente entre investigadores e o gabinete do ministro é marcado por desconfianças relacionadas ao ritmo das apurações, à atuação de delegados e a vazamentos de informações.
O caso Dark Horse é um desdobramento das investigações sobre o Banco Master e envolve suspeitas sobre recursos destinados à produção de uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF apura a origem dos valores, possíveis contrapartidas políticas e eventual utilização de recursos em atividades de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação permaneceu sob relatoria de Mendonça após a PGR apontar conexão com o caso Master.
Já as investigações relacionadas ao INSS alcançaram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O caso surgiu a partir dos desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos em benefícios de aposentados e pensionistas. Pelo potencial de impacto político durante o ano eleitoral, a apuração é acompanhada de perto pelo governo.
Nos bastidores, também existem divergências dentro do próprio STF sobre a condução dos inquéritos, especialmente entre Mendonça e Alexandre de Moraes. A tentativa de aproximação entre a PF e o ministro ocorre, portanto, em meio a um cenário de forte sensibilidade política, com diferentes grupos atentos ao andamento das investigações que envolvem figuras ligadas tanto ao governo Lula quanto ao bolsonarismo.








