A Justiça do Ceará autorizou a desinternação do inspetor Antônio Alves Dourado, acusado de matar quatro policiais civis dentro da Delegacia de Camocim, em maio de 2023. A decisão da 1ª Vara da Comarca de Camocim permite que ele deixe o hospital psiquiátrico onde estava internado para continuar o tratamento em regime ambulatorial na cidade de Belém (PA), para onde pretende se mudar.
Segundo a decisão judicial, a medida foi baseada em laudos médicos e avaliações de equipes multiprofissionais que apontaram evolução clínica significativa do paciente, diagnosticado com psicose esquizoafetiva. Os documentos concluíram que ele não necessita mais de internação hospitalar, desde que mantenha acompanhamento médico, uso supervisionado de medicamentos e assistência da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que já confirmou disponibilidade para acompanhá-lo no Pará.
O Ministério Público do Ceará se manifestou contra a desinternação, alegando que a estabilidade do acusado depende da continuidade do tratamento e que ainda haveria risco caso ele interrompa a medicação. No entanto, a Justiça entendeu que a possibilidade de abandono futuro do tratamento não justifica a manutenção da internação, ressaltando que a medida deve permanecer excepcional e compatível com a legislação vigente.
O caso ocorreu em 14 de maio de 2023, quando Antônio Alves Dourado, que estava de folga, entrou armado na Delegacia de Camocim e matou os policiais civis Antônio José Rodrigues Miranda, Antônio Cláudio dos Santos, Francisco dos Santos Pereira e Gabriel de Souza Ferreira. Após o ataque, ele fugiu em um veículo da corporação, abandonou o carro e se entregou em seguida à Polícia Militar. Em 2024, um laudo de insanidade mental concluiu que o inspetor era inimputável, levando à substituição da prisão preventiva por internação psiquiátrica em 2025.







