O governo federal anunciou que vai lançar um novo plano de apoio para empresas brasileiras afetadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. As novas tarifas entram em vigor no próximo dia 22 de julho e devem atingir cerca de 18% do comércio entre os dois países.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 2,4 mil empresas serão diretamente impactadas pela medida, que representa cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras aos EUA. O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo dará prioridade ao suporte aos setores prejudicados, classificando a taxação como “injusta, indevida e ilegal”.
Entre os segmentos que devem receber auxílio estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. O pacote prevê linhas de crédito para capital de giro, investimentos e ações para ampliar mercados e facilitar o escoamento da produção para outros países.
Por outro lado, produtos como carne bovina, café, petróleo, celulose e itens da indústria aeronáutica ficaram de fora da nova cobrança, reduzindo o impacto sobre parte importante das exportações brasileiras. De acordo com o governo, a participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu de 12,1% para 9,4% neste ano, reforçando a estratégia de diversificação dos mercados compradores.
Durante coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo também estuda aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, que permite responder a medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países. Segundo ele, a eventual adoção da lei será analisada “no momento adequado”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a decisão norte-americana e classificou o tarifaço como uma interferência externa indevida. Ele afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não possuem base técnica e garantiu que as medidas de apoio serão suficientes para minimizar os impactos sobre empresas, trabalhadores e a economia brasileira.
Outro ponto rebatido pelo governo foi a alegação de que o sistema de pagamentos Pix teria prejudicado empresas americanas. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o argumento não se sustenta e destacou que, após a implantação do Pix, o mercado de cartões de crédito no Brasil cresceu cerca de 150%, demonstrando que o sistema ampliou, e não reduziu, a atividade econômica no setor.








Deixe um comentário