Quase três décadas após perder a mãe, Bruno Fernandes passou a integrar a assistência de acusação no processo que julga o homem apontado como autor do assassinato de Ivaneide Barbosa Fernandes Silva, morta em 1998, no município de Milhã, no interior do Ceará.
Bruno tinha apenas dois anos quando a mãe, de 24, foi morta a facadas. Durante anos, a família acreditou que o caso havia prescrito. No entanto, ao buscar informações junto ao Ministério Público do Ceará (MPCE), ele descobriu que a ação penal seguia em andamento e que poderia atuar ao lado da acusação no processo.
A decisão de procurar respostas surgiu após a repercussão do feminicídio de Ana Kévile, ocorrido neste ano em Deputado Irapuan Pinheiro. O caso motivou Bruno a investigar o andamento da ação referente à morte da mãe.
O crime aconteceu em 9 de julho de 1998. Segundo as investigações, Ivaneide foi atacada com dois golpes de faca na porta do bar onde trabalhava. O suspeito chegou a ser preso, mas fugiu poucas semanas depois e permaneceu foragido por mais de duas décadas.
O processo voltou a avançar em 2016, quando o Ministério Público solicitou novas diligências para localizar o acusado. Ele foi preso em 2023, em Rondônia, após a descoberta de seu endereço por meio do domicílio eleitoral, mas atualmente responde ao processo em liberdade provisória, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Em junho deste ano, a Justiça aceitou o pedido para que Bruno atuasse como assistente de acusação. Nessa condição, ele poderá colaborar com o Ministério Público durante o julgamento, apresentando questionamentos, indicando testemunhas e acompanhando os atos do processo.
Segundo Bruno, a participação representa a oportunidade de buscar justiça por um crime que marcou sua família há 28 anos. O julgamento do acusado pelo Tribunal do Júri ainda não tem data definida.








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