Mortes com motos crescem 22,6% em 10 anos com avanço de aplicativos

O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, sendo 15.459 envolvendo motocicletas, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em comparação com 2014, o número de mortes com motos aumentou 22,6%, passando de 12.604 para 15.459 casos.

O estudo aponta que a expansão da economia de aplicativos transformou a motocicleta em instrumento de trabalho para milhares de brasileiros, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Em cinco anos, entre 2019 e 2024, os óbitos com motociclistas cresceram 38%.

De acordo com os pesquisadores, fatores como jornadas extensas, pressão por produtividade e ausência de proteção social aumentam a exposição dos entregadores e mototaxistas aos riscos no trânsito. O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, defendeu medidas como redução de velocidade, melhorias na fiscalização e novas regras para o setor.

O levantamento destaca o Piauí como o estado com maior participação de motocicletas em mortes no trânsito, onde 72,7% dos óbitos registrados em 2024 envolveram motos. Nacionalmente, os motociclistas responderam por 41,6% das mortes em vias terrestres.

O Atlas também revelou queda nos homicídios cometidos com armas de fogo. Em 2024, o Brasil registrou 29.870 assassinatos com armas, redução de 31,2% em relação a 2014. Mesmo assim, as armas de fogo ainda foram responsáveis por 70,1% dos homicídios no país, com o Ceará liderando o ranking nacional de participação desse tipo de crime, com 85,6%.


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