Justiça francesa condena Airbus e Air France por tragédia do voo AF447 após 17 anos

A Justiça da França condenou nesta quinta-feira (21) as empresas Airbus e Air France por homicídio culposo no caso do voo AF447, que caiu no Oceano Atlântico em 2009 e matou 228 pessoas. A decisão foi tomada pelo tribunal de apelação francês, encerrando mais um capítulo da longa disputa judicial envolvendo familiares das vítimas e as duas companhias.

O voo partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris na noite de 31 de maio de 2009. A tragédia é considerada o pior desastre aéreo da história da aviação francesa. Entre os mortos estavam passageiros e tripulantes de diversas nacionalidades, principalmente franceses, brasileiros e alemães.

O tribunal determinou o pagamento da multa máxima prevista para homicídio culposo corporativo: 225 mil euros para cada empresa. Apesar de o valor ter sido considerado simbólico pelos familiares das vítimas, associações afirmaram que a condenação representa um reconhecimento oficial das responsabilidades pelo acidente.

As investigações apontaram que o congelamento das sondas Pitot — responsáveis por medir a velocidade da aeronave — provocou falhas nos sistemas do Airbus A330 durante o voo em uma área de forte instabilidade climática próxima à Linha do Equador. Segundo a acusação, a Airbus teria subestimado os riscos relacionados ao equipamento, enquanto a Air France falhou no treinamento adequado dos pilotos para situações semelhantes.

Em 2023, um tribunal de primeira instância havia absolvido as empresas na esfera criminal, apesar de reconhecer responsabilidade civil. Agora, com a reversão da decisão, advogados ainda avaliam recorrer à Corte de Cassação, a mais alta instância judicial da França, o que pode prolongar o caso por mais alguns anos.


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