Há 15 anos, o Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), vem transformando a saúde pública no interior do Estado. Inaugurado em 8 de abril de 2011, em Juazeiro do Norte, o equipamento foi o primeiro hospital de nível terciário da rede estadual implantado fora da capital, e ampliou o acesso a serviços de média e alta complexidade para cerca de 1,5 milhão de pessoas dos 45 municípios da macrorregião do Cariri.
Foi nesse contexto que a técnica de enfermagem Aliciana de Sousa viveu uma experiência que marcou sua trajetória. Profissional do HRC desde o ano da inauguração, ela passou de integrante da equipe da Emergência a paciente da unidade após um grave acidente de moto, em 2018.
Com múltiplas fraturas graves, incluindo os dois braços, perda de parte do fêmur e amputação de dois dedos do pé, Aliciana foi socorrida diretamente para o HRC, referência no atendimento a traumas de média e alta complexidade.
“Quando cheguei no HRC, como eu estava com muita gravidade, muitas fraturas expostas, fui direto para o centro cirúrgico”, conta. Ela permaneceu internada por 23 dias, passando pela UTI e, posteriormente, pela clínica traumato-ortopédica. “No total, foram 15 cirurgias, todas no HRC”, relata.
A diretora de Gestão do Cuidado do HRC, Cléa Roriz, detalha que a unidade conta com diversas especialidades cirúrgicas disponíveis 24 horas por dia, incluindo cirurgia geral, vascular, neurocirurgia, ortopedia e cirurgia bucomaxilofacial.
“Trabalhamos com protocolo de trauma estruturado, com destaque para a ‘onda vermelha’, que prioriza o atendimento de pacientes em choque, garantindo acesso ao centro cirúrgico em até 15 minutos, indicador monitorado regularmente para avaliação da qualidade assistencial”, explica a diretora.
O processo de recuperação de Aliciana se estendeu por anos. “Fiquei afastada do trabalho por sete anos. Não foi fácil”, recorda. Em janeiro de 2026, Aliciana retornou ao trabalho no HRC em um novo setor, no Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt).
“É um sentimento de vitória, de ter vencido tudo o que eu passei. E de muita gratidão. Me faltam palavras para agradecer. Recebi amor, carinho, cuidado, atenção. Meus colegas se organizavam para cuidar de mim. Antes do acidente, eu cuidava dos pacientes que chegavam à nossa unidade. Hoje, eu estou cuidando de quem cuida desses pacientes”, relata emocionada.
Acolhimento que faz a diferença
A agilidade no atendimento também foi determinante na história do aposentado Francisco Niltier, que sofreu um AVC isquêmico em 2019. Desde 2013, o HRC é referência no diagnóstico e tratamento desses casos, em que o tempo é essencial para salvar vidas e reduzir sequelas.
“Eu fiquei sem equilíbrio, eram duas ou três pessoas me segurando, e senti uma dor na nuca”, relata sobre os sintomas que teve no dia do AVC. Ao chegar ao HRC, ele foi rapidamente encaminhado para a assistência especializada. “Fui logo para a triagem e me colocaram na unidade de AVC. Foi muito rápido”, conta.
Consciente durante todo o atendimento, ele observou o trabalho das equipes. “O que mais me marcou foi a rapidez e o cuidado. Eu vi o empenho de toda a equipe, desde o funcionário mais simples até o mais graduado”, destaca.
Devido à assistência adequada, Francisco não ficou com sequelas e segue em acompanhamento com o neurologista. “Depois que tive alta, não senti mais sintoma nenhum. Hoje só tenho gratidão. Quero parabenizar toda a equipe por todo o empenho”, afirma.
Atuação decisiva na pandemia
Durante a pandemia de covid-19, o HRC teve papel fundamental no atendimento aos casos graves na região, reorganizando fluxos e ampliando sua estrutura com a implantação de uma unidade de campanha no estacionamento, com 50 leitos.

Unidade de campanha ampliou capacidade de atendimento do HRC durante pandemia de covid-19
“Sem dúvida, a pandemia de covid-19 foi o período mais desafiador da história do HRC. Chegamos a operar com 143 leitos de UTI completamente ocupados por pacientes em estado grave, exigindo um esforço intenso de toda a equipe assistencial”, destaca Cléa Roriz.
Foi nesse cenário que, em 2021, o empresário Ilo Terceiro Alcântara precisou ser internado. Com 95% do pulmão comprometido, Ilo passou mais de 70 dias em tratamento no HRC, a maior parte do tempo em coma induzido na UTI. Ao relembrar o período, destaca não apenas a gravidade do quadro, mas também gestos de cuidado que marcaram sua recuperação.
Ilo Terceiro Alcântara teve 95% de comprometimento pulmonar causado pela covid-19
“Eu não tenho muitas lembranças da minha internação, já que eu estava em coma induzido na UTI. Mas lembro de um momento na enfermaria em que tive vontade de comer um mousse de limão; a médica Patrícia Mauriz teve esse ato tão singelo, mas tão importante. Ela trouxe o mousse de limão para que eu pudesse degustar. Pra mim ficou essa lembrança muito forte”, ressalta.
Recuperado e sem sequelas, hoje ele leva uma vida normal, mas não esquece a experiência. “Eu digo e reitero sempre: devo a minha vida ao Hospital Regional do Cariri. Foram 72 dias de internação em que eu estive muito grave. Se não fosse a atuação dos profissionais, com certeza eu não estaria aqui”, afirma.
15 anos em números
Com 300 leitos, sendo 50 de UTI, o HRC dispõe de Emergência 24 horas, UTI adulto, Centro Cirúrgico, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Traumato-ortopedia, Unidade de AVC, Unidade de Cuidados Especiais e Ambulatório.
Em 15 anos, HRC já registrou mais de 90 mil internações
Ao longo desses 15 anos, o hospital consolidou seu papel estratégico na regionalização da saúde. Os números refletem essa atuação. De 2011 a 2026, já foram realizados mais de 535 mil atendimentos na emergência, mais de 90 mil internações, mais de 140 mil atendimentos ambulatoriais, mais de 115 mil cirurgias e mais de 8 milhões de exames de imagem e laboratoriais.
Formação e continuidade do cuidado
HRC já formou 160 especialistas em seus programas de Residência
Além da assistência, o HRC também se destaca como polo formador de profissionais de saúde. Desde 2013, o HRC recebe profissionais selecionados pela Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) em seis programas de Residência Médica e três Multiprofissionais, já tendo formado, até hoje, 160 especialistas.
A unidade também atua na continuidade do cuidado. Criado em 2014, o Programa de Atendimento Domiciliar (PAD) possibilita acompanhamento multiprofissional após a alta hospitalar, promovendo assistência humanizada e apoio a pacientes e cuidadores na transição para o domicílio.
Em 2024, o HRC passou a contar com o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), ampliando o acesso à imunização para públicos com condições de saúde específicas.
Qualidade reconhecida
O HRC é reconhecido nacionalmente pela qualidade e segurança da assistência. Desde 2016, possui acreditação com nível máximo de excelência pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).
Em 2025, HRC recebeu o selo UTI Eficiente
Em 2022, esteve entre os melhores hospitais públicos do país, alcançando a 14ª posição em um ranking nacional. Já em 2025, recebeu o selo UTI Eficiente, concedido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e pela Epimed, sendo o único hospital público do Ceará a conquistar a certificação.
A diretora de Gestão do Cuidado do HRC, Cléa Roriz, destaca que o HRC é um equipamento essencial para a saúde pública da região e projeta os próximos passos da unidade. “Para o futuro, a expectativa é a ampliação de tecnologias e terapias cada vez mais modernas e menos invasivas, promovendo recuperação mais rápida e melhor qualidade de vida aos pacientes, além do fortalecimento contínuo da rede regional de saúde”, finaliza.
Fonte: Ascom Ceará/ HRC









Deixe um comentário