A União Europeia deu um passo decisivo nesta terça-feira (6) para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul após a Itália sinalizar apoio ao tratado, abrindo caminho para que a formalização ocorra já nos próximos dias. A mudança de posição italiana é considerada estratégica, sobretudo diante da resistência ainda mantida pela França e da oposição aberta de países como Polônia e Hungria.
A Comissão Europeia conseguiu destravar o impasse ao apresentar uma proposta que prevê a antecipação de até 45 bilhões de euros em apoio aos agricultores europeus, medida que atendeu a uma das principais preocupações do governo italiano. A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”, enquanto o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, destacou que a nova proposta amplia — e não reduz — os recursos destinados ao setor agrícola no período de 2028 a 2034.
Segundo fontes da União Europeia, a Itália deve votar favoravelmente ao acordo em reunião prevista para sexta-feira, o que pode garantir a maioria qualificada necessária para autorizar a assinatura. Para isso, é preciso o apoio de ao menos 15 países que representem 65% da população do bloco. Alemanha e Espanha estão entre os principais defensores do tratado.
Negociado ao longo de 25 anos, o acordo Mercosul–União Europeia é considerado o maior da história do bloco europeu em termos de redução tarifária. A Comissão Europeia avalia que o tratado é essencial para ampliar exportações, reduzir impactos de tarifas impostas pelos Estados Unidos e diminuir a dependência econômica da China, além de garantir acesso a minerais estratégicos.
Apesar do avanço, a França mantém posição crítica. O presidente Emmanuel Macron condiciona o apoio francês à inclusão de novas salvaguardas para proteger os agricultores do país contra a concorrência de produtos do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
Do lado brasileiro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o acordo está “bem encaminhado” e que o governo mantém otimismo quanto à conclusão do tratado. Ele lembrou que, após a assinatura, o texto ainda precisará passar pelos trâmites de aprovação interna no Brasil, incluindo análise e votação no Congresso Nacional, além da ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos 27 países-membros da União Europeia.
A expectativa da Comissão Europeia é de que a assinatura possa ocorrer ainda em janeiro, marcando um avanço histórico nas relações comerciais entre os dois blocos.










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