Europa reage a ameaças dos EUA à Groenlândia e cria plano de defesa; Alemanha eleva tom contra Washington

A Europa passou a se mobilizar diante da escalada de tensões provocada pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de assumir o controle da Groenlândia. Países europeus, liderados por França e Alemanha, trabalham na elaboração de um plano de resposta caso as ameaças se concretizem, incluindo cenários de uso de força militar. A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, que integra a Otan, e a simples hipótese de uma ação americana tem causado forte preocupação no continente.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, confirmou que o tema está sendo tratado em articulação com parceiros europeus, enquanto o governo alemão informou que atua em coordenação direta com a Dinamarca. Declarações conjuntas de países como França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Polônia e Dinamarca reforçaram que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que qualquer decisão sobre o futuro do território cabe exclusivamente aos groenlandeses e ao Estado dinamarquês. Líderes europeus alertam que uma ação unilateral dos EUA poderia até comprometer o futuro da Otan.

A tensão aumentou após os Estados Unidos realizarem uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, reforçando o temor de que Washington esteja disposto a usar força para alcançar objetivos estratégicos. Autoridades europeias afirmam que diplomatas americanos têm sinalizado, de forma reservada, que uma ação contra a Groenlândia é uma possibilidade real. Apesar de declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, sugerirem a tentativa de compra da ilha, a retórica agressiva de Trump mantém o alerta máximo na Europa.

Nesse contexto, a Alemanha elevou significativamente o tom contra os Estados Unidos. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que a política externa americana sob Trump ameaça destruir a ordem internacional construída no pós-guerra. Em discurso contundente, ele comparou as ações recentes dos EUA a um mundo onde “os mais inescrupulosos pegam o que querem”, alertando para o risco de transformar o sistema internacional em um “covil de ladrões”. A fala marca uma deterioração inédita no discurso público entre aliados históricos e evidencia o clima de crescente desconfiança entre Europa e Estados Unidos.

Matheus Moreira/ Agência News Cariri 


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