O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de um número significativo de prisioneiros venezuelanos e estrangeiros detidos no país. Segundo o líder chavista, o processo de soltura já está em andamento e representa um “gesto unilateral” do governo para promover a paz e a convivência pacífica, sem qualquer acordo prévio com setores da oposição.
Rodríguez, que é irmão da presidente interina Delcy Rodríguez — no cargo após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado (3) — afirmou que a decisão partiu das instituições do Estado venezuelano. Em declaração à imprensa, ele agradeceu publicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ao governo do Catar, destacando o papel desses atores no apoio à Venezuela e à autodeterminação do país.
O anúncio ocorre em meio a um cenário de forte tensão política e social. Desde a operação militar norte-americana que capturou Maduro, o governo venezuelano intensificou ações de segurança, com aumento de postos de controle, detenções de jornalistas e interrogatórios nas ruas, segundo relatos de organizações de direitos humanos e da imprensa internacional. Um decreto de estado de emergência está em vigor em todo o país.
Grupos de direitos humanos afirmam que há atualmente centenas de presos políticos na Venezuela. De acordo com a ONG Foro Penal, são ao menos 863 pessoas nessa condição, incluindo estrangeiros. O governo, por sua vez, nega a existência de presos políticos e sustenta que os detidos respondem por crimes comuns. As libertações anunciadas podem representar um gesto de distensão em meio à crise política e internacional enfrentada pelo país.










Deixe um comentário