Quarenta e oito horas após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, Donald Trump ampliou a crise internacional ao ameaçar ou pressionar quatro países da América Latina, sendo estes, Venezuela, Colômbia, México e Cuba e, simultaneamente, voltar a manifestar o desejo de anexar a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
A escalada verbal e política, registrada entre domingo (4) e segunda-feira (5), provocou reações imediatas de governos latino-americanos e europeus, que alertam para o risco de violações do direito internacional.
Linha do tempo da crise
Na madrugada de sábado (3), tropas de operações especiais dos EUA realizaram uma operação militar em Caracas e em outros estados venezuelanos, com bombardeios a bases estratégicas e a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O presidente venezuelano foi levado para Nova York, onde responde a acusações de narcotráfico. Poucas horas depois, o Tribunal Supremo da Venezuela nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina, decisão reconhecida pelas Forças Armadas do país.
No domingo (4), Trump declarou que os Estados Unidos estavam “no comando” da Venezuela e, ainda no mesmo dia, sugeriu que uma nova operação militar contra a Colômbia “soa bem”, atacando diretamente o presidente Gustavo Petro. Também endureceu o discurso contra o México, afirmando que o país é dominado por cartéis de drogas, e indicou que Cuba pode voltar ao centro da política externa americana, com falas duras do secretário de Estado Marco Rubio.
Menos de dois dias após a ofensiva em Caracas, Trump ampliou a crise para fora da América Latina ao afirmar que os EUA “precisam da Groenlândia” por razões estratégicas e de defesa, reacendendo uma antiga controvérsia com a Dinamarca e com o governo local da ilha no Ártico.
Reação dos presidentes latino-americanos
As ameaças provocaram forte reação regional. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou as declarações de Trump como uma “ameaça ilegítima” e fez um pronunciamento pedindo que a população esteja pronta para defender a soberania do país. Ele afirmou que, caso sofra qualquer violência, o povo deve “tomar o poder em cada município” e advertiu as Forças Armadas colombianas a não se submeterem a interesses estrangeiros.
Na Venezuela, autoridades chavistas denunciaram a ação dos EUA como uma “agressão imperial”. A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou a ativação de planos de defesa integral, enquanto o ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu calma e mobilização popular. O procurador-geral Tarek William Saab acusou Washington de provocar mortes de civis e de cometer um “ataque terrorista criminoso”.
O governo do México reagiu com cautela, mas rejeitou a possibilidade de qualquer presença militar estrangeira em seu território, diante das declarações de Trump sobre o envio de tropas americanas para combater cartéis. Já Cuba, citada diretamente por Trump e Rubio, ainda não divulgou resposta oficial, embora analistas avaliem que a ilha pode voltar a ser alvo de sanções e pressão diplomática.
Groenlândia amplia tensão para o cenário global
As declarações sobre a Groenlândia ampliaram a crise para o eixo transatlântico. A Dinamarca afirmou que o território não está à venda e cobrou respeito à integridade territorial do país. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, classificou como “desrespeitosa” qualquer sugestão de anexação e reforçou que o futuro da ilha não será decidido por pressões externas.
Com reuniões de emergência na ONU para discutir a legalidade da captura de Maduro e diante do tom cada vez mais agressivo da Casa Branca, cresce a preocupação internacional. A sequência de ameaças feitas 48 horas após a invasão da Venezuela consolida um dos momentos mais tensos da política externa dos Estados Unidos nos últimos anos, com impactos que se estendem da América Latina ao Ártico.
Matheus Moreira/ Agência News Cariri










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