21 dias de ativismo: Mulheres que romperam o ciclo da violência contam suas experiências

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Mayara tem 22 anos, e uma filha de sete anos. Vivia um relacionamento abusivo que chegou à agressão física. Foi quando a criança presenciou essas cenas de agressão que ela reuniu forças para romper o ciclo da violência. O apoio para isso, ela buscou na Casa da Mulher Brasileira. Foi assim que ela conseguiu mudar sua trajetória.

“Eu passei por muita coisa antes de chegar à Casa da Mulher Brasileira. Sofri todos os tipos de violência e quando percebi que aquilo estava afetando também a minha filha, consegui reunir todas as forças que me restavam e procurei ajuda”, conta. Ela explica que quando chegou à Casa não tinha muitas perspectivas, mas sabia que precisava sair daquela situação.

“Depois que conversei com as psicólogas e assistentes sociais e entendi que estava vivendo diversas opressões e que eu não precisava estar naquele lugar, nem vivendo aquela situação, comecei a perceber que tinha sim uma força interior e que poderia ter uma vida diferente. Descobrir isso foi transformador”, conta Mayara, que concluiu neste período de pandemia os cursos de Marketing, Recepcionista de Hotel e influenciadora digital.

Mayara não é um caso isolado. A ela, somam-se 40.705 mulheres em situação de violência que buscaram ajuda na Casa da Mulher Brasileira, desde sua abertura. A Casa é hoje o principal equipamento de acolhimento e atendimento humanizado à mulher em situação de violência Inspirado em seu funcionamento, o Governo do Ceará está construindo duas Casas da Mulher Cearense, nos municípios de Juazeiro do Norte e Sobral. Uma terceira está prevista pra ser construída em Quixadá.

“Quando a gente chega na Casa já dá para perceber essa diferença no atendimento, que é todo feito por mulheres, além de não precisarmos relatar várias vezes as violências que sofremos. Hoje sei que faço parte de uma rede de mulheres que se protegem e são incentivadoras umas das outras. Me sinto cuidada tanto pelas profissionais que atuam no setor de autonomia econômica, quanto pelas outras mulheres que fizeram cursos comigo e que mantêm contato e se ajudam nessa busca por trabalho e capacitação”, completa Mayara, que está na busca por uma vaga no mercado de trabalho e pensa em futuramente montar seu próprio negócio a partir dos conhecimentos que adquiriu nos cursos.

“Chegamos ao fim dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher e precisamos reforçar diariamente que o Ceará tem um equipamento como a Casa. Que os municípios contam com os Creas, espaços que rotineiramente recebem capacitação para lidar com as violações de direitos, e que as mulheres cearenses não estão sozinhas. Nós somos uma grande rede de atenção e acolhimento”, aponta a secretária da Proteção Social, Socorro França.

A secretária-executiva de Políticas para Mulheres, Denise Aguiar, observa que a violência não é só física, mas também psicológica e isso pode dificultar que a mulher perceba o ciclo em que está inserido. “Muitas das mulheres demoram a perceber a violência nas situações que vivenciam. Essa identificação é o início de um processo de libertação que passa pela compreensão da violência e, sobretudo, da força para transformar a opressão em algo diferente”, ressalta Denise.

Alessandra (30) vivenciou desde muito cedo os abusos da violência psicológica e, por muito tempo, não conseguiu perceber a opressão. “Entrei nessa relação muito jovem e me apeguei a ele para suprir uma carência da figura paterna e materna. Perdi minha mãe muito cedo e ele chegou como um porto seguro. Acabei entrando em uma relação de dependência que só me colocava para baixo”, conta ela, que mesmo com curso superior não conseguia mais trabalhar ou estudar.

“Ele fez com que eu me afastasse dos amigos sem perceber. Lembro de uma ocasião em que comprei dois ingressos para irmos juntos a um evento e ele se recusou a ir. Quando voltei para casa, ele tinha ido embora. Apareceu depois dizendo que se eu realmente gostasse dele, não teria feito aquilo. Parei de sair e entrei em uma depressão profunda”, explica Alessandra, que só depois de chegar à Casa que entendeu que estava vivenciando uma situação de violência psicológica.

A Casa da Mulher Brasileira tem atendimento diário, com 24 horas de funcionamento. O equipamento, coordenado pela SPS, opera em rede, concentrando, em um único lugar, os serviços da Delegacia de Defesa da Mulher, Defensoria Pública, Ministério Público e Juizado Especial, além do atendimento psicossocial dos centros de referência estadual e municipal e da brinquedoteca para as crianças que acompanham suas mães no atendimento.

A Casa fica na R. Tabuleiro do Norte, no bairro Couto Fernandes. Informações: (85) 3108-2996 e (85) 3108-2997.

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