Quantidade de casos confirmados da Covid-19 no Ceará, é equivalente à toda população do Crato

O estado do Ceará tem 131.324 casos confirmados de Coronavírus. Os dados foram atualizados pela secretaria de saúde do estado, e divulgados pela plataforma IntegraSUS, na noite desta quinta-feira (9). Os números correspondem ao total de habitantes da cidade do Crato. Segundo o último senso de 2019 do IBGE, a população do Crato é estimada em cerca de 132 mil habitantes.

O número de óbitos ocasionadas pelo Coronavírus no estado subiu para 6.774. No total já são 104.162 casos recuperados em todo o Ceará.

Já são 332.601 exames realizados para diagnóstico de novos casos. Segundo a plataforma integraSUS, o número de casos sob investigação chegou a 69.298 no estado. A taxa de letalidade da doença no estado caiu para 5,2%.

Juazeiro do Norte ultrapassa 5 mil casos confirmados do novo coronavírus

A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, por meio da Secretaria da Saúde,  confirmou mais quatro óbitos por coronavírus no município nas últimas 24 horas.

Trata-se de um homem, de 80 anos, sem comorbidade; um homem, de 90 anos, sem comorbidade; uma mulher, de 75 anos, sem comorbidade; e um homem, de 68 anos, com doença cardiovascular crônica e diabetes. Os óbitos ocorreram nos dias 15/06, 18/06, 03/07 e 08/07, respectivamente.

Até a tarde desta quinta-feira (09), o Município notificou 16.966 pacientes, dos quais 09 são casos suspeitos que aguardam os resultados dos exames, 11.794 casos descartados e 5.163 casos confirmados. Entre os pacientes confirmados há 77 hospitalizados, 2.695 em isolamento domiciliar, 2.255 que já estão recuperados, e 136 óbitos.

 

Vereadores de Missão Velha entram com pedido de Improbidade Administrativa contra prefeito e secretário de finanças em Missão Velha

Os vereadores de oposição do município de Missão Velha entraram com uma ação na justiça nesta quinta-feira (9), contra o atual prefeito da cidade de Missão Velha, Diego Gondim Feitosa (MDB). Além do prefeito, consta na ação impetrada judicialmente, o atual secretário de administração e finanças do município, Isaque Evangelista Feitosa.

Segundo os vereadores, tanto o prefeito quanto o secretário, teriam cometidos crimes que violam o Código Penal Brasileiro. Na última semana uma série de servidores públicos do município, denunciaram o atual prefeito, pelo não pagamento por parte da prefeitura, de parcelas de empréstimos consignados dos servidores ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, fato que ocasionou o nome de diversos servidores no com o nome no Cerasa e SPC.

Segundo o documento, os valores dos referidos empréstimos consignados vem sendo religiosamente descontados mensalmente da remuneração dos servidores, sem, entretanto, haver o devido repasse as instituições já declinadas, acarretando diversos prejuízos aos servidores.

Participaram da denúncia os vereadores: Antônio Rodrigues Roberto, Edênia Tavares, Santana Sampaio, Eduardo Honorato Paulo, Francisco Rafael Tavares De Luna, George Fechine Tavares, José Rolim Filho E O Vereador Orlando Antônio Pereira. Os vereadores solicitaram ao Ministério Público, que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil apresentem um relatório de servidores do município de Missão Velha que possuem empréstimos consignados de janeiro/2017 aos dias atuais, bem como o extrato de pagamentos dos referidos empréstimos pelo município, para subsidiar ainda mais os fatos e fundamentos alegados.

Na ação, os vereadores solicitam ainda o afastamento imediato do prefeito e do secretário, além de instauração de ação civil para apuração dos fatos denunciados.

Ceramistas do Cariri desmentem fake news sobre suposto excesso de preço

Produtores e revendedores de cerâmica da região do Cariri rebateram acusações, veiculadas em formato de fake news nas redes sociais, sobre suposto aumento excessivo no preço de tijolos durante o período de pandemia da covid-19. O assunto chegou a ser levado à discussão no legislativo de Juazeiro do Norte na sessão da última terça-feira (07), quando o vereador Claudionor Mota (PMN) apresentou requerimento pedindo ação dos órgãos fiscalizadores para coibir a possível prática abusiva. “Antes da pandemia o milheiro de tijolos custava R$ 350  e agora passou pra R$ 580, sem nenhuma explicação”, afirmou o parlamentar, acusando os ceramistas de estarem “se aproveitando” da crise econômica causada pela pandemia.

Após a repercussão da denúncia, a reportagem do NEWS CARIRI visitou ao menos três fábricas de cerâmica na manhã desta quinta-feira (09), em Crato, principal polo ceramista da região, para realizar um levantamento de preços dos tijolos. Nos três estabelecimentos, o valor máximo do milheiro chega a R$ 450,00 incluindo a entrega do material no canteiro de obras. Se a compra for realizada na própria fábrica, o preço cai para R$ 400,00.

Em entrevista à nossa reportagem, os ceramistas admitiram que recentemente houve um pequeno reajuste no preço médio do milheiro de tijolos em virtude de dificuldades logísticas ocasionadas pela estação invernosa que perdurou por meados de Abril e Maio, mas o aumento, segundo contam, está muito abaixo do valor relatado pelo vereador durante a sessão legislativa. “O preço era 300 reais na retirada (empresa) e 350 reais na construção do cliente. A dificuldade de lenha de janeiro a abril no período de inverno, como também a extração mineral, aumentos sucessivos de combustível e insumos, como também a energia. Em todas as empresas a variação hoje do preço é de 400 a 450 reais”, justificaram os empresários.

Os proprietários alertaram que valores acima de R$ 450 não estão de acordo com a prática de mercado da região e devem ser denunciados. “Quem vende acima desse preço (R$450) são os atravessadores. As cerâmicas não podem se responsabilizar por esses abusos. Ao invés de propagar fake news, as pessoas deveriam ter mais responsabilidade e realizar uma pesquisa de preços antes de questionar a idoneidade dos ceramistas da região do Cariri”, contestam os representantes do segmento.

Os empresários também argumentam que as fábricas operam com quadro funcional reduzido em virtude de dezenas de trabalhadores terem sido afastados com suspeita de covid-19. Apesar disso, eles garantem que não há risco de desabastecimento. “Mesmo com a pandemia, a demanda não diminuiu, as obras continuam. Graças a Deus, estamos conseguindo atender todos os pedidos da região”, finalizam.

Mercados públicos de Juazeiro do Norte são desinfectados para diminuir riscos de contaminação

A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, através da Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos (Semasp), segue de forma contínuacom as ações de higienização e esterilização de espaços públicos, todas dentro do cronograma de combate a proliferação do novo coronavírus no município.

O trabalho é realizado pela empresa MXM Soluções Ambientais, responsável pelo serviço de limpeza na municipalidade. A ação acontece diariamente nos Mercado Gonzaga Mota (Pirajá), nas proximidades das agências bancárias e outros locais públicos. Esta semana o trabalho também foi realizado em algumas Unidades Básicas de Saúde e na sede da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho (Sedest).

O serviço é feito tanto manualmente como pelo trator pulverizador. Além destes locais, o trator realiza o serviço de higienização nas ruas de Juazeiro do Norte diariamente e o trabalho já aconteceu em vários bairros.

É de suma importância o apoio da população no cumprimento dos decretos, no isolamento e distanciamento social, utilização obrigatória da máscara e sempre e que possível lavar as mãos com água e sabão, ou utilizar álcool 70%.

Cariri tem 4 das 10 cidades cearense com maior reprodução da covid-19

POR AGÊNCIA NEWS CARIRI

Dados da secretaria de saúde do Ceará apontam que 4 das 10 cidades cearenses com maiores índices de reprodução da Covid-19 estão na Região do Cariri. Altaneira lidera a lista, com coeficiente de 2,87, considerado alto, mesmo a cidade tendo apenas dois casos confirmados da doença. Os municípios de Granjeiro, Tarrafas e Penaforte também aparecem na lista.

O levantamento avalia para quantas pessoas saudáveis cada infectado pode transmitir a doença. O indicador é considerado baixo se estiver entre 0 e 0,5; médio entre 0,5 e 1 e alto acima de 1,1.

Ainda conforme o estudo, Granjeiro é o segundo município do ceará em índice transmissão, com taxa de 2,69. Em seguida, aparece a cidade de Tarrafas, com 2,59. Já Penaforte ocupa a sétima posição, com índice de 2,35.

Sem medidas contra Covid-19 capitais brasileiras teriam mais mortes, aponta estudo da Uece

Em Fortaleza, mais de 1.500 vidas foram preservadas, de acordo com a análise

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) publicou, no último dia 26 de junho, na Revista Latino-Americana de Enfermagem, o estudo “Estimação e predição dos casos de Covid-19 nas metrópoles brasileiras”. Foi o primeiro estudo “preditivo” no Brasil, com o objetivo de estimar a taxa de transmissão, o pico epidemiológico e óbitos pelo novo coronavírus no país.

O estudo confirmou a rápida disseminação do vírus e sua alta mortalidade, mostrando que, sem as medidas de prevenção e combate à Covid-19 tomadas por Prefeituras e Governos, os números de infectados e mortos seriam ainda maiores.

Para a análise, foram selecionadas as capitais até então com o maior número de casos da infecção – Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, do Sudeste; Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, do Sul; Manaus, da região Norte; Salvador e Fortaleza, do Nordeste; onde foi aplicado um modelo matemático e epidemiológico para os casos suscetíveis, infectados e recuperados.

Dessa forma, os pesquisadores estimaram o número de casos no 80º dia em cada uma dessas capitais por meio de equações diferenciais. Os resultados foram colocados em logaritmos e comparados com os números reais.

Na capital cearense, foram previstos no estudo mais de 400 mil casos da doença e 4.149 óbitos por Covid-19 até o 80º dia da curva de transmissão, se não tivessem sido aplicadas as medidas de prevenção e combate ao coronavírus. Com adoção de medidas, os números reais foram de 27.905 casos e cerca de 2.500 óbitos.

Predição dos resultados do novo coronavírus:

De acordo com a pesquisadora, enfermeira e coordenadora do Grupo de Trabalho para enfrentamento à pandemia do coronavírus na Uece, professora Lúcia Duarte, “Fortaleza estava colocada entre as principais cidades em número de casos logo nas primeiras semanas da pandemia no Brasil; e o estudo mostrou que a capital cearense tinha a maior taxa de transmissibilidade naquele período, portanto, as medidas de isolamento se faziam necessárias com mais rigor e mais precoces”.

A docente destacou ainda que, além de Fortaleza, Manaus foi outra metrópole com taxa transmissibilidade mais elevada, possivelmente com a contribuição do turismo. “Essas metrópoles têm também em comum um grande fluxo de turistas, pois são destinos internacionais; tanto Fortaleza como Manaus tiveram seus números relacionados à ocupação quase que total de leitos de UTI por Covid-19, naquele período”, ressalta Lúcia.

A também pesquisadora no estudo, enfermeira e membro do GT da Uece, professora Thereza Magalhães, fala sobre a importância do estudo. “A maioria dos estudos brasileiros já publicados sobre os casos de Covid-19 em nosso país até o momento são relatos de experiência, revisões narrativas, mas nenhum ‘estudo preditivo’”.

E explica a análise. “Os dados foram extraídos de relatórios epidemiológicos diários desde o primeiro dia em que casos da doença foram confirmados. Então, o momento representado pelos dados do nosso estudo marca o momento inicial da pandemia em algumas das principais capitais brasileiras. Seria uma espécie de marco zero, portanto, bastante fiel do retrato que tínhamos do país em um primeiro cenário, o que é sempre mais fiel que os dados que vêm depois, que comumente sofrem interveniência de mais variáveis. Esse artigo será para sempre relevante para a ciência cearense, brasileira e até mesmo mundial, sem falsa modéstia, por ser no caso do Ceará o primeiro a representar este marco zero em nosso Estado, assim como também em nosso país, e mundialmente por mostrar tão rápido quanto viável em ciência os dados da pandemia em um país de clima quente, inclusive, pela expectativa que se tinha sobre o comportamento do vírus no clima tropical, o que não foi uma variável do estudo, mas, pelos dados encontrados, viu-se que o comportamento observado do vírus aqui não foi diferente do observado nos países frios”, destaca a pesquisadora.

Desta forma, o estudo confirma a importância do isolamento social e das demais medidas de prevenção e combate ao coronavírus. Agora, com mais de 100 dias após a confirmação dos primeiros casos nas capitais analisadas, e com a flexibilização do isolamento, é ainda muito importante a continuidade dos cuidados por parte de toda a população. “A previsão inicial é de casos até o final de setembro, mas, como já passamos do pico de casos e de óbitos pela doença, estamos reabrindo a economia de Fortaleza. Assim, para não termos uma terceira onda, o principal é sair o mínimo possível, manter mínimo de um metro e meio de distância das outras pessoas, usar máscara que realmente proteja contra aerossóis, proteger os olhos e não esquecer de lavar sempre as mãos”, reforça Thereza.

O estudo contou também com mais quatro pesquisadores, todos enfermeiros cearenses – Raquel Florêncio, George Sousa, Thiago Garces e Virna Cestari.

Polícia Civil prende um dos homens mais procurados do Ceará em Teresina (PI) e deflagra operação em Caucaia

Um dos homens mais procurados do Ceará foi preso, nesta terça-feira (7), durante uma ação deflagrada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP). Francisco Cilas de Moura Araújo (44), o “Mago”, foi capturado em Teresina no Piauí. Ele foi localizado após diligências da delegacia especializada cearense, que o localizaram em um apartamento situado no bairro Uruguai. O suspeito foi recambiado ao Ceará.

Integrando a mesma operação, a PCCE prendeu seis suspeitos do mesmo grupo, após o cumprimento de mandados de prisão em Caucaia, na manhã desta quarta-feira (8). A ofensiva contou com um efetivo composto por 80 policiais civis e teve o apoio da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Cilas era investigado por chefiar uma organização criminosa em Caucaia. O “Mago”, como é conhecido, é apontado ainda como o mandante de diversos homicídios no município que integra a Região Metropolitana de Fortaleza.

Além de fazer parte da lista dos mais procurados da SSPDS, Cilas possui mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas, associação para o tráfico, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo. Além das pendências na Justiça, ele já responde por dez inquéritos policiais, sendo sete homicídios, um por porte, por posse ilegal de arma de fogo e por furto.

A ação em Caucaia contou ainda com o apoio dos departamentos Técnico Operacional (DTO), de Polícia Judiciária Especializada (DPJE), de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV), de Polícia Judiciária da Capital (DPJC) e de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da PCCE.

Coronavírus em esgoto de 5 países antes de surto na China aumenta mistério sobre origem do vírus

Pesquisadores de pelo menos 5 países, entre eles Espanha e Brasil, apontaram presença de Sars-Cov-2 em amostras de esgoto coletadas antes de 1º caso oficial em Wuhan.

Pesquisadores de pelo menos cinco países, incluindo o Brasil, apontaram a presença do novo coronavírus em amostras de esgoto coletadas semanas ou meses antes do primeiro caso registrado oficialmente na cidade chinesa de Wuhan, epicentro da pandemia de Covid-19.

Mas o que essas descobertas de vírus nas fezes mudam sobre o que sabemos do vírus Sars-CoV-2?

Cientistas indicam três eixos principais:

Em relação ao terceiro ponto, o estudo que mais chamou a atenção foi liderado por pesquisadores da Universidade de Barcelona. Segundo eles, havia presença do novo coronavírus em amostras congeladas — coletadas na Espanha — de 15 de janeiro de 2020 (41 dias antes da primeira notificação oficial no país) e de 12 de março de 2019 (nove meses antes do primeiro caso reportado na China).

Mas como um vírus com potencial pandêmico poderia ter circulado sem chamar a atenção ou criar uma explosão de casos, como ocorreu em Wuhan? Especialistas citam ao menos cinco hipóteses.

Uma, é que pacientes podem ter recebido diagnósticos errados ou incompletos de doenças respiratórias, algo que teria contribuído para o espalhamento inicial da doença. Outra é que o vírus não tenha se espalhado com força a ponto de originar um surto.

Há também duas possibilidades de problemas na análise: uma eventual contaminação da amostra ou um resultado falso positivo, por causa da similaridade genética com outros vírus respiratórios ou de falhas no kit de teste.

Por fim, há quem fale em um vírus à espera de ativação. Tom Jefferson, epidemiologista ligado ao Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford, afirmou ao veículo britânico “The Telegraph” que há um número crescente de evidências que apontam que o Sars-CoV-2 estava espalhado pelo mundo antes de emergir na Ásia. “Talvez estejamos vendo um vírus dormente que foi ativado por condições ambientais.”

Para o virologista Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, é preciso aguardar mais estudos sobre o tema antes de tirar qualquer conclusão sobre a incidência do vírus meses antes da origem conhecida da pandemia, em dezembro.

“Todos estes resultados têm de ser avaliados com cautela. A própria característica do Sars-CoV-2 de induzir casos de bastante gravidade e letalidade relativamente alta na população torna improvável que este vírus circule em uma região sem evidência de casos clínicos.”

O que afirma a pesquisa liderada pela UFSC?

A equipe liderada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) analisou seis amostras de 200 ml de esgoto bruto congelado, coletadas em Florianópolis de 30 de outubro de 2019 a 4 de março de 2020.

No artigo, que ainda não foi analisado por revisores acadêmicos, os pesquisadores afirmam que a presença do vírus foi detectada a partir de 27 de novembro. Naquela amostra havia, segundo eles, 100 mil cópias de genoma do vírus por litro de esgoto, um décimo da identificada na amostra de 4 de março. Santa Catarina registraria oficialmente os dois primeiros casos em 12 de março, em Florianópolis.

Segundo os pesquisadores, o vírus foi identificado nas amostras de esgoto por meio do teste RT-PCR, capaz de detectar a presença do Sars-CoV-2 a partir de 24 horas após a contaminação do paciente. Esse teste, cuja sigla significa transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase, basicamente transforma o RNA (material genético) do vírus em DNA para identificar sua presença ou não na amostra examinada.

“Isso demonstra que o Sars-CoV-2 circulava na comunidade meses antes de o primeiro caso ser reportado” no continente americano, escrevem os autores do artigo.

A bióloga Gislaine Fongaro, líder da pesquisa e professora do departamento de microbiologia, imunologia e parasitologia da UFSC, afirmou que os primeiros resultados despertaram ceticismo na equipe. Por isso, acionaram outros departamentos da universidade a fim de rechecarem e repetirem todos os testes com diversos marcadores virais (para evitar que outros vírus parecidos confundissem a detecção, por exemplo).

Segundo ela, a presença do vírus meses antes do registro oficial pode ser explicada, por exemplo, pelo fato de que as pessoas podem ou não ter ficado doentes ou atribuído os sintomas a outras doenças. Mas, de acordo com Fongaro, apenas estudos futuros podem explicar como o vírus foi parar no esgoto de Florianópolis em novembro.

Um sequenciamento genético do vírus encontrado no esgoto poderia, por exemplo, ser comparado ao outros sequenciamentos feitos ao redor do mundo a fim de estimar a data de origem precisa do Sars-CoV-2 encontrado.

Quando a pandemia de fato começou?

A cronologia oficial da pandemia de Covid-19 tem mudado ao longo do tempo porque ainda há muito a ser descoberto sobre a doença, o modo como ela se espalha e, principalmente, sua origem. Não está claro ainda como e quando o vírus Sars-CoV-2 passou a infectar a espécie humana.

Há consenso entre cientistas de que o primeiro surto ocorreu em um mercado de Wuhan que vendia animais selvagens vivos e mortos. Mas pesquisadores não sabem se o vírus surgiu ali ou “se aproveitou” da aglomeração para se espalhar de uma pessoa para outra. “Se você me pergunta qual é a maior possibilidade, digo que o vírus veio de mercados que vendem animais selvagens”, afirmou Yuen Kwok-yung, microbiologista da Universidade de Hong Kong, à BBC.

As lacunas persistem. Os primeiros casos de Covid-19 foram reportados oficialmente no fim de dezembro, mas um estudo de médicos de Wuhan, publicado em janeiro pela revista médica “The Lancet”, descobriu posteriormente que o primeiro caso conhecido de Covid-19 em um humano havia ocorrido semanas antes. Trata-se de um idoso de Wuhan que não tinha nenhum vínculo com o mercado público.

A cronologia da pandemia no Brasil também pode mudar. O primeiro diagnóstico oficial no país ocorreu em 26 de fevereiro, um empresário de 61 anos de São Paulo que retornava de uma viagem à Itália, onde começava a surgir uma explosão de casos.

Mas análises feitas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam ao menos um caso de Sars-Cov-2 no Brasil um mês antes, entre 19 e 25 de janeiro. O vírus também teria circulado entre os habitantes do país um mês antes do que o governo federal estimava, segundo a instituição.

Para chegar a essas conclusões, a Fiocruz se baseou em dois pontos, principalmente. A análise retroativa de amostras coletadas de pacientes em meses anteriores e a comparação do número de pessoas com doenças respiratórias sem causa aparente em 2020 com anos anteriores.

Como então sanar essas lacunas? Há quem defenda investigações à moda antiga. “Esses surtos precisam ser investigados adequadamente com as pessoas in loco, um a um. Você precisa fazer o que John Snow fez. Você questiona as pessoas e começa a construir hipóteses que se encaixam nos fatos, e não o contrário”, defendeu o epidemiologista Tom Jefferson, ligado à Universidade de Oxford, em entrevista ao “Telegraph”.

O médico John Snow (1813-58) é considerado um dos fundadores da epidemiologia moderna ao sair a campo para investigar um surto de cólera em Londres em 1854 — a doença havia matado dezenas de milhares de pessoas na cidade nas duas décadas anteriores.

Ele não aceitava a teoria mais difundida à época, de que o contágio se dava pelo “ar podre e viciado”. Em sua célebre análise de dados, Snow entrevistou moradores, mapeou caso a caso de modo pioneiro e identificou que a causa do surto era na verdade uma fonte pública de água contaminada por dejetos. A descoberta gerou uma revolução nas investigações de espalhamento de doenças.

É possível haver contágio de Sars-CoV-2 por meio do esgoto?

A presença do novo coronavírus nas fezes levanta a possibilidade de contágio por meio do esgoto. Em 2003, durante a pandemia de outro vírus Sars-CoV, a infecção de centenas de moradores em um mesmo prédio de Hong Kong foi atribuída a vazamentos na tubulação de esgoto.

Na pandemia atual, ainda não há evidências de que isso tenha ocorrido ou de que o Sars-CoV-2 esteja viável para transmissão após ser excretado nas fezes. Tampouco há recomendações oficiais para usar água sanitária a fim de conter o contágio via esgoto, conforme tem circulado em grupos de WhatsApp. A contaminação ocorre basicamente por via respiratória.

Estudos apontam que o sistema de tratamento do esgoto é capaz de eliminar a presença do vírus, mas a precária situação sanitária de países como o Brasil pode levar ao despejo de uma enorme carga viral em rios sem tratamento adequado. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2018, apenas 46% do esgoto gerado no país são tratados. A falta de saneamento no Brasil gera mais de 300 mil internações hospitalares por ano, mas ainda não é possível afirmar que a presença de coronavírus no esgoto represente um risco à saúde da população.

O Sars-CoV-2 pode aparecer nas fezes de até metade dos pacientes de covid-19, entre eles, os que tiveram diarreia, sintoma reportado por 1 a cada 5 pacientes. Alguns estudos apontam que, em geral, o vírus aparece nas fezes cerca de uma semana depois dos sintomas e pode permanecer por mais cinco semanas após a recuperação.

Segundo pesquisadores, o método de monitorar a presença do vírus na rede de esgoto de uma cidade pode alertar a existência de um surto de sete a dez dias antes do registro oficial. Um dos pontos positivos dessa abordagem é monitorar também pacientes sem sintomas ou que não foram testados.

Em Belo Horizonte, por exemplo, um projeto-piloto da Agência Nacional de Águas (ANA) analisa amostras de esgoto e aponta que o número de infectados pode ser 20 vezes maior que o de casos confirmados oficialmente.

O que dá mais para analisar no esgoto? Drogas, disparidade social e remédios

A carreira de “epidemiologista de águas residuais”, que se disseminou nas últimas duas décadas ao redor do mundo, está em expansão nos últimos anos.

Uma das principais funções desse profissional é descobrir, por exemplo, como o nível do uso de drogas ilegais calculado em abordagens tradicionais, como questionários, pode ser comparado com as evidências mais diretas encontradas nos sistemas de esgoto. E assim apontar subnotificações, entre outras informações.

A técnica não mira indivíduos, mas informações sobre localidades, o que poderia alertar autoridades sobre a eficiência de campanhas e serviços de saúde pública em uma determinada região, bem como se estão empregando os recursos policiais adequadamente.

Além do consumo de drogas, essa análise de partículas em esgotos pode servir para análise de hábitos ligados a alimentos e remédios.

Um laboratório da Universidade de Queensland, na Austrália, por exemplo, realizou coletas em estações de tratamento de esgoto de todo o país a fim de analisar hábitos alimentares e de consumo de medicamentos de diferentes comunidades.

E o resultado? Em linhas gerais, os pesquisadores descobriram que, quanto mais rica a comunidade, mais saudável é sua dieta. Nos estratos socioeconômicos mais altos, o consumo de fibras, cítricos e cafeína era maior. Nos mais baixos, medicamentos prescritos apresentaram uso significativo.

Por outro lado, o uso de antibióticos é distribuído de maneira bastante uniforme entre diferentes grupos socioeconômicos, indicando que o sistema de saúde subsidiado pelo governo está fazendo seu trabalho.

Fonte: G1 / Bem Estar