Açudes do CE ganham 135,8 mi de m³ em 2017, mas volume ainda é baixo

Em dois meses, as chuvas que banharam o Ceará proporcionaram aporte de 135,8 milhões de m³ de água nos reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Em cinco anos – e ainda faltando três meses para o fim da quadra chuvosa –  o volume de água superou o acréscimo verificado no mesmo período de 2012 (0,92 bilhão de m³), 2013 (0,95  bilhão de m³), 2014 (1,16  bilhão de m³), 2015 (0,75  bilhão de m³) e 2016 (0,77 bilhão de m³). Apenas no mês de fevereiro, os açudes cearenses tiveram aporte de 0,12  bilhão de m³.

Nesta terça-feira (28), foram registradas chuvas em 115 postos pluviométricos monitorados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), sendo as maiores chuvas registradas em Granja (55 mm), Mombaça  (54,5 mm); Viçosa do Ceará (53 mm); Camocim (50,1 mm) e Crato (49 mm).  Em Fortaleza choveu 29,7 mm.

Estação chuvosa
O período de chuvas, no Ceará, pode ser dividido em três fases – pré-estação, estação e pós-estação –, que se estendem de dezembro a meados de junho. As chuvas que ocorrem em dezembro e janeiro, chamadas de chuvas de pré-estação, são causadas basicamente por frentes frias que vem do Sul, o que acabam afetando a atmosfera do Nordeste.

O segundo momento das chuvas é aquele que vai mais ou menos de fevereiro a maio. Essa estação de chuva é causada por um sistema chamado de Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). É o sistema meteorológico mais importante na determinação de quanto as chuvas serão abundantes ou deficientes no Norte do Nordeste do Brasil.

Açudes
Os 153 açudes monitorados pela Cogerh, distribuídos em 12 bacias hidrográficas, cuja capacidade total é de 18,64 bilhões de m³, apresentam volume de 1,21 bilhão de m³, o que representa 6,51% da capacidade total de armazenamento.  Ainda assim, o estado permanece com 51 reservatórios em volume morto e 32 completamente secos. Outros 134 açudes cearense estão com volume abaixo de 30%. No Ceará, apenas o açude Caldeirão, no município de Saboeiro, atingiu a capacidade máxima de armazenamento.

Açude Castanhão está com menor nível desde que foi inaugurado (Foto: DNCS/Divulgação)Açude Castanhão está com menor nível desde que foi inaugurado (Foto: DNOCS/Divulgação)

O “gigante” Castanhão, responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, está com apenas 5,14% da capacidade de abastecimento. Por outro, o Castanhão é o açude que vem recebendo maior aporte de água, dentre todos os reservatórios monitorados pela Cogerh. Em 2017, o Castanhão teve aporte de 22 milhões de  m³. Nos últimos sete dias, o aporte foi de 8,5 milhões de  m³ e, apenas nesta terça-feira, a recarga foi de 1,62 milhões de  m³.

Além de Fortaleza, outros 25 municípios são abastecidos pelo Castanhão. Bem perto dele, o Açude Orós,  está com 17,13%. Para garantir o abastecimento de água em Fortaleza e Região Metropolitana, desde julho as águas do Orós estão sendo transferidas para o Castanhão.

Atualmente, o volume de água das bacias está distribuído: Litoral (28,26%), Alto Jaguaribe (10,68%), Coreaú (30,42%), Metropolitanas (9,80%), Serra da Ibiapaba (12,67%), Médio Jaguaribe (4,72%), Salgado (9,96%), Acaraú (7,83%), Banabuiú (2,03%), Sertões de Crateús (1,63%), Curu (1,54%) e Baixo Jaguaribe (0,00%).  Houve aumento do volume nas bacias do Litoral, Coreaú, Metropolitanas, Médio Jaguaribe, Salgado, Acaraú e Banabuiú.

Foram registrados aportes em 39 açudes, destacando-se os açudes Acarape do Meio, Angicos, Aracoiaba, Araras, Banabuiú, Castanhão, Edson Queiroz e Pedras Brancas. Este aporte permitiu que o açude Santo Antônio de Aracatiaçu deixasse o volume morto e que os açudes Barra Velha, Santa Maria de Aracatiaçu, São José I, Sousa e Tijuquinha deixassem de estarem secos.

Açudes em volume Morto
Amanary, Barra Velha, Batente, Broco, Capitão Mor, Castro, Catucinzenta, Cipoada, Escuridão, Farias de Sousa, Figueiredo, Flor do Campo, Fogareiro, Forquilha, Frios, Gerardo Atimbone, Jaburu II, Jatobá, Jatobá II, Jenipapeiro II, João Luís, Junco, Macacos, Malcozinhado, Mons. Tabosa, Parambu, Patu, Pentecoste, Pesqueiro, Poço da Pedra, Poço do Barro, Pompeu Sobrinho, Premuoca, Quincoé, Quixabinha, Riacho da Serra, Riacho do Sangue, Rivaldo de Carvalho, Santa Maria, Santa Maria de Aracatiaçu, São Domingos II, São José I, São José II, São José III, Sitios Novos, Sousa, Sucesso, Tejuçuoca, Tigre, Várzea da Volta e Várzea do Boi.

Açudes secos
Adauto Bezerra, Barragem do Batalhão, Bonito, Canafístula, Carão, Carmina, Carnaubal, Cedro, Desterro, Ema, Faé, Favelas, Forquilha II, Jenipapeiro, Jerimum, Madeiro, Monte Belo, Nova Floresta, Pau Preto, Penedo, Pirabibu, Potiretama, Quixeramobim, Salão, Santo Antônio, Santo Antônio de Russas, São Domingos, São Mateus, Serafim Dias, Trapiá II, Umari e Vieirão.

Açude do Cedro é reflexo dos cinco anos consecutivos de estiagem no Ceará (Foto: Caio Brito/Arquivo Pessoal)Completamente seco, açude do Cedro é reflexo dos cinco anos consecutivos de estiagem no Ceará (Foto: Caio Brito/Arquivo Pessoal)
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