PSOL sobe a Serra de São Pedro e realiza seminário em Caririaçu

Por Jornalista Ronuery Rodrigues 

Um encontro político movimentou Caririaçu na tarde do último sábado, 12/05, durante o Seminário “Caminhos da Democracia em Tempos de Crise”. O seminário contou com a presença do Deputado Estadual Renato Roseno (PSOL/CE).

O evento que aconteceu no auditório professora Maria Gercina, sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, e reuniu pessoas das mais diversas profissões: professores, sindicalistas, artistas, estudantes, servidores públicos e a juventude local.

Para o professor Isac Araújo, que é filiado ao partido, o encontro tem por principal objetivo, discutir política com equidade, seriedade e de maneira permanente no município – Quando se debate por uma causa, e existem pessoas com coerência e história acompanhando, nós ficamos alentados,” pontuou.

Durante o encontro, o deputado estadual Renato Roseno destacou suas viagens ao interior do estado,em que busca apresentar o partido dialogando com os filiados. O parlamentar chamou atenção para resistência que a base social tem obrigação de praticar nesse período de crise. Para Roseno, o que identifica a esquerda é reconhecer a crise ambiental, política e econômica, e principalmente lutar para superá-la.

Participou do encontro o funcionário público, Francisco Sousa, que avaliou o evento como um diálogo de ideologias semelhantes – “Muito positivo, é o ânimo necessário que as pessoas de Caririaçu que têm ideologia semelhante à dele [RENATO ROSENO], precisavam pra continuar na resistência e na luta por futuro mais auspicioso”, disse.

DISPUTA MUNICIPAL

De acordo com o professor Isac Araújo, a discussão do PSOL, é muito mais além da disputa de cargos eletivos. Contudo o partido tem interesse em lançar alternativas ao modelo posto em Caririaçu. – “Dependendo do momento e da conjuntura a ideia é apresentar alternativas que estejam à altura dos quadros que estão se desenvolvendo agora, e que querem discutir política séria”, destaca.

Ônibus pega fogo em avenida perto do Sítio Histórico de Olinda

Um ônibus pegou fogo no início da manhã deste domingo (13), em Olinda, no Grande Recife. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o incêndio começou no motor do veículo, que ficou totalmente destruído. Sete pessoas estavam no coletivo, sendo cinco passageiros, o motorista e o cobrador, mas ninguém ficou ferido.

O incêndio ocorreu por volta das 6h50, na Avenida Santos Dumont, no bairro do Varadouro, perto do Sítio Histórico de Olinda. De acordo com os bombeiros, o motorista percebeu o início do fogo e mandou todo mundo descer. Ele ainda tentou jogar água, mas as chamas de alastraram rapidamente.

O cobrador perdeu a renda das viagens e documentos. O coletivo pertencia à Empresa Cidade Alta e fazia a linha Rio Doce/Princesa Isabel. Os bombeiros e a Guarda Municipal isolaram a área.

Os bombeiros mobilizaram duas viaturas para combater as chamas e utilizaram cinco mil litros de água. O ônibus destruído foi removido da via pública por volta das 9h50.

Coletivo da Empresa Cidade Alta ficou destruído depois de pegar fogo em Olinda, neste domingo (13) (Foto: Augusto Cesar/TV Globo)

Coletivo da Empresa Cidade Alta ficou destruído depois de pegar fogo em Olinda, neste domingo (13) (Foto: Augusto Cesar/TV Globo)

 Fonte: G1 nordeste

‘O orgulho supera a saudade’: mães passam o dia delas longe de filhas que estão no exterior

Tradicionalmente, o Dia das Mães é uma data que reúne as pessoas para celebrar a família. Seja por meio de presentes, refeições elaboradas ou mesmo um carinho, esse dia tem o poder de intensificar os laços, mesmo quando a distância física impede um abraço apertado. Neste domingo (13), o G1 traz histórias de duas mães que, em meio à saudade causada pela distância das filhas que estão fora do Brasil, sentem a felicidade e o orgulho com as conquistas delas.

Aos 38 anos, a dona de casa Daniela Tenório jamais pensou que pudesse dar à filha Maria Júlia, de 17 anos, a oportunidade de viajar para aprender uma nova língua e vivenciar novas culturas. Mas isso se tornou realidade quando a mais velha foi aprovada para passar pouco mais de três meses na cidade de Wellington, na Nova Zelândia, pelo Programa Ganhe o Mundo, iniciativa do governo de Pernambuco que leva estudantes de escola pública para aprender outras línguas no exterior.

Pela primeira vez desde que se tornou mãe, aos 19 anos, ela passa o Dia das Mães longe de Maria Júlia, sua maior companheira. A jovem estuda na Escola Estadual de Referência em Ensino Médio Adelaide Pessoa Câmara, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, mesmo bairro em que mora a família.

Maria Júlia, filha mais velha de Daniela, viajou para a Nova Zelândia pelo Programa Ganhe o Mundo (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Maria Júlia, filha mais velha de Daniela, viajou para a Nova Zelândia pelo Programa Ganhe o Mundo (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

“No Dia das Mães, costumamos juntar a família inteira e ir à casa da minha mãe. Essa é a primeira vez que passamos separadas. Por ela ser muito caseira e apegada à irmã, eu sinto a saudade ainda mais. Somos muito amigas, ela me apoia em tudo. Só fui me conformando quando vi que ela começava a gostar das coisas lá, me mostrava as notas boas e os elogios que recebia da escola. Foi quando o orgulho superou a saudade”, diz Daniela, também mãe de Isadora Lis, de um ano.

Maria Júlia completou 17 anos no dia em que viajou para a Nova Zelândia, em 28 de janeiro deste ano. Por causa da hora do embarque, às 7h, a família quase não teve tempo de comemorar, junta, a nova idade da estudante. Apesar disso, segundo Daniela, a tradição familiar não foi quebrada, mesmo no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre, na Imbiribeira, na Zona Sul do Recife.

“Fizemos uma torta e levamos a festa ao aeroporto. Teve parabéns coletivo e eu, claro, me acabando de chorar. Estava grávida quando soube que ela ia viajar e passei três dias em prantos. Por um ano ela se preparou e eu segurei o choro, mas, quando vi que era real, não consegui mais. Quando cheguei em casa, meu marido pôs a música ‘Trem Bala’ para tocar e foi a vez de ele se acabar no choro. Eu tenho que ser forte por ele, mas chorode saudade às escondidas ”, brincou.

Maria Júlia vai passar o Dia das Mães em intercâmbio, longe da mãe, Daniela (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Maria Júlia vai passar o Dia das Mães em intercâmbio, longe da mãe, Daniela (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Literalmente do outro lado do mundo, na Nova Zelândia, Maria Júlia mora com uma “mãe” e “irmã” anfitriãs, mas também chegou a dividir a casa com outras duas intercambistas. Como presente atrasado de Dia das Mães, Daniela recebe a filha no Recife na quarta-feira (16), quando está previsto o desembarque da turma com a qual a jovem viajou.

“Nos falamos pouco em vídeo, porque a orientação é de que ela fique imersa na língua inglesa. Para ajudar na saudade, criei um grupo no WhatsApp com todo mundo da família e alguns amigos dela. E assim, todo dia, ela tem atualizações sobre nós. Somos uma família humilde e, se fosse por nós, ela jamais teria essa oportunidade. Mãe é mãe até a distância, dando bronca quando vejo que ela está saindo demais e aconselhando, mas o que importa é ver que ela está feliz”, ressalta.

Situação parecida vive a assistente contábil Aldinete Nascimento, de 48 anos, que passa, neste ano, o segundo Dia das Mães longe de uma das filhas, a administradora Bianca Nascimento. Em outubro de 2016, Bianca decidiu largar tudo para seguir o sonho de viver fora do Brasil. Aos 24 anos, a jovem mora na cidade de Vila Nova de Gaia, em Portugal.

Aldinete passa o segundo Dia das Mães longe da filha, que mora em Portugal (Foto: Reprodução/Facebook)

Aldinete passa o segundo Dia das Mães longe da filha, que mora em Portugal (Foto: Reprodução/Facebook)

“Minha filha mais nova casou em um ano e, no outro, a mais velha decidiu mudar para Portugal. Ela sempre dizia que sairia do Brasil, mas pensei que fosse coisa de criança. Ela chegou um dia e disse ‘mãe, vou sair do emprego e ir para Portugal’. Foi um baque. Ela, aos 21 anos, mal tinha saído de Pernambuco, o que dirá cruzar o oceano sozinha?”, afirma Aldinete.

Diferente de Daniela, Aldinete conseguiu ver de perto a realidade em que vive a filha, o que ajudou a controlar a saudade com a qual convive diariamente. Mas mesmo longe, Aldinete, Bianca e a irmã Thais fazem videoconferências quase todos os dias. Na Europa, a jovem ficou noiva, e a mãe fez questão de conhecer o rapaz.

“Conheci a família dele, que a acolheu muito bem. Dá até certo ciúme, porque ele é filho único e a família diz que ela é a filha perfeita, que já veio pronta. Ao mesmo tempo, fico muito feliz que eles a veem dessa forma. Graças a Deus, sob minhas fortes orações, tudo deu certo e o tiro no escuro que ela deu foi certeiro”, brinca Aldinete.

Bianca (à esquerda) e Thais (à direita) são filhas de Aldinete (centro) (Foto: Reprodução/Facebook)

Bianca (à esquerda) e Thais (à direita) são filhas de Aldinete (centro) (Foto: Reprodução/Facebook)

Sobre o casamento, a assistente contábil aceitou que a cerimônia aconteça na Europa, mas não abre mão de uma comemoração à brasileira. Ela tem planos de mudar-se, de vez, para morar perto de Bianca.

“A família dele é muito tradicional, então, tudo bem casar lá. Mas tem toda a família brasileira e vai ter que haver celebração aqui também. Quero, no fim de 2017, estar morando lá, mas penso em Thais. Todo dia fazemos videoconferência e, mesmo longe, a ligação continua forte, mas já foi um baque a irmã se mudar, e mãe é mãe, certo?”, questiona, mesmo sem ter nenhuma dúvida da resposta.

 Fonte: G1 nordeste

Maternidade impulsiona mães a empreender

De uma ideia, necessidade ou vontade, nasce uma mãe empreendedora. A mudança geralmente vem acompanhada da busca por um trabalho mais flexível, satisfatório ou com melhor retorno financeiro. Os resultados são diversos: desde uma marca de sucos naturais para crianças até uma livraria especializada em autores negros.

A reviravolta da arquiteta Letícia Santos, de 36 anos, por exemplo, ocorreu em 2016, quando sua filha, Helena, tinha acabado de completar 1 ano e começava a perambular pela casa – e a causar preocupação. “Fui comprando os móveis dela, fazendo testes, mas não gostava de nada, acabava mandando para o marceneiro”, conta.

Em meio às adaptações, utilizou sua experiência com mobiliário de hospitais, área em que atuou até se tornar mãe, para criar um móvel seguro e que se transformasse para acompanhar o crescimento de um bebê até os 7 anos.

Foi assim que surgiu a Cactus Remonta, que produz kits de peças em madeira que podem se transformar em dez móveis diferentes. “Um berço, um cadeirão, dura muito pouco, apenas alguns meses”, aponta.

Já a Criando Gente nasceu no mesmo dia que Bruno, de 11 anos, primogênito de sua fundadora Flávia Mesquita, de 47. “Cheguei da maternidade e não tinha roupa para usar. O meu corpo não era o de antes, nem como o da gestação”, recorda ela, formada em Moda.

Poucos dias depois, Flávia já desenhava os primeiros quatro modelos de blusas da marca. “Não achava nada de diferente por aqui, além da camisola de botão. Inventei tudo da minha cabeça, com base em estudos sobre necessidades da mulher puérpera (que acabou de ter filho).”

Mãe também de Tomás, de 7 anos, a empresária trabalha em casa, onde instalou o ateliê e o estúdio fotográfico da marca. “Não tem nada de fácil, quantas vezes digitei com o Bruno no meu colo”, diz. Por isso, acredita em um lema: “a gente é maior do que imagina”.

Também com dois filhos, Roseli Sato, de 41 anos, deixou um emprego na área corporativa para ficar mais próxima da recém-nascida Carolina, hoje com 9 anos. Paralelamente, abriu um salão de beleza, que “deu mais dor de cabeça do que lucro” e foi vendido em poucos meses.

Uma nova ideia veio tempos depois, quando preparava a festa de 2 anos da filha. “Fazendo as coisas veio essa motivação que nunca tinha sentido”, recorda. Decidiu então esperar seu caçula (Pedro, hoje com 7 anos) crescer um pouquinho e abriu, em 2012, a Pra Gente Miúda, empresa de organização de festas infantis. “Sempre foi um sonho trabalhar em algo que me desse prazer.”

Ano sabático

A mudança de Isabela Gerardi, de 39 anos, por sua vez, veio por não ter conseguido voltar ao mercado de trabalho após um ano sabático dedicado a Manuela, hoje com 2 anos. “Nas entrevistas, perguntavam coisas da minha filha, se estudava em tempo integral, sobre quem cuidaria se ficasse doente. Queriam saber mais dela do que da minha experiência”, conta a ex-contadora financeira.

Por ter tido um parto domiciliar, Isabela já dava dicas sobre maternidade para amigas. Por isso, ouviu a sugestão do marido de que poderia se tornar doula. “Sou apaixonada pelo que faço. O lado negativo é que não tem fim de semana, feriado (por causa dos partos), mas me dá outra flexibilidade, consigo estar mais próxima da minha filha.”

No caso da cientista social Luciana Bento, de 33 anos, a primeira mudança veio já com o desejo de ter um filho. Após um aborto espontâneo, descobriu um problema de saúde que implicaria em possíveis gestações de risco e, se desejasse engravidar, o recomendado seria não esperar demais. “Queria muito ser mãe. Então mudei os meus planos de fazer mestrado, pensar em carreira acadêmica.”

Por isso, decidiu ir atrás de um trabalho que lhe desse o suporte necessário. Em 2009, dois anos após concluir a faculdade, passou em um concurso público e se mudou para São Paulo, onde teve Aisha, de 5 anos, e Naíma, de 4. E veio a segunda mudança: Luciana tinha dificuldade para encontrar livros de autores ou com personagens negros para suas filhas. A solução? Criar a InaLivros, livraria virtual, aberta em 2014 com o marido, Léo Bento. “Faltava essa referência para as meninas, e hoje todo mundo participa. Elas vão às feiras com a gente, contam histórias, ajudam a embrulhar”, diz.

Ser mãe também foi um grande sonho de Daniela Foltran, de 35 anos, mas daqueles difíceis de serem realizados. Por ter perdido um ovário na adolescência, optou por uma profissão que colaborasse na gestação de outras mães, tornando-se embriologista.

Depois de anos trabalhando com fertilização in vitro, Daniela decidiu também se submeter ao método. O resultado foi Catarina, de 6 anos. Logo depois, veio a surpresa: engravidou de forma natural de Emília e Gabriela, de 4 anos. Com as três ainda bebês, desenvolveu síndrome burnout, resultado do esgotamento físico e mental, licenciando-se do trabalho.

Daniela encontrou refúgio na costura, aprendida na infância com a avó, modelista. “Foi uma terapia, uma maneira de focar no presente”, conta. No início, fez peças para as filhas, mas, certa de que não queria voltar para o laboratório, criou a Aurora, Senhora!, marca de babadores de manga longa e aventais. “É uma forma de disseminar um pouco do que acredito, da infância com autonomia, de permitir que a criança se alimente, toque, sinta a textura.”

Âmbar

A saúde da família também foi o ponto de virada de Mara Braga, de 33 anos. Por Levi, de 5 anos, ter nascido com alergia à proteína do leite, ela trocou toda a alimentação da família por opções naturais. Nesse meio tempo, descobriu o âmbar, tipo de resina fóssil que afirma ter lhe auxiliado no tratamento de problemas de saúde. Maquiadora em um canal de TV, percebeu que havia mercado para acessórios feitos do material. “Só achei para comprar no exterior. Queria colaborar com isso, que mais pessoas conhecessem.” Deu tão certo que, em três anos, o volume de vendas da Lithu Âmbar quintuplicou e a variedade de peças (antes só adulto e infantil) ganhou versões para pets.

Meu filho, minha cobaia

“É mais do que a minha obrigação entender os problemas das mães que trabalham comigo.” A frase da empresária Camila de Carvalho, de 34 anos, revela seu pensamento ao estruturar a Vita & Succhi, empresa de sucos saudáveis para crianças. Para tanto, ela quis priorizar um ambiente acolhedor para mulheres com filhos, com flexibilidade de horário e espaço kids.

Ex-comissária de bordo, ela teve a ideia da empresa porque o filho Enrico, de 3 anos, não aceitava água e era difícil encontrar bons sucos. “Ele foi minha inspiração e também minha cobaia.”

Nessa jornada, procurou outras mães que passavam pela mesma experiência em grupos nas redes sociais e também em encontros presenciais. “A gente se ajuda, troca dicas, faz parcerias, dá apoio”, diz.

Um dos maiores grupos é a Rede Mulheres Empreendedoras (RME), que fez uma pesquisa em 2016 com 1.376 mulheres que empreendiam (80%) ou pretendiam empreender (20%). Entre os motivos para empreender estão trabalhar com o que gosta/realizar sonho (66%), flexibilidade (52%), mais tempo para a família (30%) e trabalhar em casa (24%). A rede tem 500 mil mulheres cadastradas, das quais cerca de 60% são mães. “Não começou como negócio, mas sim com a minha dificuldade (de encontrar empreendedoras)”, conta a fundadora do RME, Ana Fontes, mãe de Daniela, de 15 anos, e Évelin, de 10. Hoje, a Rede realiza 60 eventos anuais para formação, mentoria e networking. “Empreender às vezes é solitário, cobram da gente tudo. É positivo ter essa troca, essa relação de conhecer outras mulheres.”

Com premissa semelhante, Andressa Bristotti, de 35 anos, criou em 2015 o grupo Pita.Cos, que já reuniu mais de 50 empreendedoras em encontros quinzenais. “Participava de grupos de internet, mas sentia falta de uma coisa mais próxima”, aponta ela, que abriu a loja Avambu Desfralde e é mãe de Manuela, de 4 anos, e Eduardo, de 1. A ideia do Pita.Cos é realmente dar “pitacos” nas ideias das demais, mas dentro de uma perspectiva de quem passa por experiências semelhantes. “Olham para você como se não estivesse trabalhando, como se fosse um hobby, um passatempo”, diz, sobre preconceitos.

Os encontros são gratuitos e agora darão origem a mentorias a distância, pagas. Dentre as frequentadoras está Daniela Rotbande, de 39 anos, mãe de Laura, de 8, e Nina, de 3, sócia da marca Meu Nani, de almofadas multifuncionais de amamentação, ao lado de uma amiga, também mãe. “Não sou de São Paulo (é do Rio), foi ótimo para fazer contatos.” Segundo ela, a maternidade mudou a sua forma de consumir “drasticamente”, voltando-se para mães empreendedoras como ela. “Priorizo comprar do pequeno, acho isso mais importante que o preço.”

‘Mãetorista’

Nessa perspectiva, a ex-secretária executiva Leonora Lira, de 42 anos, criou a rede de “mãetoristas” Gokids em 2015, que hoje reúne cerca de 25 mulheres em grupo de WhatsApp e tem ambições de se tornar um aplicativo de transporte individual de crianças. Todas as integrantes são registradas como motoristas e também trabalham com aplicativos, como Uber e Cabify.

Segundo Leonora, as motoristas passam por entrevistas com as famílias que atenderão e são responsáveis pelas cadeirinhas e dispositivos de proteção. “Tem uma questão de confiabilidade por serem mulheres que também são mães”, explica ela, que é mãe de Guilherme, de 20 anos, e Leonardo, de 8.

Para a diretora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Heloisa Menezes, o empreendedorismo materno ganha uma nova configuração com mais mulheres encontrando nichos na maternidade. “Tem muita gente procurando um negócio que tenha um propósito, e a internet facilitou isso. A mãe não precisa mais sair de casa para ter oportunidade de empreender.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: notícias ao minuto

130 anos após Lei Áurea, negros ganham quase 50% a menos que brancos

 

As desigualdades históricas entre negros e brancos no Brasil estão indicadas em um números de um levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE. O estudo, divulgado nos 130 anos da abolição da escravatura, completados neste domingo (13), mostra que o salário médio dos pretos e os pardos, segundo classifica o IBGE, chega a R$ 1.500. A média mensal de rendimentos de brancos no mesmo período, o 4º trimestre de 2017, é quase o dobro: R$ 2.697.

Conforme dados do IBGE publicados pelo G1, a parcela de trabalhadores negros ganha cerca de R$ 1,2 mil a menos que a dos brancos. São também os pretos e pardos os que menos têm carteira assinada 21,8%, enquanto o número de brancos chega a 14,7%.

Um dos motivos apontados por especialistas é o menor acesso a estudos. Enquanto 22, 2% dos brancos com mais de 25 anos frequentaram faculdade, apenas 8,8% da população negra ingressou no ensino superior. “A falta de acesso à educação vai remeter à entrada em postos de trabalho de baixa qualidade e à dificuldade de se inserir no mercado de trabalho”, opinou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, ao G1.

Fonte: notícias ao minuto

Sem dinheiro, Minas distribui ambulâncias e parcela salários

A falta de dinheiro para investir em saúde, educação, segurança e grandes obras tem levado o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), a usar boa parte de sua agenda pública em cerimônias de entrega de viaturas, ambulâncias e ônibus escolares.

Em dez dias do mês de fevereiro do ano passado, o governador chegou a visitar Uberaba, Uberlândia, Patrocínio, Pouso Alegre, Lavras, Divinópolis e Sete Lagoas, em um total de oito solenidades de entregas de chaves, incluindo uma na capital mineira.

Em 2017, Pimentel participou de 23 eventos do tipo, com a entrega de 2.026 viaturas para as Polícias Civil e Militar. “Como o governo não paga o básico, fica entregando viatura”, diz Julvan Lacerda, presidente da AMM (Associação Mineira de Municípios).

Em meio à situação delicada, o governador optou por pequenos gestos, rebate o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Durval Ângelo (PT). A política de “entregar para governar” é velha conhecida de estados em crise. Diante de um espaço de manobra bastante limitado, ela serve para mostrar alguma reação e aproximar o chefe do Executivo de prefeitos insatisfeitos com a falta de recursos.

No caso de Minas, o estratagema tem sido crucial para a sobrevivência de uma gestão que busca a reeleição. O estado exibe uma situação fiscal das mais desafiadoras do país, e o próprio governo reconhece isso. As discordâncias repousam apenas sobre as causas do problema.

“A crise é real. A calamidade financeira, reconhecida pela Assembleia, também é. Ignorar os fatos não vai melhorar o cenário, o trabalho é que tem potencial de alterar a realidade”, diz o governo, em nota.

O dissabor dos prefeitos e da população em geral pode ser traduzido em números. Em 2017, os investimentos do governo mineiro caíram R$ 2,5 bilhões ante 2014. A queda foi de 35% ao ano, o quinto pior desempenho entre as 27 unidades da Federação, segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente), do Senado.Minas enfrenta três anos consecutivos de queda do PIB. Em 2017, enquanto o país cresceu 1%, a economia do estado ainda teve leve queda de 0,2%, segundo o Itaú Unibanco.

O estado também vem perdendo símbolos. A empresa de energia Cemig foi obrigada a vender quatro usinas, e a Fiat, um orgulho local, escolheu Pernambuco para abrir uma fábrica de modelos de Jeep (a marca é hoje parte do grupo italiano).Grandes obras empacaram. A duplicação da BR-381, chamada rodovia da morte, que depende de articulação política com o governo federal, está parada. Fora o caso emblemático da mineradora Samarco, que deixou um rastro de destruição e desamparo. Sem recursos, o governo está às voltas com o parcelamento de salários dos servidores de áreas como saúde, segurança e educação.

Afetada pelos atrasos, a enfermeira Cíntia Ribeiro, 35, calcula ter uma dívida de R$ 7.000. “Carro, casa, tudo que é meu financiado daqui a pouco vai estar confiscado.” Os atrasos vêm desde 2016 e, com o tempo, a primeira parcela dos salários ficou cada vez mais distante do quinto dia útil. Neste mês, ela havia sido anunciada para o dia 16 – após o Dia das Mães, o que deixou muita gente bastante frustrada -, mas pode atrasar ainda mais.

Os serviços também são afetados pela crise. No hospital do IPSEMG, que atende somente servidores, faltam medicamentos e funcionários enquanto pacientes esperam dias por leitos de internação. “Aumentou a nossa demanda porque antes havia convênio com outros hospitais e agora eles não aceitam mais porque o governo não paga”, diz o técnico de enfermagem Sérgio Rocha, 41.

A professora estadual Simone Carvalho, 45, precisa fazer mamografia no hospital a cada seis meses, mas a espera para marcar o exame é de nove meses. “É muito penoso para a gente. Nosso cartão com verba para medicamento está suspenso desde 2017.” Na Universidade Estadual de Minas Gerais, onde ela leciona psicologia, há sorteio para definir quais professores inscritos em congressos terão verba para viajar.

O parcelamento e o atraso de salários de servidores são argumentos de um pedido de impeachment apresentado contra Pimentel e aceito pela Assembleia em 26 de abril. O pedido inclui ainda atraso nos repasses à Assembleia, ao Judiciário e às prefeituras. Diante da ameaça, embora a tramitação do impeachment esteja parada e seja motivada pelo desgaste da aliança com o MDB, o governo fez um pagamento à Assembleia.Também na semana passada, repassou R$ 713,2 milhões de IPVA aos municípios, mas a AMM ainda afirma que há uma dívida de R$ 5,2 bilhões em atrasos de repasses.

O governo de Minas diz que a situação de calamidade financeira, agravada pelo déficit de R$ 8 bilhões deixado pelos governos anteriores, explica a grave situação das contas. Os tucanos Aécio Neves e Antonio Anastasia governaram o estado entre 2003 e 2014.

Para o líder da bancada de oposição, Gustavo Valadares (PSDB), Minas vive quadro “deplorável” e a culpa é da falta de gestão de Pimentel e não dos ex-governadores. O atual governo ressalta que os aumentos concedidos aos servidores no fim dos mandatos dos tucanos também prejudicaram as contas públicas.

Os gastos com pessoal, alega o governo, saltaram de 22,2% da despesa bruta, em 2010, para 43,4%, em 2015, com impacto direto no déficit previdenciário, que foi de R$ 6,5 bilhões, naquele ano, para R$ 10,3 bilhões, em 2015. Bernardo Campolina, professor de ciências econômicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que é possível questionar a gestão de Pimentel, mas que não dá debitar todos os problemas na conta do governo atual.Campolina tem a avaliação de que, no período de bonança, foram feitas opções equivocadas, como a construção da Cidade Administrativa.

Com projeto de Oscar Niemeyer, a sede do governo do estado inaugurada por Aécio em 2010 custou R$ 1,3 bilhão – ou o equivalente a 35% do que os municípios mineiros alegam que o estado deve em repasses na área de saúde. Para Campolina, foram gastos que poderiam ter sido alocados na logística urbana. “O metrô de Belo Horizonte, por exemplo, não existe”, diz ele.

Acidentes levaram ao questionamento do modelo de operação de um setor que é a essência do estado desde os tempos do Brasil colônia: a mineração, que nos anos mais recentes também foi afetada pela queda dos preços do minério do ferro. O setor tem um alto efeito multiplicador na geração de renda e emprego. A cada emprego gerado na mineração, diz Campolina, 12 ou 13 são criados em outros setores.

A mineradora Samarco está paralisada desde dezembro de 2015, quando a barragem de Fundão se rompeu. A BHP Billiton, uma das donas da Samarco, ao lado da Vale, encomendou um estudo para a consultoria Tendências para estimar os impactos da paralisação da mineradora. O estudo aponta que, no primeiro ano de inatividade, as perdas representam 1,6% do PIB e de 15% da receita tributária de Minas Gerais.

Além da Samarco, outras mineradoras enfrentam reveses. A Anglo American deu férias coletivas de 90 dias, iniciadas em 17 de abril, para funcionários da mina, da usina e da unidade de filtragem em Conceição do Mato Dentro (164 km de Belo Horizonte). A medida foi tomada após dois rompimentos do mineroduto. A estimativa é que cerca de 3 milhões de toneladas deixem de ser comercializadas.

É a população do estado que acaba saindo mais afetada no processo.O sargento aposentado da Polícia Militar Sérgio Luiz, 56, diz que a principal consequência da crise e dos atrasos nos pagamentos é o transtorno emocional e psicológico. Com informações da Folhapress.

Fonte: notícias ao minuto