Renan incluiu no relatório governador e secretário do AM e senador da CPI; pedidos de indiciamento são 81

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que incluiu no relatório final pedidos de indiciamento do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do secretário de Saúde do estado, Marcellus Campelo.

De última hora, ele incluiu também o colega de CPI, senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), por disseminação de fake news.

Com isso, o relatório pede o indiciamento de 2 empresas e 79 pessoas, entre elas, além do governador do secretário e de Heinze, o presidente Jair Bolsonaro.

Renan chegou a registrar uma versão final do relatório no sistema do Senado nesta manhã, mas retirou em seguida. Essa versão não tinha os nomes de Lima, Campello e Heinze.

A inclusão dos dois nomes ligados ao governo do Amazonas atende a uma reivindicação do senador Eduardo Braga (MDB-AM). Membro titular da CPI, Braga disse que se votaria a favor do relatório de Renan se os dois nomes fossem incluídos.

A votação do relatório está marcada para ocorrer nesta terça.

O relatório também pede o afastamento de Bolsonaro de todas as redes sociais. O presidente da República costuma disseminar fake news na internet, entre as quais a que associa a vacina da Covid a casos de Aids, o que não é verdade.

Pelo calendário da CPI, o relatório será votado ainda nesta terça e, em seguida, será encaminhado para a Procuradoria Geral da República (PGR), órgão ao qual caberá conduzir as investigações sobre indiciados com foro privilegiado; as investigações sobre pessoas sem foro serão remetidas para a primeira instância do Ministério Público Federal.

Na semana passada, Renan Calheiros leu a versão do relatório que pedia o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro, mais 65 pessoas e duas empresas.

Nesta segunda (25), o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), já havia informado que o número de pedidos de indiciamento deveria aumentar.

Veja a lista de pedidos de indiciamento propostos pelo relator da CPI da Covid (na ordem do relatório):

  • Jair Bolsonaro;
  • Eduardo Pazuello;
  • Marcelo Queiroga;
  • Onyx Lorenzoni;
  • Ernesto Araújo;
  • Wagner Rosário;
  • Élcio Franco;
  • Mayra Pinheiro;
  • Roberto Dias;
  • Cristiano Carvalho;
  • Luiz Dominghetti;
  • Rafael Francisco Carmo Alves;
  • José Odilon Torres Silveira Junior;
  • Marcelo Blanco;
  • Emanuela Medrades;
  • Túlio Silveira;
  • Airton Antonio Soligo;
  • Frncisco Maximiano;
  • Danilo Trento;
  • Marcos Tolentino;
  • Ricardo Barros;
  • Flávio Bolsonaro;
  • Eduardo Bolsonaro;
  • Bia Kicis;
  • Carla Zambelli;
  • Carlos Bolsonaro;
  • Osmar Terra;
  • Fabio Wajngarten;
  • Nise Yamaguchi;
  • Arthur Weintraub;
  • Carlos Wizard;
  • Paolo Zanotto;
  • Antônio Jordão de Oliveira Neto;
  • Luciano Dias Azevedo;
  • Mauro Luiz de Brito Ribeiro;
  • Walter Braga Netto;
  • Allan dos Santos;
  • Paulo de Oliveira Eneas;
  • Luciano Hang;
  • Otávio Fakhoury;
  • Bernardo Kuster;
  • Oswaldo Eustáquio;
  • Richards Pozzer;
  • Leandro Ruschel;
  • Carlos Jordy;
  • Filipe Martins;
  • Técio Tomaz;
  • Roberto Goidanich;
  • Roberto Jefferson;
  • Hélcio Bruno de Almeida;
  • Raimundo Nonato Brasil;
  • Andreia da Silva Lima;
  • Carlos Alberto de Sá;
  • Teresa Cristina Reis de Sá;
  • José Ricardo Santana;
  • Maconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria;
  • Daniella de Aguiar Moreira da Silva;
  • Pedro Benedito Batista Junior;
  • Paola Werneck;
  • Carla Guerra;
  • Rodrigo Esper;
  • Fernando Oikawa;
  • Daniel Garrido Baena;
  • João Paulo Barros;
  • Fernanda de Oliveira Igarashi;
  • Fernando Parrillo;
  • Eduardo Parrillo;
  • Flavio Cadegiani;
  • Heitor de Freire Abreu;
  • Marcelo Bento Pires;
  • Alex Lial Marinho;
  • Thiago Fernandes da Costa;
  • Regina Célia de Oliveira;
  • Hélio Angotti Netto;
  • José Alves Filho;
  • Amilton Gomes de Paula;
  • Precisa Medicamentos;
  • VTCLog.

Em relação ao relatório anterior, foram incluídos os seguintes nomes:

  • Wilson Lima: epidemia com resultado morte e crimes de responsabilidade;
  • Marcellus Campelo: prevaricação;
  • Luis Carlos Heinze: incitação ao crime
  • Antônio Jordão de Oliveira Neto: epidemia com resultado morte;
  • Helcio Bruno de Almeida: incitação ao crime;
  • Heitor Freire de Abreu: epidemia com resultado morte;
  • Marcelo Bento Pires: advocacia administrativa;
  • Alex Lial Marinho: advocacia administrativa;
  • Thiago Fernandes da Costa: advocacia administrativa;
  • Regina Célia Oliveira: advocacia administrativa;
  • Hélio Angotti Neto: epidemia com resultado morte e incitação ao crime;
  • José Alves Filho: epidemia com resultado morte;
  • Amilton Gomes de Paula: tráfico de influência.

 

O relatório

O documento com mais de 1.288 páginas pede o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por considerar que ele cometeu pelo menos nove crimes. O arquivo traz:

  • imagens do presidente provocando aglomerações;
  • declarações em que desdenha da vacina e incita a população a invadir hospitais
  • esforço pessoal de Bolsonaro, ao lado do Itamaraty, para articular com a Índia a compra de matéria-prima para a produção de cloroquina – remédio ineficaz para a Covid.

O relator também detalha o atraso na aquisição de vacinas e a sucessiva falta de resposta às fabricantes, como à Pfizer e ao Instituto Butantan, que desde 2020 tentavam vender o imunizante ao governo brasileiro.

Calheiros ainda responsabiliza duas empresas (Precisa Medicamentos e VTCLog), e mais de 70 pessoas, entre as quais três filhos do presidente, ministros, ex-ministros, deputados federais, médicos e empresários. Ao todo, o relator aponta para o cometimento de mais de 20 infrações.

Fonte: G1