Coordenador da seleção feminina do Brasil deixa futuro de Vadão nas mãos da CBF

A caminho do aeroporto para voltar para o Brasil após a eliminação da Copa do Mundo Feminina para a França, neste domingo, Marco Aurélio Cunha, coordenador de seleções femininas da CBF, deixou futuro do técnico Vadão e o seu próprio à frente da equipe nas mãos do presidente Rogério Caboclo. O dirigente elogiou o trabalho do treinador no Mundial da França e deixou em aberto o seu próprio futuro no cargo que ocupa. Antes da Copa, o treinador foi muito criticado por conta de nove derrotas seguidas na fase de preparação.

– Acho que ele fez uma ótima Copa, independentemente das críticas de costume contra ele. Agora quem decide o futuro da Seleção é o presidente da CBF. Sou tão funcionário da CBF quanto o Vadão. Se acharem, chegando ao Brasil, que nosso tempo deu, a gente vai entender. Se quiserem que a gente prossiga, a gente prossegue. Estou com a minha consciência absolutamente tranquila. Fiz tudo o que eu pude por essa seleção – disse Marco Aurélio.

A vontade, no entanto, Cunha deixa claro que é seguir trabalhando para o próximo grande objetivo: as Olimpíadas de Tóquio, em 2020. O Brasil foi a primeira seleção, além das japonesas donas da casa, a assegurar a vaga olímpica ao se sagrar campeão da Copa América no ano passado. O dirigente fez questão ainda de rasgar elogios ao desempenho da equipe na Copa da França.

– O futuro será o trabalho sempre prosseguir, independente de quem está no comando, seja eu, Vadão ou qualquer pessoa, honrar essas meninas pelo que elas fizeram, pelo rigor tático que tiveram e pelo desempenho – garantiu.

Confira mais declarações de Marco Aurélio Cunha antes de deixar a França:

Dificuldade do jogo contra a França

– Foi uma derrota muito sofrida, mas extremamente honrosa. A gente sai com o espírito altamente elevado pelo que elas fizeram. Não é fácil jogar para 30 mil pessoas torcendo para o time da casa, protagonista, anfitrião, mas o Brasil foi muito bem. A bola nossa não entrou e a delas entrou. É triste, mas é gratificante ver que nós temos jogadoras nesse nível. Quando fizemos amistosos e tão criticados fomos por derrotas seguidas era para chegar nesse nível e não sofrer. Para ter uma ideia, já tínhamos jogado aqui em Le Havre uma vez, contra a França, as meninas sabiam já como seria difícil e estavam preparadas. O importante é que elas estiveram preparadas a Copa do Mundo toda e, por detalhes, a gente ficou fora.

Sobre fala da Marta em relação às novas gerações

– Temos um mundo em que a nova geração quer o produto pronto. As pessoas que estão assistindo acham que o que fazemos aqui é o resultado do dia do jogo, e não um processo de trabalho, de muita dedicação, que tem muito sofrimento, que foram viagens e mais viagens para chegar nesse ponto. As pessoas têm sempre as soluções, mas ninguém passou pela estrada que a gente passou. Essas meninas jovens têm que saber que, para estarem na Seleção, têm que estar bem nos seus clubes, têm que estar o tempo todo aprimorando a parte física para jogar em alto nível. Talento sozinho não ganha jogo. Aqui juntamos talento com a prática com a parte física e técnica, isso em 15 dias em Portugal. É preciso que a gente tenha mais tempo para trabalhar e que as meninas jovens sejam inspiradas por essas grande jogadoras e que façam a parte delas. Não é uma brincadeira. É um alto nível profissional. Se querem o alto nível no futebol feminino começa pelas pequenas e pelas mais jovens pensando em ser profissionais e não apenas em jogar futebol.