Ministro do TSE se declara suspeito após restringir propaganda de Roberto Cláudio e Capitão Wagner

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se suspeito para analisar o processo que envolve as candidaturas de Roberto Cláudio (União Brasil) e Capitão Wagner (União Brasil), um dia após determinar restrições à propaganda eleitoral dos candidatos. Com o afastamento, outro ministro deverá assumir a relatoria, mas a decisão liminar que suspendeu propaganda e uso de recursos públicos permanece válida até nova análise.

Na decisão de segunda-feira (28), Floriano havia determinado a interrupção da propaganda de rádio e televisão da Federação União Progressista para o Senado, além da suspensão do recebimento e utilização de recursos públicos ainda não usados. A medida está relacionada à disputa entre União Brasil, Progressistas e a própria federação sobre a definição da aliança eleitoral no Ceará.

Ao justificar o afastamento, o ministro informou ter tomado conhecimento de um fato relacionado a um processo sigiloso em tramitação no Supremo Tribunal Federal. A situação envolve a advogada Laura de Azevedo Marques, filha do ministro, que já atuou na defesa do deputado federal Júnior Mano (PSB) em uma investigação no STF. Júnior Mano é candidato a suplente de senador na chapa de Cid Gomes (PSB), adversário de Capitão Wagner na disputa pelo Senado.

Capitão Wagner havia questionado a imparcialidade do ministro diante da atuação profissional da filha. Após a declaração de suspeição, o candidato afirmou que “a verdade está aparecendo” e disse ter mantido a confiança de que a Justiça analisaria o caso. Floriano, por sua vez, afirmou que o julgador não pode estar sujeito a “ilações ou suposições sobre a sua equidistância frente às partes” e considerou inadequado continuar atuando no processo.

A disputa judicial começou após União Brasil e Progressistas aprovarem, em convenções separadas, apoio à candidatura de Elmano de Freitas (PT), enquanto a convenção da Federação União Progressista decidiu integrar a coligação que apoia Ciro Gomes (PSDB). Em agosto, o TRE-CE manteve válida a decisão da federação por 4 votos a 2. A liminar do TSE apresentou entendimento diferente sobre as regras internas da entidade e permanece em vigor até o julgamento do recurso que discute a validade da convenção.