O ministro Alexandre de Moraes decidiu cancelar o pronunciamento à imprensa que havia sido convocado para a manhã desta quinta-feira (10), em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). O gabinete do ministro havia informado apenas o horário da manifestação, sem divulgar oficialmente o tema que seria abordado.
Pouco tempo depois, o gabinete comunicou o cancelamento e informou que o pronunciamento será “remarcado em data oportuna”. Nos bastidores, interlocutores do Supremo apontavam que a expectativa era de que Moraes defendesse a condução do Inquérito das Fake News e apresentasse considerações gerais sobre as investigações realizadas no âmbito do procedimento.
O pronunciamento havia sido convocado um dia após o presidente do STF, Edson Fachin, adotar uma série de medidas em meio à crise na Corte. Entre as decisões, Fachin retirou de Moraes a condução de procedimentos relacionados ao Inquérito das Fake News e concentrou a análise dos casos na Presidência do tribunal.
Aberto pelo STF em março de 2019, o Inquérito das Fake News investiga notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denúncias caluniosas, ameaças e outros ataques contra ministros da Corte e seus familiares. Na quarta-feira (9), Fachin afirmou que a Presidência do Supremo tem o dever de “zelar pela preservação da integridade da Corte” diante de um cenário de “conflitos e sobreposições processuais”.
A crise teve origem em investigações relacionadas ao Banco Master e se aprofundou após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material citou comunicações enviadas a Moraes e abriu uma disputa dentro do STF sobre a condução das apurações. Nos últimos dias, decisões de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino, da Procuradoria-Geral da República e da própria PF ampliaram a tensão entre diferentes setores envolvidos no caso.







