STF cobra governo sobre demora na extradição de espião russo preso no Brasil

Ministro Luiz Fux deu dez dias para Ministério da Justiça informar andamento da entrega de Sergey Cherkasov à Rússia

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Ministério da Justiça preste informações, em até dez dias, sobre o andamento da extradição do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde 2022. A decisão foi tomada após o longo período desde o encerramento do processo e um pedido da defesa por informações sobre a entrega.

Segundo integrantes do Ministério da Justiça, o caso ainda está em análise e cabe ao governo federal definir quando a eventual extradição será realizada. Cherkasov permanece preso na Penitenciária Federal de Brasília, de segurança máxima, e cumpre pena até 2027. O Executivo também aguarda o resultado de um segundo inquérito envolvendo o russo.

Em julho, o governo brasileiro decidiu pela expulsão de Cherkasov e proibiu seu retorno ao Brasil por 30 anos, mas não estabeleceu uma data para sua saída. A situação ganhou dimensão diplomática porque o espião é alvo de interesse tanto da Rússia quanto dos Estados Unidos, o que pode influenciar a decisão brasileira sobre o destino do preso.

Cherkasov foi detido pela Polícia Federal em 2022 usando documentos falsos e se apresentando como Victor Muller. Ele foi preso ao tentar entrar na Holanda com um passaporte brasileiro adulterado para realizar estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), justamente quando a corte começava a investigar possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.

A Rússia pediu sua extradição sob a alegação de que ele é procurado por tráfico internacional, mas documentos enviados pelo país não permitiram à Polícia Federal confirmar integralmente as informações. Os Estados Unidos também demonstraram interesse no russo, após informações de inteligência apontarem que ele teria usado identidade falsa e espionado o país durante uma passagem para estudar em uma universidade americana. Cherkasov é apontado como o último integrante de uma rede de espionagem russa identificada pela PF que ainda permanece no Brasil.