Justiça manda soltar nove advogados presos por suspeita de atuar como mensageiros de facções no Ceará

A Justiça determinou a soltura de nove advogados presos por suspeita de atuar como intermediários de ordens de chefes de facções criminosas no Ceará. Eles foram detidos em junho durante a Operação Mensageiros do Crime, do Ministério Público do Ceará (MPCE), que investigou uma suposta rede de comunicação entre presos e integrantes de organizações criminosas.

Os advogados liberados deverão cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos dias não úteis, além da proibição de frequentar presídios e manter contato com outros investigados, corréus e testemunhas. O exercício da advocacia também permanece suspenso.

Segundo o MPCE, os profissionais teriam usado o contato com presos para transmitir ordens relacionadas à atuação de facções, incluindo orientações sobre reorganização de grupos, expansão territorial, aquisição de armas e circulação de drogas. As investigações apontaram ainda o uso de linguagem codificada nas conversas.

A operação cumpriu 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão no Ceará e em São Paulo. Também foram bloqueados cerca de R$ 20 milhões em contas dos investigados e apreendidos veículos, celulares, computadores, joias e outros bens.

Em nota, a defesa dos advogados afirmou que a soltura representa o reconhecimento de que não havia justificativa para manter os profissionais presos após a suspensão do exercício da advocacia. Os advogados também contestam a legalidade de parte das provas e afirmam que irão buscar a anulação do processo por supostas irregularidades.