Chefe de arbitragem da FCF é indiciado por assédio sexual e importunação contra árbitras

A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito que investigava denúncias contra o chefe da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos, e o indiciou pelos crimes de assédio sexual e importunação sexual. O caso veio à tona após quatro árbitras registrarem boletins de ocorrência relatando episódios de abuso ocorridos durante o período em que atuavam ou se preparavam para ingressar na arbitragem.

Segundo os depoimentos, os casos teriam ocorrido a partir de 2018, quando Paulo Silvio exercia a função de presidente da Comissão de Arbitragem da FCF, responsável pelas escalas das partidas. As denunciantes afirmam que receberam convites insistentes para encontros particulares e relatam episódios de constrangimento e perseguição. Uma das árbitras também denunciou uma suposta tentativa de estupro, mas a Polícia Civil informou que o investigado não foi indiciado por esse crime.

Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário. Caberá agora ao Ministério Público do Ceará analisar as provas reunidas e decidir se apresenta denúncia formal. Caso a Justiça aceite a denúncia, Paulo Silvio passará à condição de réu e responderá ao processo criminal.

Após o surgimento das denúncias, a Federação Cearense de Futebol informou que abriu uma sindicância administrativa para apurar o caso. O dirigente se afastou do cargo por 30 dias e, segundo a entidade, permanecerá sem retornar às funções enquanto a investigação interna estiver em andamento. A FCF informou ainda ter adotado medidas para preservar documentos, impedir contato entre o investigado e as denunciantes e evitar qualquer tipo de retaliação.

Em nota, a defesa de Paulo Silvio afirmou que ele nega todas as acusações e sustenta que jamais praticou qualquer ato de assédio sexual, importunação sexual ou violência sexual. Os advogados destacam que as denúncias representam versões unilaterais, defendem o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência, e informam que o investigado permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.