A Casa Branca informou nesta quinta-feira (23) que o governo dos Estados Unidos anunciará um novo pacote de tarifas comerciais antes do fim da vigência da taxa global de 10%, previsto para sexta-feira (24). A expectativa é que a medida inclua uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos de cerca de 60 países, entre eles o Brasil.
O anúncio foi feito pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, que informou que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, será o responsável por detalhar as novas medidas. A possível sobretaxa faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o governo americano, os países investigados teriam falhado na adoção de medidas eficazes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Além do Brasil, a lista inclui parceiros comerciais como Canadá, União Europeia, Reino Unido, Austrália, Índia, Israel, China e Rússia.
O governo brasileiro contesta as conclusões da investigação. Em documento enviado ao USTR, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a proposta como “arbitrária” e afirmou que o Brasil possui mecanismos de fiscalização, responsabilização criminal e transparência no combate ao trabalho análogo à escravidão, incluindo a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo.
Enquanto acompanha as negociações com os Estados Unidos, o governo federal já prepara medidas para reduzir os impactos do possível tarifaço. Na quarta-feira (22), foi anunciada uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas restrições comerciais e para estimular a abertura de novos mercados às exportações brasileiras.








