A Bolívia vive mais um dia de tensão política e social nesta segunda-feira (18), com 23 bloqueios registrados em rodovias do país e manifestações que avançam em direção à capital La Paz. Os protestos pressionam pela renúncia do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o governo há apenas seis meses após quase duas décadas de hegemonia da esquerda no país andino.
De acordo com a Administradora Boliviana de Estradas (ABC), a maioria dos bloqueios acontece nas proximidades de La Paz, onde ao menos 13 estradas permanecem interditadas. Também há registros de mobilizações em vias que ligam cidades como Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba. A situação já provoca escassez de alimentos, combustíveis e outros produtos básicos na capital boliviana.
As manifestações ganharam força nas últimas semanas após decisões do governo relacionadas à economia e ao setor agrário. Inicialmente, os protestos começaram por causa da retirada do subsídio aos combustíveis. Em seguida, a revolta aumentou após a aprovação de uma lei sobre terras, criticada por movimentos camponeses e indígenas, que acusaram o governo de favorecer grandes produtores rurais em detrimento da agricultura familiar. Mesmo após a revogação da medida, os atos continuaram.
No fim de semana, confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram dezenas de presos e feridos na região de El Alto, próxima a La Paz. Organizações sociais denunciam repressão policial e afirmam que ao menos dois manifestantes morreram durante os conflitos. A Defensoria Pública da Bolívia informou ainda que houve ataques contra jornalistas e confrontos entre grupos de manifestantes e moradores.
Enquanto movimentos populares e sindicatos reforçam os pedidos pela saída de Rodrigo Paz, o governo acusa setores ligados ao ex-presidente Evo Morales de incentivar a violência nos protestos. Autoridades afirmam que grupos estariam utilizando armas e explosivos durante os atos. Evo, por sua vez, nega envolvimento direto e afirma que as manifestações representam a insatisfação do povo boliviano diante da crise econômica e política enfrentada pelo país.









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