Portaria da PGR limita debates internos e gera reação entre procuradores

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou mudanças no funcionamento de uma tradicional lista de e-mails do Ministério Público Federal, conhecida como “Rede Membros”. A medida foi oficializada por meio de uma portaria interna publicada no fim de abril e altera a forma como procuradores e servidores trocam informações dentro da instituição.

A nova regra cria a chamada “Rede Institucional”, com participação obrigatória e foco em comunicações administrativas. O texto estabelece que as mensagens devem se limitar a esclarecimentos sobre normas e atos institucionais, proibindo análises críticas ou sugestões sobre decisões da gestão. Além disso, o documento prevê acompanhamento da Corregedoria do MPF em casos de descumprimento.

A mudança ocorre em meio ao aumento de críticas internas à atuação da cúpula do MPF, especialmente diante da expectativa sobre a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nos últimos dias, integrantes do órgão vinham utilizando a antiga rede para questionar decisões administrativas e posicionamentos institucionais.

Com a nova portaria, o número de participantes da “Rede Membros” caiu significativamente, passando de mais de mil para menos de 300 integrantes. Entre procuradores, há avaliações de que a medida busca restringir manifestações internas em um momento de tensão dentro da instituição. Já a gestão da PGR afirma que a mudança tem caráter organizacional, visando melhorar a comunicação e evitar excesso de mensagens irrelevantes.


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