A Universidade Estadual do Ceará (Uece) inicia, nesta quarta-feira (29), a aplicação de um tratamento inédito em crianças diagnosticadas com Síndrome de Rett. O procedimento será realizado no Laboratório de Genética Médica (Lagem), em Fortaleza, e marca o avanço de uma pesquisa com participação internacional.
O estudo utiliza a lamivudina, fármaco já disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e será aplicado em 10 pacientes selecionados com base em critérios clínicos e aprovação do Comitê de Ética. A pesquisa é coordenada pela médica e professora Denise Carvalho.
Segundo a coordenadora, esta é a primeira etapa de ensaio clínico com o medicamento para a síndrome. “As famílias selecionadas vão iniciar o tratamento que vem apresentando resultados promissores em estudos laboratoriais e pré-clínicos”, afirmou.
A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Universidade de San Diego (USD) e com a Nasa. Parte dos experimentos envolveu o envio de células de pacientes com a síndrome para a Estação Espacial Internacional, onde foram submetidas a condições de microgravidade, acelerando processos celulares.
De acordo com os pesquisadores, após o retorno à Terra, as células tratadas com lamivudina apresentaram sinais de recuperação. Com base nesses resultados, o estudo avança agora para a fase clínica com pacientes.
A Síndrome de Rett é uma doença genética rara, causada por mutações no gene MECP2, que afeta principalmente meninas. O quadro inclui perda progressiva da fala, comprometimento do neurodesenvolvimento, comportamento associado ao autismo e crises convulsivas.
A expectativa da equipe é que o tratamento possa modificar a evolução da doença, reduzindo sintomas e melhorando a qualidade de vida das pacientes. Caso os resultados sejam positivos, a proposta é ampliar a pesquisa para outras regiões do Brasil e também para o exterior.
Agência News Cariri com informações da Ascom Ceará









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