A semana do Carnaval trouxe ao Ceará um cenário hídrico mais animador. Conforme dados do monitoramento diário da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), nesta quinta-feira (19) os 144 açudes monitorados no Ceará receberam aporte de 37,89 milhões de m³, o maior registro do ano.
Do sábado (14) até este dia 19, mais de 150 milhões de m³ entraram nos reservatórios estratégicos, garantindo que o volume superior a 90% fosse alcançado em três açudes de diferentes regiões do Estado: os açudes Cachoeira e Olho d’Água, no Cariri; e o Açude São José III, em Ipaporanga, na bacia dos Sertões de Crateús.
As recargas mais expressivas foram observadas nas Bacias do Salgado e dos Sertões de Crateús. Já na Região Metropolitana, apesar do bom desempenho do Gavião, outros reservatórios não tiveram aportes relevantes no mesmo intervalo.
O Açude Orós, 2º maior reservatório do Estado, também registrou aportes recentes e segue sendo acompanhado de forma permanente devido à sua importância no sistema hídrico estadual. Atualmente, o manancial está com 72,3% de seu volume máximo, tendo subido dois pontos percentuais em relação sábado (14).
Uso das águas dos maiores açudes
Como parte da rotina institucional, a Cogerh iniciou o planejamento da operação de liberação de água dos reservatórios para o primeiro semestre. O processo reúne a Companhia, Comitês de Bacia e demais instituições que integram o sistema estadual de recursos hídricos. No início de fevereiro, foram definidas as vazões de liberação dos açudes estratégicos para o primeiro semestre de 2026.
Para o Açude Castanhão, foi estabelecida vazão de 16 mil litros por segundo. Desse total, 6 mil litros por segundo serão destinados à transferência de água para a Região Metropolitana de Fortaleza por meio do Eixão das Águas.
No Orós, a vazão definida é de 8 mil litros por segundo, sendo 6 mil litros por segundo direcionados ao Castanhão para reforço do abastecimento da Região Metropolitana e 2 mil litros por segundo para usos múltiplos em municípios do Vale do Jaguaribe.
Essa decisão, junto aos Comitês de Bacia, é devido ao alerta ligado para o sistema da RMF, hoje em 46,5% do total, abaixo dos 60,4% verificados no mesmo período de 2025, indicando condição menos favorável para o segundo semestre.
Já para o Açude Banabuiú, a vazão aprovada foi de 900 litros por segundo, contemplando captação direta no reservatório, perenização do rio Banabuiú e atendimento a sistemas locais.
O Diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, ressalta que, apesar de fevereiro ter registrado precipitação ligeiramente acima da média, o acumulado de janeiro e fevereiro ainda apresenta déficit de cerca de 13,5%. Dessa forma, “a transferência para a RMF permanece essencial para garantir o abastecimento regional. Essa operação pode ser reavaliada conforme a evolução da quadra chuvosa, mas, no cenário atual, configura como a medida tecnicamente mais prudente“, explica o gestor.










Deixe um comentário