Segundo revista, Vorcaro citou R$ 30 milhões para documentário de Lula; PGR não vê provas

Relatos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sobre um suposto pagamento de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram levados à Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações foram divulgadas pela revista Veja nesta sexta-feira (9), com base em mensagens, documentos e um áudio atribuído ao empresário. Até o momento, as alegações não foram comprovadas.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria afirmado que o dinheiro seria destinado ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto, e que o pagamento faria parte de um acordo com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para facilitar o acesso do Banco Master a fundos de previdência de servidores de empresas e instituições públicas. A suposta negociação envolveria ainda uma taxa de 10% sobre os valores captados junto a fundos ligados à Caixa, ao Banco do Brasil, à Petrobras e aos Correios. A divisão mencionada seria de R$ 1 bilhão para o PT e R$ 9 bilhões para o banco, segundo o relato atribuído ao ex-banqueiro.

A defesa de Vorcaro teria informado possuir capturas de tela, mensagens de WhatsApp, registros de pessoas que supostamente retiraram dinheiro em espécie e informações sobre locais e rotas utilizados nas entregas. Apesar disso, a PGR não deu andamento à proposta de colaboração premiada. Segundo informações atribuídas a integrantes da Polícia Federal, faltariam elementos mínimos para conferir credibilidade às acusações. Uma fonte ouvida pela CNN afirmou ainda que o áudio divulgado pela Veja não foi encaminhado à equipe da PGR responsável pelas tratativas e que há dúvidas sobre quando a gravação teria sido feita.

A reportagem também menciona supostos contatos de Vorcaro com pessoas ligadas ao governo federal, entre elas o então ministro Alexandre Padilha e o ex-secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto. As mensagens citadas fariam referência a reuniões, articulações e tentativas de negócios com fundos de pensão. No entanto, os relatos apresentados não comprovam, por si só, a prática dos crimes alegados nem demonstram que os pagamentos mencionados tenham efetivamente ocorrido. As propostas de colaboração de Vorcaro já haviam sido rejeitadas anteriormente.

Lula negou ter solicitado ou recebido vantagem financeira de Vorcaro, ou autorizado terceiros a receber valores em seu nome. A campanha do presidente classificou as acusações como não comprovadas e afirmou que adotará medidas judiciais. Padilha também negou relação com o banqueiro, enquanto Olavo Noleto informou que não se manifestaria. A PGR declarou que não houve interlocução direta entre Vorcaro e representantes do órgão e que não ocorreu depoimento oral do empresário, justamente porque a proposta de colaboração não foi aceita. Até que surjam provas verificáveis, as informações divulgadas devem ser tratadas como alegações, e não como fatos comprovados.