O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria consultado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a possibilidade de precisar deixar o Brasil dias antes de ser preso pela Polícia Federal. As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e tiveram o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça.
Em uma conversa de 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na mesma mensagem, o ex-banqueiro também questionou sobre o juiz Ricardo, sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e perguntou se seria possível fazer algo.
No dia seguinte, um dia antes de ser preso, Vorcaro voltou a questionar Moraes: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. O ex-banqueiro acabou detido pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o conteúdo das conversas indicaria que Moraes teria repassado a Vorcaro informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela corporação.
As mensagens fazem parte de uma investigação que também apura a relação de Moraes com Vorcaro. O ministro teve acesso a um contrato de cerca de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro. A própria banca confirmou que consultou Moraes sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.
As novas revelações ocorrem enquanto André Mendonça analisa informações relacionadas a um suposto pedido de proteção feito por Moraes em favor de Vorcaro ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O Banco Central ainda não se manifestou sobre a menção feita por Vorcaro a Gabriel Galípolo nas mensagens.








