Flávio Bolsonaro destinou emenda a pedido de miliciano condenado no caso Marielle, diz investigação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou em 2023 uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo após pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A negociação ocorreu entre Calixto e uma assessora do gabinete do senador.

Segundo informações da investigação, a Polícia Federal encontrou no celular de Calixto mensagens trocadas com Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro. A PF aponta que a assessora era uma “interlocutora direta” de Peixe no gabinete do senador e investiga suspeitas de desvio dos recursos da emenda.

Em uma conversa de 24 de outubro de 2023, Calixto pediu ajuda para obter recursos. “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”, escreveu. A assessora respondeu: “Manda a solicitação meu amigo. Um e-mail ou um ofício”. Dois dias depois, Maria de Fátima voltou a tratar do assunto e disse: “Temos um evento. Vc vai tbm e já reforça o pedido com o senador”.

Na ocasião, a assessora também enviou a Calixto um convite para o deputado Chiquinho Brazão participar de uma cerimônia de entrega de 396 coletes balísticos para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. Segundo a PF, o evento seria uma oportunidade para que o pedido de recursos fosse reforçado pessoalmente com Flávio Bolsonaro. Brazão é apontado como um dos envolvidos no caso Marielle.

Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de sua assessoria, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente”. Robson Calixto foi condenado pelo STF, em fevereiro deste ano, a nove anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. De acordo com a investigação, ele teria atuado como elo entre os executores do assassinato e os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime.