EUA ampliam campanha militar na América Latina e avançam para operações por terra com aliados

Os Estados Unidos estão ampliando a campanha militar contra grupos criminosos na América Latina e passaram a negociar operações terrestres conjuntas com países aliados. Colômbia, Guatemala e Honduras concordaram em permitir ações militares conjuntas em seus territórios, segundo o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth. O Equador já realiza missões semelhantes com os EUA desde março.

A nova estratégia ocorre após uma série de ataques norte-americanos contra embarcações acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico Leste. Segundo informações apresentadas pelo governo dos EUA, mais de 60 ataques foram realizados desde o ano passado, deixando mais de 200 mortos. As operações, porém, foram questionadas devido à falta de evidências públicas sobre os alvos e aos possíveis impactos sobre civis.

Durante uma visita ao Panamá, Hegseth afirmou que as ações terrestres devem seguir a mesma lógica dos ataques realizados contra embarcações. “O mesmo efeito em terra. E é por isso que estamos trabalhando com o Equador. Estamos trabalhando com a Colômbia. Estamos trabalhando com parceiros para levar a luta às organizações terroristas em terra”, declarou.

A expansão das operações ocorre em um momento de maior aproximação entre Washington e governos latino-americanos alinhados às prioridades de segurança do presidente Donald Trump. O governo norte-americano também classificou 20 grupos criminosos da região como organizações terroristas estrangeiras. Especialistas avaliam que a estratégia aumenta a presença militar dos EUA no continente e pode gerar novos questionamentos sobre soberania e uso da força.

Os Estados Unidos atuam há décadas na América Latina por meio de programas de treinamento, inteligência e fornecimento de equipamentos para o combate ao narcotráfico. A nova estratégia, no entanto, amplia a possibilidade de participação direta de militares norte-americanos em operações terrestres. Críticos alertam ainda para riscos de vítimas civis e para o histórico de intervenções dos EUA na região.