PF abre inquérito para investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência e corrupção

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de tráfico de influência e corrupção. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura uma suposta atuação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde.

Segundo a PF, a investigação não envolve as fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. O foco é apurar se Lulinha utilizou sua influência para facilitar reuniões entre Camilo Antunes e integrantes do Ministério da Saúde durante negociações para um possível contrato de fornecimento de medicamentos à base de canabidiol, que nunca chegou a ser firmado.

As suspeitas surgiram durante a Operação Sem Desconto, que investiga desvios em benefícios do INSS. Camilo Antunes é apontado como um dos principais operadores desse esquema e está preso desde setembro do ano passado. Durante as investigações, Lulinha teve os sigilos bancário e fiscal quebrados, mas a PF afirma que o novo inquérito trata exclusivamente de fatos relacionados ao Ministério da Saúde.

A defesa de Lulinha confirmou que ele viajou para Portugal com Camilo Antunes em 2024 para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de cannabis medicinal. Segundo os advogados, a viagem não resultou em qualquer parceria comercial e todas as despesas foram pagas pelo lobista.

Os advogados negam qualquer irregularidade e afirmam que Lulinha nunca participou das fraudes no INSS, não recebeu recursos desviados e jamais exerceu tráfico de influência para beneficiar Camilo Antunes. A investigação seguirá sob responsabilidade da Polícia Federal para apurar se houve prática de crimes nas negociações com o Ministério da Saúde.