O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no domingo (15), dividiu opiniões no cenário político nacional. A escola levou para a avenida um enredo que destacou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, celebrando sua origem humilde, atuação sindical e chegada à Presidência da República.
A apresentação incluiu referências a programas sociais e episódios marcantes da política recente, além de encenações críticas a adversários. Uma das alegorias retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro em tom satírico, o que gerou forte repercussão nas redes sociais.
Lideranças de direita reagiram com críticas. O Partido Novo anunciou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral, classificando o desfile como “propaganda antecipada”. A sigla questiona o uso de recursos públicos destinados ao Carnaval e defende apuração sobre eventual promoção pessoal.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o episódio foi “campanha antecipada com dinheiro do povo” e declarou que “o brasileiro paga imposto para bancar espetáculo político”. Já o senador Sergio Moro disse que o desfile representou “um espetáculo de abuso de poder” e criticou o que chamou de enaltecimento unilateral.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho, afirmou haver “grave ilícito eleitoral” e defendeu análise rigorosa do caso pelos órgãos competentes. Parte da oposição também acionou o Tribunal de Contas da União para avaliar os repasses feitos pela Embratur às escolas do Grupo Especial.
O deputado Nikolas Ferreira também criticou o desfile e afirmou nas redes sociais que, se situação semelhante tivesse ocorrido em 2022, o então presidente estaria “com busca e apreensão no partido, no barracão da escola e inelegibilidade vitalícia”. Para ele, haveria tratamento diferente caso o homenageado fosse um político de direita.
O Tribunal Superior Eleitoral já havia rejeitado pedidos para suspender o desfile antes da apresentação, ao entender que não houve pedido explícito de votos — condição necessária para caracterizar propaganda eleitoral irregular neste momento.
Do outro lado, aliados do governo e apoiadores do presidente celebraram o desfile como manifestação cultural legítima. Parlamentares governistas afirmaram que a escola contou “a história de um retirante que virou presidente” e destacaram que o Carnaval é espaço de expressão artística e política.
O presidente acompanhou a apresentação de um camarote, ao lado de autoridades locais. A repercussão do episódio evidenciou o clima de polarização que já marca os debates em torno das próximas eleições.
Agência Brasil/ EBC










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