Fósseis raros de até 120 milhões de anos retornam ao Cariri após repatriação internacional

O Cariri cearense recebeu, nesta semana, um importante reforço em seu patrimônio científico e histórico com a repatriação de fósseis que estavam na Europa e na Argentina. O material, que havia sido retirado ilegalmente do Brasil, inclui peixes, répteis e microfósseis com até 120 milhões de anos e agora passa a integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

Parte do acervo veio da Suíça, onde oito caixas com cerca de 150 quilos de fósseis estavam sob a guarda do Museu de Paleontologia da Universidade de Zurique. Os materiais foram devolvidos voluntariamente e incluem exemplares considerados raros, fundamentais para pesquisas científicas e para a preservação da história natural da Bacia do Araripe, uma das regiões mais importantes do mundo em termos paleontológicos.

Outra remessa inclui fósseis vindos da Itália e da Argentina. Entre os destaques está um peixe em excelente estado de conservação, além do primeiro conjunto de microfósseis repatriado ao Brasil. Esses organismos microscópicos têm grande valor científico, especialmente na identificação de áreas com potencial para exploração de petróleo, além de contribuírem para o estudo da evolução da vida no planeta.

Os materiais devolvidos também fortalecem o trabalho acadêmico e científico desenvolvido na região. Pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA) já utilizam fósseis repatriados em estudos que envolvem alunos de graduação e pós-graduação. Em casos anteriores, análises de fósseis recuperados resultaram até na identificação de novas espécies, ampliando o conhecimento sobre a fauna pré-histórica da região.

A repatriação é resultado de uma articulação entre instituições brasileiras e internacionais, incluindo o Ministério Público Federal, que mantém atualmente 34 pedidos de cooperação em andamento para recuperar fósseis retirados ilegalmente do país. A devolução desses materiais representa não apenas a recuperação de um patrimônio científico, mas também um avanço para a preservação da memória natural e o fortalecimento da pesquisa e do turismo científico no Cariri.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação para Humanos