Novo decreto de Camilo prorroga lockdown no Ceará; flexibilização começa dia 12 de abril

Em Fortaleza, o lockdown completa um mês nesta segunda (5); a medida mais restritiva foi estendida para todo o Ceará a partir de 13 de março

Após deliberação na tarde deste domingo (4), o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 no Ceará decidiu pela prorrogação do período de isolamento social rígido no Estado, que passa a valer até 11 de abril. Com isso, apenas serviços considerados essenciais permanecem a funcionar neste período.

Havia expectativa de que o governo do Estado divulgasse a decisão na última quinta-feira (1º), com possibilidade de anúncio do plano de retomada econômica, sinalizado pelo governador Camilo Santana no fim de março. Porém, Camilo adiou a decisão para este domingo justificando necessidade de analisar os números da pandemia por mais dias.

Em Fortaleza, o lockdown completa um mês nesta segunda (5). A medida mais restritiva foiestendida para todo o Ceará a partir de 13 de março.

Com a renovação do decreto estadual, permanecem em funcionamento no Ceará setores da indústria; construção civil; serviços de órgãos de imprensa e meios de comunicação; serviços de “drive thru” em lanchonetes e estabelecimentos congêneres; lojas de departamento que possuam, comprovadamente, setores destinados à venda de produtos alimentícios; distribuidoras e revendedoras de água e gás;
empresas da área de logística, entre outros.

Os estabelecimentos considerados não essenciais, como lojas, bares e restaurantes, cinemas e teatros, por exemplo, continuam fechados. No caso do segmento de alimentação fora do lar, é permitido o serviço de delivery.

Plano de retomada

As discussões sobre o plano de retomada tiveram início no último sábado (27), conforme o secretário executivo de Planejamento e Gestão, Flávio Ataliba. O comitê recebeu durante a semana representantes dos setores de comércio e educação privada e pública. Na semana anterior, empresários de restaurantes e de academias também foram ouvidos.

O comércio estava apostando na retomada das atividades para esta segunda-feira (5), como apontado por Maurício Filizola, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE).

“Estamos conscientes do nosso papel de responsabilidade em relação aos protocolos que foram desenhados, inclusive com a participação do governo, à orientação e treinamento dos colaboradores. Nós queremos é funcionar e cumprir com as nossas obrigações”, afirmou Filizola.

Durante encontro de representantes do setor com o comitê, foi reapresentada proposta de reabertura do comércio com 50% dos colaboradores.

VEJA A LISTA COMPLETA COM O QUE VAI FUNCIONAR NO LOCKDOWN EM FORTALEZA: 

  • Indústria
  • Construção civil
  • Serviços de órgãos de imprensa e meios de comunicação e telecomunicação em geral
  • Call center;
  • Estabelecimentos médicos, odontológicos para serviços de emergência, hospitalares, laboratórios de análises clínicas, farmacêuticos, clínicas de fisioterapia e de vacinação;
  • Serviços de “drive thru” em lanchonetes e estabelecimentos congêneres;
  • Lojas de conveniências de postos de combustíveis, vedado o atendimento a clientes para lanches ou refeição no local;
  • Lojas de departamento que possuam, comprovadamente, setores destinados à venda de produtos alimentícios;
  • Comércio de material de construção;
  • Empresas de serviços de manutenção de elevadores;
  • Correios;
  • Distribuidoras e revendedoras de água e gás;
  • Empresas da área de logística;
  • Distribuidores de energia elétrica, serviços de telecomunicações;
  • Segurança privada;
  • Postos de combustíveis;
  • Funerárias;
  • Estabelecimentos bancários;
  • Lotéricas;
  • Padarias, vedado o consumo interno;
  • Clínicas veterinárias;
  • Lojas de produtos para animais;
  • Lavanderias; e supermercados/congêneres
  • Oficinas e concessionárias exclusivamente para serviços de manutenção e conserto em veículos;
  • Empresas prestadoras de serviços de mão de obra terceirizada;
  • Centrais de distribuição, ainda que representem um conglomerado de galpões de empresas distintas;
  • Restaurantes, oficinas em geral e de borracharias situadas na Linha Verde de Logística e Distribuição do Estado;
  • Praça de alimentação em aeroporto;
  • Transporte de carga;
  • Suspensão de atividades a que se refere o inciso I, do “caput”, deste artigo, não se aplica a bares, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos congêneres que funcionem no interior de hotéis, pousadas e similares, desde que os serviços sejam prestados exclusivamente a hóspedes;
  • Durante a suspensão de atividades, o comércio de bens e serviços poderá funcionar por meio de serviços de entrega, inclusive por aplicativo, vedado, em qualquer caso, o atendimento presencial de clientes nas dependências do estabelecimento.
  • Excetuam-se da vedação prevista no “caput”, deste artigo, as empresas que funcionam ou fornecem bens para a Zona de Processamento de Exportação do Ceará – ZPE, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém – CIPP e o Porto do Pecém. § 7º
  • Às instituições religiosas será permitido o atendimento individual para fins de assistência a fiéis;
  • Às organizações da sociedade civil será permitida a continuidade de ações que tenham por objetivo a entrega individualizada de suprimentos e outras ações emergenciais de assistência às pessoas e comunidades por elas atendidas.

Confira a lista completa de atividades que estão com funcionamento restrito:

  • Academias, clubes, centros de ginástica e estabelecimentos similares;
  • Escolas com exceção de berçário para crianças de até trê anos de idade e atividades cujo ensino remoto seja inviável, quais sejam: treinamento para profissionais da saúde, aulas práticas e laboratoriais para concludentes do ensino superior, inclusive de internato;
  • Igrejas (Ficam liberadas somente celebrações virtuais)
  • Bares, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos congêneres, permitido exclusivamente o funcionamento por serviço de entrega, inclusive por aplicativo;
  • Museus, cinemas e outros equipamentos culturais, público e privado
  • Lojas ou estabelecimentos do comércio ou que prestem serviços de natureza privada;
  • Shoppings, galeria/centro comercial e estabelecimentos congêneres, salvo quanto a supermercados, farmácias e locais que prestem serviços de saúde no interior dos referidos estabelecimentos;
  • estabelecimentos de ensino para atividades presenciais, salvo em relação a atividades cujo ensino remoto seja inviável, quais sejam: treinamento para profissionais da saúde, aulas práticas e laboratoriais para concludentes do ensino superior, inclusive de internato, e atividades de berçário e da educação infantil para crianças de zero a 3 (três) anos;
  • Feiras e exposições;
  • Barracas de praia, lagoa, rio e piscina pública ou quaisquer outros locais de uso coletivo e que permitam a aglomeração de pessoas;
  • Realização de festas ou eventos de qualquer natureza, em ambiente aberto ou fechado, público ou privado;
  • Prática de atividades físicas individuais ou coletivas em espaços público ou privados abertos ao público, salvo quanto aos jogos profissionais de campeonatos de futebol de âmbito regional e nacional, desde que fechados ao público e atendidos os protocolos sanitários previamente estabelecidos.

Fonte: Diario do Nordeste 

Decisão sobre lockdown ou reabertura no Ceará será tomada em reunião na tarde deste domingo

Comitê tem reunião marcada para as 16 horas

A reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 no Ceará será na tarde deste domingo (4), a partir das 16 horas. O grupo decidirá se o Estado segue em lockdown ou inicia reabertura econômica.

As informações são da assessoria de comunicação do Governo do Estado.

Neste domingo, Fortaleza completa um mês em isolamento social rígido. O atual decreto, que estendeu a medida para todo o Estado, encerra-se hoje.

Na última quinta-feira (1º), quando havia expectativa de anúncio sobre as próximas medidas, o governador Camilo Santana (PT) se pronunciou e informou que a decisão seria tomada e divulgada neste domingo de Páscoa para que os números da pandemia fossem analisados por mais dias.

Na ocasião, durante transmissão nas redes sociais, Camilo afirmou que os números da Covid-19 no Ceará seguem em tendência de estabilização, mas a situação do sistema de saúde ainda é crítica. O governador ponderou que o adiamento da decisão foi para avaliar melhor o cenário, com o objetivo de não gerar “retrocessos”  no Estado.

Neste domingo, a taxa de ocupação de leitos de UTI adulto no Ceará é de 95,52%.

Fonte: Diario do Nordeste

7 a cada 10 pacientes internados por Covid no Ceará em 2021 têm alguma comorbidade

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde, 49% são idosos de 60 a 89 anos de idade. Médicos destacam a possibilidade do agravamento da doença nestes pacientes

Os pacientes com comorbidade são os mais hospitalizados por Covid-19 no Ceará. De acordo com boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), de 1º de janeiro de 2021 até o último dia 27 de março, 6.378 dos 8.838 internados com síndrome respiratória aguda causada pelo coronavírus têm comprovadamente uma ou mais comorbidade. Ou seja, a média é que 7 a cada 10 pacientes que compõem o grupo de risco, precisem de leitos.

49% destes internamentos são de idosos de 60 a 89 anos de idade. As comorbidades mais presentes, segundo os dados:

  • Cardiopatia (2.655 casos)
  • Diabetes (1.978) casos)
  • Obesidade (688 casos).

Também foram elencadas as categorias de doenças pré-existentes ou condições associadas:

  • Renal (243)
  • Imunodepressão (157)
  • Pneumopatia (174)
  • Neurológica (296)
  • Asma (187)

O cardiologista intervencionista Jorge Henrique de Carvalho Rocha explica que cardiopatia é um termo amplo, podendo ser de caráter congênito ou adquirida. O especialista destaca que é preciso entender que a Covid-19 é uma doença de caráter inflamatório e trombótico, com risco de agravamento da primeira para a segunda semana, a chamada fase de transição da doença.

 

“Assim como outras partes do corpo, o coração tende a apresentar maior inflamação. Quando se junta a fase inflamatória da doença na forma grave, induzindo perda de função, com o aspecto trombogênico da doença, isso gera uma disfunção maior da bomba, o coração”, afirma Jorge Henrique.

E complementa: “O paciente mais idoso costuma ser um paciente que carrega a cardiopatia há anos, como consequência de um histórico familiar, ou da diabetes, ou da hipertensão descontrolada, ou do tabagismo, por exemplo. É um coração que vem de longa data em sofrimento. Então, quando exigido dele um pouco mais, é natural que reaja com pouca efetividade”, destacou.

Resposta imune

Quanto mais comorbidades associadas, mais aumenta o risco de o paciente ficar em estado grave. A médica endocrinologista Ana Flávia Torquato diz acreditar que o índice de pessoas com obesidade está subnotificado. Isto, porque, a obesidade ainda não é algo comumente descrito em muitos prontuários.

De acordo com a endocrinologista, a resposta imunológica é a responsável pela defesa do corpo. E se os índices estiverem descontrolados, esta resposta pode passar por interferência e como consequência haver diferenciação no curso da doença.

 

Leitos Covid-19

 

“Há pessoas que desenvolvem quadro inflamatório extenso. Ocorre que pessoas com comorbidade e mais idosas têm propensão de uma resposta imunológica inadequada ao vírus da Covid-19. A imunidade de pessoas com diabetes descompensada já costuma ser alterada, esse paciente já tem tendência de uma infecção mais grave, um problema de cicatrização ou mesmo de trombose”, explica.

“Nos pacientes com glicemia controlada, o risco de desenvolver complicação é baixo e se aproxima às pessoas sem diabetes. É um risco diferente se comparado ao paciente com os diabete descontrolado. Vale ressaltar que estamos falando de riscos, não é uma sentença de morte”, ponderou a endocrinologista.

Direito à vacina

Até a metade do último mês de março, o Estado registrava baixa adesão ao cadastro da vacina por parte das pessoas com comorbidades. Menos de 10% deste grupo prioritário ainda não havia se registrado.

O Plano de Operacionalização da Vacinação, elaborado pelo Governo do Estado, estima que 627.572 cearenses tenham alguma doença pré-existente e, portanto, se encaixem entre as prioridades para a 3ª fase de imunização, a ser executada em abril e maio de 2021.

QUAIS SÃO AS COMORBIDADES?

  • Diabetes
  • Hipertensão grave
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica
  • Doença renal
  • Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares
  • Transplantados de órgãos sólidos
  • Anemia falciforme
  • Câncer
  • Obesidade (IMC maior ou igual a 40)

Conforme a Sesa, quem tem uma ou mais dessas condições foi inserido como prioridade na fila da vacinação porque tem mais probabilidade de desenvolver formas graves ou até evoluir a óbito, se infectada pelo coronavírus.

Dados do IntegraSUS ainda apontam que as principais doenças associadas aos óbitoscausados pela Covid-19 são a doença cardiovascular crônica e a diabetes mellitus. Já os pacientes com as doenças hematológica crônica e hepática crônica, assim como o asma, têm os menores percentuais de mortes dentre as pessoas que compõem grupo de risco do coronavírus no Ceará.

Fonte: Diario do Nordeste