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Entenda o caso da vacinação de Wesley Safadão e Thyane Dantas; casal teve imunização facilitada irregularmente

Foto: Reprodução / Instagram

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A Sindicância da Prefeitura de Fortaleza que apurou as irregularidades na vacinação do cantor Wesley Safadão; da esposa, a influenciadora Thyane Dantas; e da produtora Sabrina Tavares Brandão, identificou que a facilitação para a imunização do cantor e da produtora fora do local previstos inicialmente, e da influencer, que sequer estava agendada, deu-se na triagem no posto de vacinação, no North Shopping Jóquei.

Nenhum dos três teve o agendamento conferido e todos foram conduzidos por dois funcionários terceirizados diretamente para o espaço de vacina, onde ocorria aplicação de dose única da Janssen. A facilitação ocorreu, conforme evidências da Sindicância, às quais o Diário do Nordeste teve acesso, por solicitação de uma servidora municipal da área da saúde.

Conforme já divulgado, a averiguação realizada pela gestão municipal resultou na instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) no caso da servidora, cujas iniciais são J. M. O. S. e os funcionários terceirizados J. L. A. F. e D. F. S. foram devolvidos à empresa de origem e não têm mais contrato com a Prefeitura.

Os terceirizados, segundo consta na Sindicância, eram responsáveis pela supervisão presencial e pelo apoio na triagem no shopping onde ocorria a vacinação.

A servidora envolvida não fazia parte da equipe de vacinação neste posto, mas teria atuado ligando para uns dos terceirizados no dia da imunização do casal e da produtora.

Com base nos depoimentos, nas imagens das câmeras de segurança fornecidas pelo shopping e no registro de conversas em aplicativos, os documentos da Sindicância traçam um passo a passo do dia da ocorrência.

CONFIRA REGISTROS INDICADOS NA SINDICÂNCIA:

  • Nome: Wesley Oliveira da Silva

Data de nascimento: 06/09/1988
Data de cadastro: 08/06/2021
Data de agendamento: 08/07/2021
Local: Centro de Eventos do Ceará – Salão Taíba, 12h
Data de atendimento: 08/07/2021, 10h09min
Vacina tomada: Janssen
Lote: 211A21A

  • Nome: Thyane Dantas Oliveira

Data de nascimento: 18/02/1991
Data de cadastro: 23/06/2021
Data de agendamento: Não houve
Data de atendimento: 08/07/2021, 10h10min
Vacina tomada: Janssen
Lote: 211A21A

No dia 8 de julho, conforme indicado na averiguação da Prefeitura, 17 pessoas estavam escaladas e integravam a equipe de vacinação no local. O terceirizado D. F. S. era o supervisor da imunização. O outro, J. L. A. F., integrava a equipe da triagem.

Antes de Wesley e as demais pessoas que o acompanhavam chegarem ao local, foi informado à equipe, segundo depoimentos, que o supervisor e o terceirizado da triagem seriam os responsáveis por receberem as pessoas que estivessem com a vacina agendada, mas não fosse para aquele posto, como ocorreu com Wesley. Foi indicado, segundo os depoimentos, que esse procedimento seria aceito ainda que o agendamento fosse para outro lugar, contudo, esses casos seriam separados na triagem.

PROCESSO DE VACINAÇÃO TEM 3 ETAPAS: 

  • Triagem: etapa na qual, dentre outros, deve ser checado se a pessoa está cadastrada, está na lista, devem ser conferidos documentos como RG e CPF, se faz parte do público-alvo em questão, e entrega do comprovante de residência.
  • Registro: após a triagem, o público é encaminhado para que as informações sejam inseridas no sistema digital, é confeccionado o cartão de vacina e há encaminhamento para a fila da vacina.
  • Vacinação: devem ser conferidas as informações que constam no cartão com a pessoa a ser vacinada, com ênfase nas relacionadas às questões de saúde.

Conforme a Sindicância, mesmo sem a triagem inicial, Wesley, Thyane e Sabrina foram conduzidos para a segunda etapa. Nesse processo, tanto a registradora das vacinas, como a aplicadora, em depoimento à Sindicância explicam o procedimento realizado, e informaram que como eles haviam passado pela triagem, não desconfiaram de irregularidades.

As pessoas ouvidas também mencionam que, por serem figuras públicas, houve um certo deslumbramento com a presença dos dois. Além disso, ao menos dois depoimentos reiteram que, no caso de Thyane, a mesma confirmou ter 31 anos, mesmo a idade verdadeira sendo 30 anos.

Nesta quarta-feira (15) o Diário do Nordeste tentou contato com os três profissionais apontados na sindicância como sendo os responsáveis pela facilitação do acesso à vacinação. Os dois terceirizados não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Já a servidora não atendeu às ligações. A assessoria de Wesley Safadão informou que o cantor não irá comentar o caso.

O QUE DISSERAM OS INVESTIGADOS À SINDICÂNCIA?

D. F. S., supervisor do centro de vacinação  no momento da vacinação de Wesley e Thyane, foi ouvido ao menos duas vezes pela sindicância. No dia 9 de julho e no dia 11 de agosto. Na hora da ocorrência, ele estava ajudando na triagem.

Em depoimento, informou que foi conferida a documentação necessária de apresentação do envolvido e não foi checada a documentação de Thyane. Ele visualizou o comprovante de agendamento no celular do Wesley, mas, segundo ele, “devido à alta demanda no local não foi possível verificar no Vacine Já o local de agendamento”.

Nesse primeiro momento, D.F.S informou que a presença do Safadão não estava prevista no equipamento e não associou de forma imediata tratar-se de uma figura pública.

Ele sustenta o argumento que o local estava lotado. Contudo, essa afirmação é contestada pela sindicância a partir dos demais depoimentos e das imagens do local. D.F.S disse ainda não ter conhecimento sobre a vacinação da produtora, Sabrina.

Já no dia 11 de agosto, ele reafirmou que o fluxo estava intenso na chegada de Wesley e reiterou que o deixou entrar no local, pois ele estava agendado. Mas, segundo o supervisor, informou que a acompanhante deveria aguardá-lo fora do centro de vacinação, mas ela teria acompanhado Wesley. Ele acrescentou que em nenhum momento foi realizada a checagem do agendamento de Thyane.

Embora tenha dito que não reconheceu, a princípio, tratar-se de uma figura pública, D. F. S., assim como o outro terceirizado, relatam ter feito fotos com Wesley na saída.

Já o outro terceirizado afastado, J. L. A., foi ouvido nos dias 26 de julho e 11 de agosto. Ele informou que o fluxo de usuários era baixo no local no momento da vacinação de Wesley.

Na sindicância, o depoente foi confrontado com imagens das câmeras de segurança. J. L. A., segundo registros dos documentos, conduz Sabrina à vacinação, mas em depoimento ele diz não se recordar o motivo de ter convidado Sabrina para o setor de vacinação. Também afirmou não se lembrar porque ela não passou pela triagem e foi direto para o registro.

O terceirizado J. L. A. foi quem disse ter recebido uma ligação da servidora J. M. O. S., para que pessoas fossem vacinadas sem passar pela triagem.

Em depoimento no dia 13 de agosto, a servidora J. M. O. S., que atua no setor de imunização da Coordenadoria Regional de Saúde III, disse que no dia 8 de julho recebeu uma ligação de uma usuária que queria informações sobre qual procedimento deveria ser feito se perdesse o dia vacinação e que a mesma pessoa ligou novamente depois perguntando onde encontrava o terceirizado J. L. A.

A servidora, conforme os documentos, informou ainda que ligou para ele dizendo que “um pessoal iria procurá-lo” e que ele disse que poderia encaminhar para o shopping. Ela afirmou não ter relação de amizade com ele e que esta teria sido a primeira vez que ligou para J. L. A.

APURAÇÕES CONTINUAM

A Sindicância da Prefeitura apurou as responsabilidade administrativas, mas tanto o casal quanto a produtora do cantor, Sabrina Tavares, são investigados também pela Polícia Civil do Ceará após a abertura de um inquérito na Delegacia de Combate à Corrupção (Decor), e Thyane e Wesley são alvo de apurações do Ministério Público do Ceará (MPCE).

O resultado da sindicância aponta que agentes públicos poderão responder criminalmente por corrupção passiva privilegiada, conforme o Código Penal, caracterizado quando o funcionário público pratica ato de ofício com infração do dever funcional atendendo a pedido ou influência de terceiro.

Os fatos apurados e as provas colhidas na esfera administrativa pela Prefeitura devem ser comunicadas tanto à Polícia Civil quanto ao MPCE.

Fonte: Diário do Nordeste

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