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TI Sufoco: passageiros enfrentam superlotação e 5 horas para ir e voltar de bairro de Jaboatão

Por Wagner Sarmento e Thiago Augustto, TV Globo

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A série de reportagens TI Sufoco mostra, nesta quinta-feira (21), o sacrifício de quem mora em Muribeca dos Guararapes, em Jaboatão, e precisa chegar ao centro do Recife. No percurso de ida, calor e superlotação. Na volta para casa, insegurança e uma longa espera. São mais de cinco horas de viagem, juntando os dois trajetos.

(Série TI Sufoco mostra o desafio diário de quem precisa utilizar o transporte público no Grande Recife. São 26 terminais integrados, que levam o pernambucano ao trabalho, à escola, ao custo de uma única passagem. E qual o custo humano para quem depende do transporte público?).

Às 6h, estamos na Rua Matriz, a principal de Muribeca dos Guararapes, bairro histórico que começou a ser povoado no século 16. A parada de ônibus fica quase em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída há mais de quatro séculos. O coletivo da linha Muribeca dos Guararapes/TI Cajueiro Seco demora 20 minutos para chegar. E já vem lotado.

São 40 minutos de percurso, com ônibus superlotado e paradas cheias. Os passageiros reclamam das constantes quebras de ônibus. A linha é operada pela empresa Vera Cruz. O Grande Recife Consórcio de Transporte diz que apura a conduta da empresa e cobra renovação da frota.

“Não é só a Vera Cruz que tem esses problemas. São todas as linhas. Quebra demais. E poderiam colocar mais ônibus. Às vezes a gente espera 40 minutos, uma hora”, desabafa a dona de casa Tereza Ferreira.

Às 7h, o ônibus chega ao Terminal Integrado de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, utilizado todos os dias por 66 mil pernambucanos e que faz integração com o metrô. O local tem escada rolante e elevador. Ambos quebrados. Passageiros idosos, com deficiência física e dificuldade de locomoção sofrem.

É o caso da vendedora Patrícia Maria Soares, que, de muleta, precisa encarar uma escadaria inglória. Os passos são lentos, vacilantes. “Vou fazer um bolinho para essa escada rolante. Já vai fazer aniversário que está quebrada. Só Jesus na causa. Aumentam a passagem, mas não tem melhoria para a gente. Um absurdo”, esbraveja ela, com um problema na perna direita em virtude de um câncer que a acometeu em 2010.

Às 7h20, hora de embarcar no TI Cajueiro Seco (Rua do Sol). O ônibus tem ar condicionado. E goteira também. A vendedora Larissa Ferreira, grávida, estava com a calça ensopada em virtude do pinga-pinga. “Aqui não tem tranquilidade. É sofrimento. Tem sorte de o ar condicionado estar funcionando. Na maioria das vezes, vou no calor e em pé, tendo que proteger a barriga”, conta.

Na Avenida Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira, já no Recife, a faixa azul livra o ônibus do engarrafamento. Em cima da Ponte Motocolombó, um coletivo quebrado. Às 8h30, após quase duas horas e meia de trajeto total, o veículo chega à Rua da Aurora, no centro do Recife.

Retorno

Chegamos na Rua da Aurora às 17h. Esperamos meia hora para pegar o ônibus Cajueiro Seco/ Rua do Sol. A subida foi tranquila, mas depois da catraca, passar era impossível. Seguimos a nossa viagem e, pelo caminho, encontramos paradas cheias. Até para desembarcar é difícil.

O vendedor Renato Severino conta que ir sentado é um luxo raro, que poucas pessoas conseguem. “Para poder estar sentado, tem que pegar uma pessoa que é mais nova que a gente e que dê o lugar. E é preciso agradecer a essa pessoa”, aponta.

Entre os problemas na volta para a casa, há ainda a falta de segurança, conta o comerciante Expedito de Miranda. “A segurança não é zero. Temos segurança, mas muito pouca. Até agora, não entrou um PM aqui dentro no coletivo. É preciso nosso governador rever a segurança dos cidadãos que pagam seus impostos e tem direito de cobrar o direito de ir e vir”, diz.

A servente Sandra Josefa de Lima afirma que sufoco mesmo é no Terminal de Cajueiro Seco. “Eu esperei uns 20 minutos. Consegui ir sentada. Vou para Cajueiro Seco e de lá apanho Marcos Freire, que é sempre lotado. Tem que esperar vários ônibus para entrar. Não tem ar, não tem nada, vai um por cima do outro mesmo”, conta.

Chegando ao TI Cajueiro Seco, às 18h30, começa o desafio de embarcar no próximo ônibus. Uma das linhas mais complicadas é Muribeca dos Guararapes, segundo os passageiros.

“De Boa Viagem para cá, é mais rápido. Dependendo do trânsito, é 20 minutos, mas daqui para onde eu moro [Muribeca]… A demora é mais aqui [no terminal] 40 minutos, uma hora para o ônibus chegar e corre o risco de não pegar”, reclama a costureira Jaqueline Maria.

Às 19h10, enquanto a gente conversava com o comerciante Pedro de Sá, o ônibus para Muribeca dos Guararapes chegou. ”Vou para a cidade três vezes por dia e, sempre que venho pra cá, está lotado”, diz, antes de enfrentar o desafio de subir no coletivo.

A agonia é tanta que tem gente que passa mal. Uma mulher desmaia na fila do terminal, enquanto outros passageiros lutam por um lugar dentro do ônibus, que segue lotado pelas ruas de Jaboatão. Há quem sente nos degraus junto à porta. As pessoas vão descendo, mas o ônibus continua cheio.

Enfim, chegamos ao nosso destino: a Rua da Matriz em Jaboatão dos Guararapes. Da Rua da Aurora até aqui, foram três horas e meia de viagem.

Fonte: G1.com

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