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Afrojob: Empreendedores negros unem comércio e empoderamento em Salvador

Cynthia Paixão é afroempreendedora e tem uma linha de biquínis plus size — Foto: Valma Silva/G1 BA

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A empresária e produtora cultural Cynthia Paixão, dona da marca Cynd Biquínis Plus, voltada para mulheres gordas, e o artista plástico José Yosh, que dá nome à marca de roupas e acessórios By Yosh, são dois exemplos do universo de afroempreendedores que atuam na Bahia.

[O G1 estreia, nesta segunda-feira, o Afrojob, quadro que trata sobre o afroempreendedorismo em Salvador. Você vai conhecer, todos os meses, histórias de pessoas negras que comercializam produtos e serviços voltados para a população negra]

Cynthia Paixão é afroempreendedora e tem uma linha de biquínis plus size — Foto: Valma Silva/G1 BA

Cynthia Paixão é afroempreendedora e tem uma linha de biquínis plus size — Foto: Valma Silva/G1 BA

Quando Cynthia abriu sua primeira loja, em 2011, no bairro de Valéria, em Salvador, seus biquínis eram modelo “slim”, ou seja, feitos para mulheres magras. A mudança de perfil surgiu a partir de uma demanda das próprias gordinhas, que batiam à sua porta procurando de modelos específicos.

De acordo com o Relatório Global Entrepreneurship Monitor do Sebrae (2017), 54% dos empreendedores no Brasil são negros. A Bahia, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do mesmo ano, é o quarto estado mais negro do país (80,2%). Dentre as capitais brasileiras, Salvador é a mais negra (82,7%).

Produzir biquínis modelo “plus size” vai muito além da questão comercial. É enfrentar preconceitos, empoderar, trabalhar em cima da autoestima. Cyntia tem consciência do potencial de alcance do seu trabalho e acredita que cada mulher que usa uma de suas peças pode atuar como agente multiplicadora.

“O bom desse trabalho é ver mulheres vestidas de biquínis. Mulheres que não têm vergonha de ir à praia. E antes, eu tinha o depoimento de mulheres gordas que nunca tinham usado uma lingerie, porque não encontram um modelo que caiba no corpo dela”, diz ela.

“A gente chega na loja e vê, no máximo, um tamanho 52, 54, que, na verdade, não veste uma mulher gorda. Hoje temos um núcleo de mulheres que não têm vergonha de usar biquínis, que desfilam onde querem desfilar. O que eu passo para elas é que, essa força que elas encontraram, que multipliquem”.

A Cynd Biquínis tem esse poder de transformar algo que eu não sabia que era capaz. Essas clientes mostraram que eu tenho o poder de transformar a vida das clientes com apenas duas peças.

Ancestralidade estampada

Yosh é afroempreendedor e tem uma linha de com estampas ancestrais — Foto: Valma Silva/G1 BA

Yosh é afroempreendedor e tem uma linha de com estampas ancestrais — Foto: Valma Silva/G1 BA

Depois de passar dois anos na Noruega, José Yosh voltou ao Brasil e, em 2007, lançou sua marca própria, a By Yosh, que durante muito tempo ganhou vida no bairro da Barra, em Salvador. Hoje, ele expõe suas peças na Casa Boqueirão, uma loja colaborativa que fica no bairro do Santo Antônio, Centro Histórico da capital baiana.

A ideia de Yosh era, inicialmente, transformar os quadros que pintava em estampas, ou fotografar as pinturas e aplicar em tecido sintético. Doze anos depois, o conceito é completamente diferente.

“Quando penso um desenho, é pensado na estampa, em como vai ficar na camisa, no biquíni, no maiô. Antes era o quadro que virava uma estampa para a camisa” explicou Yosh.

Criar estampas para camisas e outros acessórios, como biquínis e sandálias, é a principal fonte de renda de Yosh, mas é também algo que lhe causa certa dor de cabeça, pois o tempo que sobra para pintar seus quadros, atividade de que tanto gosta, é escasso. Embora seja difícil conciliar as duas atividades, ele deseja encontrar uma forma de equilibrar minimamente essa equação.

Feitos para chamar a atenção

Não há receio em dizer que discrição não é o forte da Cynd biquíni plus. Os modelos são cheios de cores, alguns deles com estampas africanas, sem negligenciar que o “o tecido precisa ser confortável, a questão do elástico, linhas resistentes”, como explica Cyntia.

É tudo de caso pensado. A ideia é justamente não esconder as curvas, colocar o corpinho para jogo e ir à praia para “lacrar”. “Cada estampa, eu só produzo três peças. Então, você não vai chegar na praia e ver várias mulheres com a mesma estampa”, detalha ela.

Já no trabalho de Yosh, a referência das religiões de matriz africana é nítida ao primeiro olhar. Os traços coloridos que constroem orixás estão estampados nas camisas, nos quadros, em tudo. E o interessante é que o artista plástico precisou sair de Salvador para estabelecer esse laço com o Candomblé.

“Quando retornei, eu vi que essa ancestralidade estava comigo, e eu tinha que colocar para fora. Não tem como correr do traço. A intuição vai me levando e eu vou criando e fazendo. Em Salvador, você respira essa herança africana”, afirmou Yosh.

Você nasce em Salvador, a herança africana está com a gente o tempo inteiro. Não tem como fugir disso.

Afroempreendedorismo

Afrojob — Foto: Amanda Torres/TV Bahia

Afrojob — Foto: Amanda Torres/TV Bahia

O número de empresas criadas no país, no primeiro semestre do ano passado foi o maior registrado desde 2010, segundo levantamento realizado pela Serasa Experian. Os microempreendedores representaram 81,8% das 1.263.935 novas empresas do país, fenômeno chamado de “empreendedorismo por necessidade”. Em setembro, o Brasil registrou cerca de 13 milhões de desempregados, segundo dados do IBGE.

O afroempreendedorismo surge dentro desse contexto, porém com características peculiares. Além da perspectiva de lucro explorando um nicho de mercado, o afroempreendedor que comercializa produtos e serviços endereçados à população negra está engajado em uma atividade de empoderamento e resistência, contribuindo para o seu desenvolvimento econômico e social.

 
 Fonte: G1

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