Wesley Batista deixa a sede da Policia Federal em São Paulo, em 2016 Foto: Danilo Verpa/Folhapress

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (13), em São Paulo, o empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS e irmão de Joesley Batista. O executivo é investigado em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido com a venda de dólares às vésperas da divulgação da delação premiada dos executivos da J&F, controladora da JBS.

Também foi decretada pela Justiça Federal de São Paulo a prisão de Joesley. Os dois são alvos de prisão preventiva, sem prazo. Joesley, no entanto, já está detido desde o fim de semana por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Ele, porém, cumpre mandado de prisão temporária de cinco dias, que termina nesta sexta-feira (15).

Segundo a PF, os investigadores poderão ser responsabilizados pelo crime de uso indevido de informação privilegiada, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

Em nota, o advogado de Wesley, Pierpaolo Bottini, criticou a prisão. “É absurda e lamentável a prisão e o inquérito aberto há vários meses em que investigados se apresentaram para dar explicações. Mais vez o Estado brasileiro é desleal com quem colabora com a Justiça”. Procurada, a JBS ainda não se manifestou sobre a prisão de Wesley.

Também foram expedidos dois mandados de busca e apreensão a serem cumpridos nas casas do ex-diretor jurídico da JBS Francisco de Assis e Silva e do ex-procurador da República Marcello Miller, acusado de ter atuado em favor da JBS enquanto ainda era membro do Ministério Público Federal.

A operação deflagrada nesta quarta-feira investiga o suposto uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio deste ano, data de divulgação de informações relacionadas ao acordo de delação premiada de executivos da JBS com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

A delação da JBS caiu como uma bomba no meio político e serviu de base para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, oferecesse denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). A denúncia foi barrada pela Câmara.

Segundo a PF, são investigados dois eventos separados, sendo o primeiro deles a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS na Bolsa de Valores por sua controladora, a FB Participações, e a compra dessas ações, em mercado, por parte da própria JBS.

A operação no mercado, segundo a PF, foi uma manipulação por parte da JBS, “fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha”.

O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS, fora do padrão de movimentação comum da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após a revelação da delação.

A ação desta segunda-feira é a segunda fase da Operação Tendão de Aquiles, que foi deflagrada inicialmente em 9 de junho, quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.

“Após a deflagração da primeira fase da operação, com intensa cooperação institucional com a Comissão de Valores Mobiliários, policiais federais analisaram documentos, ouviram pessoas e realizaram perícias, trazendo aos autos elementos de prova que indicam o cometimento de crimes e apontam autoria aos dois dirigentes das mencionadas empresas”, disse a PF em nota.

Fonte: Uol

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