A crônica intitulada “O primeiro dia de trabalho de Melissinha”, do jornalista Guilherme Goulart, publicada na edição desta segunda-feira (11) do Correio Braziliense, dividiu opiniões nas redes sociais. As críticas defendem que Goulart tenha sido machista, mas também há quem veja exagero na repercussão.

As reações negativas fizeram com que a versão online do texto fosse retirada do ar menos de três horas após publicada. No entanto, o conteúdo está disponível na versão impressa e em cópias compartilhadas na internet.

No texto, Goulart conta a história de Melissa, de 19 anos, que, segundo o jornalista, com um “decotinho perverso” e as “coxas de fora” teria virado a cabeça dos “representantes da fauna masculina” da redação logo no seu primeiro dia como estagiária do jornal.

“Se dependesse da macalhada, a agora Melissinha tinha lugar assegurado nos céus de Júpiter, Urano, Netuno, Saturno e que deus mais se apresentasse. Era um tal de chocolatinho para cá, cafezinho para lá, que, deve-se admitir, às vezes até ficava chato”, escreveu. “Melissa respondia com sorrisos e mais sorrisos. Simpaticíssima, a moça. Agradou em uníssono a gregos, troianos, romanos, esquimós e tupinambás”, completou. A jovem “tinha um único defeito: o namorado”.

O jornalista termina o texto falando sobre o dia em que Melissa se despediu dos colegas para aceitar uma oportunidade de trabalho na TV, deixando todos “deprimidos”. “A mocinha, porém, logo seria esquecida. A morena Daniela, estudante de comunicação social de uma universidade pública de Brasília, deu ontem o ar da graça. É a mais nova estagiária da editoria de Economia”, finalizou.

Reação

A página do Facebook “Jornalistas contra o assédio” publicou uma nota de solidariedade à ex-funcionária do Correio Braziliense. “É emblemático que uma perversidade destas seja publicada por um editor em um dos periódicos mais tradicionais de Brasília — cidade onde o assédio ainda é tão presente nas relações com as fontes. É emblemático também que uma das primeiras pesquisas sobre assédio em redações brasileiras tenha sido conduzida pelo Sindicato dos Jornalistas do DF – segundo a qual quase 80% das jornalistas sofrem assédio moral no ambiente de trabalho. Pelo jeito, e a redação do Correio parece exemplificar isso, o campo a ser pesquisado é bem amplo”, escreveu.

Nos comentários também é possível ler opiniões de pessoas que consideram a reação exagerada. Há também quem acredita haver ironia no texto.

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